Porto
Terça-feira, Novembro 30, 2004
Esperando recuperação?
Primeiro apodrecer, depois recuperar
Público
Construtores Civis Preparados para a Reabilitação da Baixa Portuense
Por NATÁLIA FARIA
(...)
"Rui Viana desdramatiza ainda a preocupação manifestada no sábado passado pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, que aludiu ao risco de a reabilitação dos centros urbanos se traduzir num reforço da presença dos ricos nesses mesmos centros e na consequente expulsão dos mais pobres para a periferia. "O que provoca a especulação é a falta de produto e a procura muito elevada. Não é o caso da Baixa do Porto, onde há tanta oferta de casas para recuperação e venda", argumenta aquele responsável, sublinhando que "a especulação é sempre um fenómeno que resulta da carência", não tendo lugar "sempre que a oferta for equilibrada com a procura"."
Primeiro criam-se condições para o despovoamento (tira-se habitação e fazem-se escritórios, deixa-se degradar os prédios para especular com os terrenos no futuro, tira-se o policiamento, deixa-se degradar as ruas, muda-se a sede das grandes empresas, deixa-se morrer a actividade económica e cultural, instalam-se shoppings dentro da cidade e espera-se. Isto durante anos e anos. Finalmente, descobre-se a pólvora que vai encher os cartuchos de muitos.
Compartilhar as penas e a maldição do Poder
Xornal
Santana Lopes
José Luis Montero
(...)
"Nembargantes, como foi un congreso de desespero, de almas en pena, falouse, algunhas veces, coo corazón e Santana Lopes, no seu discurso final, mencionou a famosa soedade do poder, a soedade do primeiro-ministro; soedade que só pode compartir coo Presidente da República... Soedade que provoca coo político de direita, Santana Lopes, e o político de esquerda, Jorge Sampaio, teñan que sentarse, ó son do crepitar dunhas achas, para contarse a suas penas... Cando escoiten estas verbas de compartillamento de penas e soedades, dado que son dado ó bucolismo, casquí me viñeron as lágrimas ós meus ollos, pero, como íso de chorar está feo, preferin pensar no leader do PSOE, Zapatero, e imaxinar esa cara de risa compartindo a sua soedade con alguén aínda que - neste caso, non se sabe con quen comparte esa "maldición" do Poder."
Cada vez ficamos mais tristes e choramos na Tribulandia...
A famosa estabilidade da Tribulandia
Público
Até Quando?
Por EDUARDO PRADO COELHO
"Pensava eu em falar de Jerónimo de Sousa e na velha alegria bolchevique, mas este Governo tem a virtude de nos surpreender todos os dias. Não há programação que resista. Se Jorge Sampaio queria estabilidade, está servido."
Mais outro que descobriu que a estabilidade só serve o imobilismo e o agarrar-se ao poder.
A queda livre da Tribulandia
Público
Sondagem da Universidade Católica para o PÚBLICO e RTP
Governo bate recordes negativos
"Um Governo em queda livre. Parece ser essa a percepção dos portugueses em relação à equipa de Santana Lopes, depois de analisadas as percentagens da última sondagem realizada pela Universidade Católica para o PÚBLICO, RTP e Antena Um.
Os maus resultados incluem mesmo alguns recordes negativos, com valores nunca antes atingidos em algumas das questões do barómetro. Nessa categoria está a pergunta relativa à própria actuação do Governo. 55 por cento dos inquiridos nesta sondagem consideraram a actuação "má" ou "muito má"."
O governo é o espelho do país e dos seus costumes. Nada mais do que isso. Possivelmente, mudarão algumas coisas para que tudo fique na mesma, como convém.
É época do grande circo na Tribulandia
O gigantesco circo da Tribulandia armou a sua tenda gigante e nela meteu montes de palhaços para animar a malta. Ele são os governantes teimosos, os intelectuais da justiça, os comentadores pseudo-desportivos, os narizes de Pinóquio e os malabaristas das semi-verdades. Todos juntos, bem pagos, actuam, conjuntamente, para dar um ar ridículo a tudo que deveria merecer alguma verdade. Assim, rindo se vai esquecendo a crise e quem mete os euros no bolso porque os que não os têm cada vez estão mais alienados. Para o grande final, teremos, certamente o presidente e o primeiro a chorarem abraçados.
Actividades intensas da Tribulandia
JN
Deco pede esclarecimentos sobre suspensão de telefone
"A Deco (Associação de Defesa dos Consumidores) vai pedir esclarecimentos sobre a suspensão do novo telefone fixo da Sonaecom, Optimus Home, na primeira reunião do conselho consultivo da Anacom (Autoridade Nacional das Comunicações), revelou, ontem, à agência Lusa o secretário-geral da Deco , Jorge Morgado.
Depois de três anos inactivo, o conselho consultivo do órgão regulador das telecomunicações, que integra representantes da Deco, da Anacom e dos operadores, reúne a 7 de Dezembro."
Ainda se lembrarão uns dos outros? Isto é o que se chama actividade.
A estabilidade pode ser o enterro do artista
JN
A estabilidade "não é um valor absoluto"
"João Salgueiro e Ferraz da Costa consideram que mais importante que a estabilidade política é a necessidade de serem definidas estratégias e objectivos a médio prazo, o que não está a ser feito. Questionados sobre os efeitos da última crise do Governo, criada com a demissão de Henrique Chaves, precisaram que a estabilidade não é um valor absoluto."
Até que enfim acordaram. A estabilidade muitas vezes só serve para mascarar a inacção pantanosa.
Segunda-feira, Novembro 29, 2004
As nossas penas diárias
Público
Reacção à demissão de Henrique Chaves
Morais Sarmento: "Temos sempre pena" da saída de um membro do Governo
"O ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Morais Sarmento, disse hoje no Parlamento que "tem sempre pena" quando sai um membro da equipa do Governo, mas escusou-se a comentar os argumentos da demissão de Henrique Chaves."
Cheios de penas nos levantamos, todos os dias na Tribulandia.
A estranha forma de acarinhar na Tribulandia
Público
Primeiro-ministro reage a críticas internas do PSD
Santana diz que Governo é um bebé que precisa de ser acarinhado
"O primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, comparou hoje o seu Governo a um bebé numa incubadora a quem os irmãos mais velhos dão "uns estalos e uns pontapés", mas que precisa ser acarinhado."
Mas que sorte a nossa. Quando crescerá? E será acarinhado com estalos e pontapés? Quanto mais me bates mais gosto de ti?
Domingo, Novembro 28, 2004
As novas e velhas "elites" da Tribulandia
Público
O "Grito"
Por ANA SÁ LOPESPÃO & ROSAS
" O prof. Cavaco lançou o "grito", ontem no "Expresso". É o "grito de alarme" contra a situação, o "grito" de ruptura com o PSD no poder, o grito do Ipiranga da sua candidatura presidencial em oposição a Santana Lopes que, há quinze dias atrás, no congresso choramingas, o desafiou a definir-se sobre Belém.
Até aqui havia indícios, evidentemente. O prof. falava aqui e ali, em tom catastrófico, sobre a economia nacional; defendeu Marcelo Rebelo de Sousa (por quem nunca morreu de amores) contra o governo de Santana Lopes; em pleno congresso social-democrata, apanhado em Madrid, confessou-se desiludido com o rumo da vida política; esta semana mostrou-se crítico para com o Orçamento e com o rumo traçado para a economia.
Mas agora vem o "grito" berrado no "Expresso", o "grito de alarme sobre as consequências da tendência para a degradação da qualidade dos agentes políticos", o grito para que "as elites profissionais acordem e saiam da posição, aparentemente cómoda, de críticos da mediocridade dos políticos".
Onde já vai o desencanto. Falta saber qual o grau de responsabilidade das tais elites profissionais que acabaram por nos conduzir a esta situação. Mudaram assim tanto o país?
O que significa a paz neste nosso mundo?
A que chamamos paz?
Mais uma vez Arundhati advoga a ação: se falharmos em resistir, corremos o risco de permitir que a idéia de resistência seja sequestrada
Arundhati Roy, Sydney Morning Herald
Leia mais em português aqui
Estatísticas amorosas
JN
NBC mostra amanhã Diana a falar de sexo
"A princesa Diana de Gales queixou-se da frieza sexual que sempre lhe mostrou o príncipe Carlos, numa cassete vídeo gravada no âmbito do treino de voz a que se submeteu e que é divulgada segunda-feira pela estação americanaNBC.
A princesa, que morreu em Agosto de 1997 num acidente de Paris, lamentou-se "Nunca me pediu que fizéssemos amor".
Diana confessou que no matrimónio só costumava ter relações sexuais de pura rotina, uma vez em cada três semanas, e adiantou que só se viram 13 vezes antes do casamento em 1981."
Uma amostra estatítica interessante para os contos de fada.
A descoordenação na Tribulandia
JN
Ministro demissionário critica Santana Lopes
Primeiro-ministro não comenta saída de Henrique Chaves do Governo
"Henrique Chaves acusou hoje Santana Lopes de não lhe ter dado "oportunidade de exercer qualquer função ao nível da coordenação do Governo" como ministro Adjunto, no comunicado em que anuncia a sua demissão do Governo.
"Convidado para Ministro Adjunto, nunca me foi dada oportunidade de exercer qualquer função ao nível da coordenação do Governo, própria das funções inerentes a esta pasta", pode ler-se no comunicado em que Chaves se demite de Ministro da Juventude Desporto e Reabilitação, cargo que assumiu quarta-feira."
Coordenação não é necessária e muito menos uma pasta para a juventude e o desporto. Quanto mais improvisado melhor.
A democratização das jóias na Tribulandia
Tendo em vista a democratização das jóias, a Lili Canecas abriu um canal na cabo para deliciar as novas ricas e introduzi-las no mundo do "glamour", sentindo-se entre os príncipes e as princesas do inefável mundo dos olás. Assim a fina lata da nossa sociedade já pode usar, pagamento em módicas prestações mensais, colares, anéis e pulseiras que as tornarão semelhantes à apresentadora. A não perder.
As boas palavras da Tribulandia
Público
Cavaco Alerta para Empobrecimento de Portugal Até 2006
"O ex-primeiro ministro Cavaco Silva alertou para as previsões recentes da Comissão Europeia, segundo as quais, Portugal "vai continuar a empobrecer até 2006", caso não haja se não houver uma alteração da política económica.
As declarações foram feitas à margem de uma conferência, no Porto, sobre "Os Desafios da Economia Portuguesa", promovida pela Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE)."
Até concordamos com o teor do alerta mas como se costuma dizer depois da casa roubada, trancas na porta ou seja: de alertas tardios e de ausência de acção já estamos fartos. Para que serve a ciência teórica de muitos que com as rédeas na mão não controlam os cavalos (leia-se economia)?
Parvos há muitos na Tribulandia
Público
João Cândido da Silva
Uma legião de parvos
(...)
"O que mais surpreende, na sistemática tendência para ceder a quem pode falar mais alto, é a incapacidade de quem governa para apreender os devastadores efeitos de desmoralização que os comportamentos ziguezagueantes provocam junto dos contribuintes. Recuos desta natureza, poucas semanas depois de o discurso ter enveredado por uma aparente firmeza e inflexibilidade, reforçam a mentalidade infelizmente dominante de que pagar impostos, em Portugal, é um dever exclusivamente reservado a uma legião de parvos, que vai suportando, pacientemente, as fragilidades do poder. Até ao dia.."
Depois não digam que não foram aconselhados. Todos sabemos os males mas teimam em repeti-los. Será por ignorância ou por desprezarem quem os elege?
A cegueira dos políticos tradicionais
Público
Antes Que Seja Tarde
Por HELENA MATOS
(...)
"Hoje, os políticos tradicionais não querem ver que criaram um sistema de justiça que se preocupa mais com os arguidos do que com as vítimas. E as vítimas estão longe de ser aqueles que vivem em condomínios fechados ou nos bairros da classe média. As vítimas são os velhos que vivem nas serras algarvias, ou a jovem mãe da Cova da Moura que prefere ficar com um filho doente em casa até que se faça dia, porque tem medo de sair à ruamal o sol desaparece. As vítimas são os pequenos comerciantes, os motoristas da Carris, os taxistas, os professores...enfim, seja todas aquelas pessoas que, pela natureza do seu trabalho ou pelos seus poucos recursos, não podem evitar locais e situações onde é muito provável que sejam vítimas de delinquência.
(...)
Medo é de facto o que sente perante tanta cegueira. Esta cegueira que nos obriga a fazer de conta que somos livres e que nos manda calar o medo em nome do politicamente correcto. Combater o fundamentalismo, dar mais segurança às pessoas, têm de ser causas dos partidos democráticos. Porque é a liberdade que está em causa. Ainda não nos corredores das faculdades, nem nos círculos do poder. Mas experimentem apanhar a carreira 46, ao anoitecer, e ouçam o que aí se diz. Antes que seja tarde.
Anda tudo muito entretido com o boa vai ela. Os cidadãos são peões de um tabuleiro onde interesses alheios os vão movimentando, adormecendo uns e aldrabando outros.
A solução para os buracos da Tribulandia
Público
"Porto Vivo Vai Ter 'Site' na Internet"
A estrutura da "Porto Vivo" está montada?
Será muito pequena, matricial e polivalente. Teremos uma área de planeamento urbanístico, de licenciamento e uma componente jurídica forte que vai ser decisiva em termos de lançamento de concursos, expropriações e registos de propriedade. E também terá que haver uma forte comunicação com a cidade.
Como é que essa comunicação será feita?
Vamos criar um "site" na Internet, onde serão colocados todos os estudos disponíveis e que poderá funcionar como fórum de discussão. Depois haverá colóquios, conferências e debates, até porque os documentos estratégicos têm obrigatoriamente que ser discutidos com proprietários e residentes.
A descoberta da pólvora no burgo. Finalmente na Internet a solução dos problemas da cidade.
Cuidados a ter nas cozinhas
Público
Notícia da Mulher Que Deixava a Comida Esturricar
Por ANA SÁ LOPES
(...)
"Mas os alucinados juízes do Supremo convocam outras (más) condutas da vítima para justificar que se atenue a pena pelo estrangulamento. Fica a saber-se que em Portugal 2004, é atenuante do crime de homicídio o facto de uma vítima ter "deixado algumas vezes esturricar a comida que confeccionava".
Para além dos desastres na cozinha, a estrangulada "chegou a sair e a chegar a casa de noite; ia tomar café a um estabelecimento de cafetaria e não deu conhecimento ao arguido de uma deslocação""
Ficamos sem palavras.
Sexta-feira, Novembro 26, 2004
Os incentivos à investigação na Tribulandia
JN
Massa cinzenta recebe incentivos
"Setenta investigadores assinaram, ontem, um protocolo com o Ministério da Ciência, Inovação e Ensino Superior para a utilização de dez mil euros, em dois anos de pesquisa nas suas instituições."
Vai longe a massa cinzenta com o valor dos incentivos. Mais receberiam se pensassem com os pés..
Um espectáculo deprimente
Moita Flores diz num programa especial sobre o vergonhos caso "Casa Pia" que existirão cerca de 130 crianças que foram objecto de violência sexual, segundo dados dos psiquiatras, mas que só 32 estarão relacionadas neste julgamento, sendo 9 as apontadas como vítimas de 6 arguídos. Mesmo descontando os casos prescritos e os que ainda estarão a ser objecto de investigação, parece sobrarem muitas vítimas sem possíveis violadores. Esperemos o que o futuro trará. Para já a vergonha nacional é um grande espectáculo...
As relações perigosas da Tribulandia
Em Clube de Jornalistas
Cortar o mal pela raiz
José Mário Costa, Jornalista
"1. No seu parecer sobre o chamado “caso Marcelo”, a Alta Autoridade para a Comunicação Social recomendou que os assessores respeitem um período de quarentena antes de voltarem ao jornalismo. É uma orientação que releva do mínimo bom-senso e da mais elementar regra da decência; e que só tem sentido face aos níveis a que chegámos em Portugal no vaivém despudorado entre a informação e os seus antípodas. Pode ser um princípio - repito, sério e da mais cristalina evidência -, mas insuficiente, se quisermos cortar pela raiz o mal que tem definhado a credibilidade desta profissão que começa a concorrer seriamente com aquela que se diz ser a mais velha do mundo."
...
Concordamos inteiramente, até para salvaguardar o prestígio e dignidade dos bons profissionais. A não ser assim cada vez teremos mais "produtos" de um marketing que naõ se distingue da publicidade e da propaganda.
O estranho mundo das notícias na Tribulandia
Ontem vi um programa da 2 "Clube dos Jornalistas" onde era discutido o tema das "Centrais de Comunicação", estando presente um representante da respectiva associação profissional "APECOM", um jornalista do Público com funções de direcção e um "pivot" da televisão. Depois de muita explicação do carácter "inofensivo" dessas agências que não interferem com a liberdade de informação ou com a independência dos jornalistas ficamos a saber que:
- As agências se limitam a aconselher e a defender a imagem dos seus clientes sendo para isso necessárias "boas relações" com os jornalistas. Representam grandes empresas mas, segundo afirmou, o seu representante não compram a publicidade que tão necessária é aos jornais pela sua limitada tiragem.
- Que os acessores de imprensa dos políticos e do poder eram na sua maioria jornalistas que deixam os jornais por "gostarem" das pessoas de que vão defender a imagem. Que quando saem de adjuntos voltam aos jornais.
- Que é frequente a oferta de presentes e, nomeadamente, a oferta de viagens para aumentar o grau de empatia com os ofertantes e facilitar as relaçõoes.
- Que existe um submundo opaco de relações entre jornalistas, poder político e empresas,tendo o subdirector do `Público" apontado um misterioso desaparecimento de notícias sobre um caso a partir de certa altura.
-Um entrevistado externo ao programa disse que não devíamos ser anjos e acreditar que não existem pressões sobre os jornalistas e relações de dependência.
Em suma, muito do que lemos já vem encomendado e embrulhado da maneira mais conveniente. As necessidades económicas tocam a todos e alguns serão permeáveis a aceder a ofertas tentadoras quanto mais não seja pelo "gosto" de estar junto dos poderosos.
Aqui há tempos alguém escrevia que se devia acreditar na imprensa e não acreditar dos blogs. Que eu saiba os blogueiros não costumem ser convidados para viagens ao Brasil ou à neve para conhecerem melhor quem quer que seja...
Terça-feira, Novembro 23, 2004
Precisamos de sensibilização?
JN
Campanha contra a violência doméstica
"A campanha "Diga Não à Violência Doméstica", da Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres (CIDM), foi ontem lançada em Lisboa, e conta com personagens como o Capuchinho Vermelho para "informar, sensibilizar e prevenir"."
Já que a educação, o carácter das pessoas e a sociedade não conseguem resolver o problema talvez o "Capuchinho Vermelho" consiga.
Toca a desmembrar o ensino superior na Tribulandia
JN
Bolonha obrigará Portugal a desinvestir no Superior
"Oprocesso de Bolonha vai implementar uma espécie de "quotas educativas", em que Portugal perderá face aos países europeus tecnologicamente mais avançados. O alerta foi lançado, ontem, no Porto, pelo director do Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior (CIPES). Alberto Amaral revelou existir uma "agenda oculta" de Bolonha, que reduz tudo a uma questão de competitividade económica do espaço europeu.Diminuir os custos com a mão-de-obra e os encargos do Estado com o Ensino Superior são os objectivos principais a atingir.
Não podia ter sido mais cáustico. Não fosse a conferência do ex-reitor da Universidade do Porto, e aquilo que pretendia ser uma mera sessão solene de entrega de diplomas e prémios na Faculdade de Economia do Porto não se teria convertido no fim das ilusões da assistência sobre as reais finalidades da criação de um espaço europeu de Ensino Superior (processo de Bolonha).
Para Alberto Amaral, "o que está por trás de Bolonha são os problemas dos salários europeus muito elevados, agravados pelo que resta do sistema do Estado Providência, os quais prejudicam a posição da Europa no novo sistema de competição económica global".
Só faltava mais esta para enterrar mais o ensino superior. O mais barato deve ser encerrar as universidades e colocar no mercado oferta de trabalho não qualificada. Para o sector turístico deve servir.
Grande festa por pouca coisa na Tribulandia
Público
A Central
Por JOSÉ VITOR MALHEIROS
É sabido que a política vive do simbólico - o que se costuma traduzir pela expressão "em política, o que parece é".
Apesar disso, convém não perder de vista que o veto do Presidente da República ao decreto regulamentar que criava o Gabinete de Informação e Comunicação, vulgo Central de Comunicação, arrisca-se a não ter praticamente nenhuma consequência em termos práticos.
Bem nos parecia que a festa era demasiado grande para tão poucos foguetes. Chegaram agora as preocupações dos gastos excessivos.
Economia social de mercado (?)
Público
Constituição Europeia e "Europa Social"
Por VITAL MOREIRA
(...)
Em primeiro lugar, as políticas da UE devem ser agora prosseguidas à luz dos novos princípios fundamentais da nova Constituição europeia (se ela for para a frente), onde se contam expressamente os objectivos de "justiça social", de "progresso social", de "pleno emprego", de "desenvolvimento sustentável", de "combate contra a exclusão social", entre outros (art. I-3º). Não é por acaso que no novo texto o modelo económico da UE passa a ser designado por "economia social de mercado", uma antiga expressão de origem alemã que pretende justamente marcar a diferença entre o chamado "capitalismo renano", que incorpora o modelo social europeu, e o capitalismo liberal de matriz anglo-saxónica, especialmente o norte-americano. A não ser que se pretenda afastar a economia de mercado, em favor de qualquer economia "socialista" planificada, a nova noção constitui um evidente progresso sob o ponto de vista da "Europa social".
Mas que palavreado tão bonito. E que grande defensor da economia de mercado. O problema é que uns se encaixam melhor no mercado do que outros, sobretudo os convertidos. E das palavras à realidade vai um grande salto...
Devagar se vai ao longe na Tribulandia
JN
Actividade económica continua a abrandar
Adelino Meireles
"A economia portuguesa continua a abrandar. De acordo com a síntese de conjuntura do Instituto Nacional de Estatística (INE), o "indicador de actividade económica abrandou, no seguimento da tendência que se regista desde Junho passado". O indicador em análise caiu para 1,8% no terceiro trimestre de 2004, quando no segundo trimestre deste ano estava nos 2,3%."
O povo é sereno e devagar se vai ao longe.
Não há mal que sempre dure na Tribulandia
RTP
Media: Governo vai repensar racionalização de meios, Morais Sarmento
(...)
"Temos de encontrar formas de, seguindo até essa preocupação do presidente da República, garantir racionalidade na utilização de dinheiros públicos", acrescentou Morais Sarmento, que falava em Lisboa à margem da apresentação da campanha "Não à Violência Doméstica".
Finalmente. Até que enfim uma preocupação vai dar lugar a uma procura e esperemos a uma solução.
Segunda-feira, Novembro 22, 2004
A criatividade na Tribulandia
A nossa publicidade tem anúncios muito criativos. Um que ouço na rádio sobre a compra de uma casa que deve ser grande, na opinião da mulher, esta diz ao marido ou companheiro que assim poderão lá meter cães, isto e aquilo e até aquele móvel grande que herdaremos da tua mãe. Pobre mãe cuja morte servirá para justificar a compra de mais espaço. Tem ou não um toque de subtileza e de criatividade?
Palavras leva-as o vento
JN
Declaração de S. José pelo multilateralismo
cimeira ibero-americana
"Multilateralismo, respeito pelo direito internacional e pelos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, cooperação com a América Latina. São estas as três apostas principais consagradas na Declaração de São José, assinada anteontem na capital da Costa Rica, no final da XIV Cimeira Ibero-americana. "
Mas que coisa tão bonita de ler. Esperemos os efeitos práticos.
Cão que ladra não morde
JN
Quimigal ameaça desviar investimento em Estarreja
"A empresa do grupo Mello vai aproveitar a visita do primeiro-ministro, Santana Lopes, hoje, para o alertar para a importância do complexo e da manutenção da refinaria de Matosinhos da Galp como um dos seus principais fornecedores de matérias-primas. Ao mesmo tempo, dará conta da intenção de aumentar a capacidade da fábrica, caso estejam reunidas as condições que entende serem necessárias - sob pena de deslocalizar o investimento para outro país.
João Fugas, administrador delegado da Quimigal, afirmou repetidas vezes dar prioridade a Estarreja - tanto que nos últimos cinco anos investiu 80 milhões de euros na unidade -, mas admite que estão em estudo países alternativos. "Cada vez temos mais condições para fazer investimentos fora de Portugal, para fazer unidades equivalentes à de Estarreja em qualquer parte do mundo"."
Mas que dinamismo e patriotismo. Vai, vai que já verás onde encontras tantas facilidades como aqui...
Toca a sair da realidade proporcionada na Tribulandia
JN
Ecstasy já não é uma droga de consumo marginalizado
Estudo feito em Coimbra detecta a diminuição da idade do primeiro consumo A busca do prazer e, sobretudo, de comunicação são as principais motivações dos consumidores
"Os jovens portugueses consomem cada vez mais ecstasy, começam cada vez mais cedo e fazem-no cada vez mais associando outras substâncias. Um estudo efectuado recentemente em Coimbra revela uma realidade que já não se circunscreve a ambientes e grupos específicos. Estendeu-se das tradicionais "raves" para ambientes fechados como discotecas e vai muito além da camada jovem, porque ajuda gente socialmente integrada a descomprimir da semana de trabalho. "Houve respostas de gente de 30 e tal anos"."
(...)
Tudo em busca do "prazer" e da "aprovação social", além de os jovens encontrarem no ecstasy uma forma de contornar "a fraca tolerância à frustração". É o famoso "love effect", a sensação de empatia que facilita a comunicação. "Como é que se conversa com música aos berros", questiona a investigadora, apontando o dedo a uma sociedade de consumo que insta à procura contínua e sempre maior da excitação e do prazer.
Por estes caminhos vai a tentativa de fugir à frustração causada pelos costumes desta nova sociedade de consumo. A acreditar em "Daqui a uns anos poderemos ter adultos de 40 anos com alzheimer", continuem a preparar a escravatura total do ser humana, fazendo de conta que não tem importância.
Acertar as contas é trabalho de manga de alpaca
Público
Provocações
Por ANTÓNIO BARRETO
(...)
"Nada o autoriza a dar por encerrada a austeridade. Não há sinais de retoma segura e sustentada. O emprego, o investimento, a produção, o défice, a produtividade, a balança comercial, o ritmo das exportações, o endividamento e a situação económica internacional apenas aconselham a que se mantenha o clima de severidade e rigor nas finanças públicas. Mesmo assim, contra toda a evidência, contra o parecer de instituições credíveis, contra as opiniões dos especialistas, incluindo muitos do seu próprio partido, Santana Lopes decretou o fim da austeridade. Com duas intenções. Uma, a de provocar o Presidente. Outra, a de se autorizar a gastar o que for preciso para tentar ganhar eleições. E o desgraçado país que viva as consequências da demagogia."
O rigor nas Finanças Públicas impulsionará, por si só, a economia? Concordamos com apreciação, em geral, mas vem-nos à ideia uma pessoa com poucos rendimentos que se limita a cortar na despesa para equilibrar as contas e não faz o mínimo esforço para ganhar mais com trabalho e imaginação.
Há retomas e retomas...

Domingo, Novembro 21, 2004
Venda de créditos para a habitação
Notícia no "Expresso"
BES conclui securitização
"O BES concluiu uma operação se securitização (venda de créditos) de Euros 1,2 mil milhões de crédito para a habitação no mercado internacional. A operação foi liderada pelos bancos de investimento ABN, AMRO, Lehman Brothers International e Espírito Santo Investimento."
E siga a rusga.
A inversão dos papeis na Tribulandia
"Tenho uma visão muito crítica de todas as alterações que sejam feitas para comodidade do Fisco, como é o caso da inversão do ónus da prova"
Paulo Pitta e Cunha, presidente da comissaõ de Reforma Fiscal enre 1984 e 1988, "Diário
Económico" 15/11/2004
Num país onde tanta coisa anda invertida nada é para admirar. O inocente tem que provar que não é culpado. Certamente, alguns serão sempre inocentes...
O comodismo económico da Tribulandia
Todo o mundo se preocupa com o défice orçamenta e se esquece de outras variáveis tão ou mais preocupantes para a situação do país. Segundo o Boletim Económico de Setembro do Banco de Portugal que, segundo o "Expresso" tanto irritou o governo, o país encontra-se endividado. O Défice externo poderá agravar-se mais de 60% este ano. As importações deverão crescer mais do que 8 (oito) vezes a economia. Assim. segundo o jornal, "a retoma das famílias e do investimento das empresas só provou que o país esta´cada vez mais dependente da compra de bens e serviços estrangeiros"."O Banco de Portugal repete várias vezes os adjectivos "surpreendente" e "anómalo" para classificar a subida das importações, que deverão crescer cerca do dobro do previsto no Boletim económico de Junho"!
Em resumo, a nossa economia está, seriamente, doente. O tecido empresarial deteriora-se e a nossa produção não consegue satisfazer as necessidades internas, grande parte de luxo excedentário, nem exportar o suficiente para gerar receitas compensatórias. E tudo isto com várias razões e premissas. Desde logo, a atitude dos nossos investidores e empreendedores, acolitados pelo sistema financeiro, virados para o consumo. Banca, distribuição e construção civil são grandes vértices desta economia. Se os primeiros não apoiarem o investimento, se os segundos se limitarem a incentivar o consumo de produtos externos e, como é sabido, ser difícil exportar construção, eis um conjunto de alavancas negativas, que juntas com o desinvestimento em educação e formação profissional, com uma saúde cada vez mais abandonada para a generalidade dos cidadãos, mais o luxo faraónico dos governantes, levarão o país a uma situação insustentável sem o recurso ao crédito externo. Assim, ficaremos cada vez mais débeis e dependentes. E como ficará a soberania? Onde param os verdadeiros empreendedores? Os construtores de riqueza através da produção? Será que apenas estaremos no mercado global com a mão-de-obra barata? Será que este povo se limita ao sonho do consumo fácil e perdeu o sentido da aventura e da competição? Esperemos que não.
Como será o futuro das famílias na Tribulandia?
No "Expresso", em título " Portugueses consumistas"
"Perdido por cem, perdido por mil é o lema dos portugueses este ano. Fartos de apertar o cinto, as fanílias decidiram ignorar a corda aop pescoço e voltaram a endividar-se para comprar melhores casas e carros melhores. É oóbvia a nova fúria consumista de bens duradouros. Quanto às casas, até Junho, a dívida contraída cresceu 12,7%, os novos contratos 16,5%, o montante do financiamento bancário 28,9% e o valor médio dos e

