quarta-feira, dezembro 22, 2004

A alucinação colectiva da Tribulandia

Público
O Monstro do Lago
Por PEDRO URBANO

Dos vários fenómenos de alucinação colectiva que vêm tomando conta do país descompensado, nada supera a despesa pública, o mais fantástico e perene símbolo das suas múltiplas incapacidades e disfuncionamentos. Nem mesmo a última versão do orgulho nacional, estado delirante de vaidade vazia, exibicionismo pindérico e mania febril, que todos os dias descobre mais uma razão para prolongar o ruidoso arraial de autocomemoração com que o país das maravilhas pretende, pateticamente, iludir a realidade e a angústia que lhe corrói a alma. Realidade, qual realidade? Bem se pode rir, a despesa pública, com o sentido da realidade de um país que quer, a todo o custo, acreditar em quimeras de glória e omnipotência e se esconde, com a sua mania das grandezas e o seu narcisismo ferido, por trás de uma fachada confusa de melancolia folclórica para atrair turistas e suposta humildade. Ninguém a vê, apesar da sua alarvidade, apesar de todos os dias se banquetear e lambuzar os dedos com os magros recursos do país, frente às câmaras de televisão, em directo para o jornal da noite.

Mais um a por a boca no trombone. Pelso vistos, a realidade já não é tão deconhecida.

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