Público
A Natureza do Mal
Por HELENA MATOS
"1. É verdadeiramente assombrosa a capacidade que temos de nos distrair do essencial e perdermo-nos com o acessório. O nosso ainda primeiro-ministro, furioso com os resultados das sondagens, propõe-se processar as empresas que as efectuam. Do mais que provável futuro primeiro-ministro, José Sócrates, cada vez se sabe menos o que pensa. E, contudo, ela move-se. Ou seja a política."
E o que faz correr Sammy? Então não andam todos atrás do mesmo?
Segunda-feira, Janeiro 31, 2005
Tudo se move para vender o produto
À procura da motivação política na quinta
Público
Um Dia de Campanha
"O que é que ontem se discutiu? Pagamento de impostos fora de tempo, credibilidade das sondagens e um parecer jurídico dado em condições eticamente discutíveis. Assim nenhum eleitor se mobiliza
Há momentos em que, mesmo perante o desânimo que suscita o que se vê à nossa volta, se sente vontade de fazer um discurso mais positivo e de "puxar para cima". De procurar elementos encorajadores na campanha eleitoral, de procurar nos programas eleitorais as suas boas ideias, de encontrar quem actue no espaço público com absoluta rectidão. Nessas alturas a realidade raramente nos surpreende: atira-nos logo com um balde de água fria para cima."
Estamos como o Diógenes de lanterna na mão. Afinal a quem pertence a quinta?
A concepção na Tribulandia
Público
"Não Me Concebo como Número Dois"
(...)
P. - Há pessoas que têm feitio para líder e outras que gostam de ser número dois. Não tem definitivamente feitio para ser líder?
R. - Não tenho, de certeza, feitio para ser número dois. Não me concebo como número dois, concebo-me como António Vitorino.
Cada um concebe-se como quer. Nova lei genética da Tribulandia.
A decadência da Tribulandia
A Tribulandia é um país tão decadente em matéria de valores e tão apodrecido que até para roubar se matam septagenários com requintes de malvadez. Parece até que não vão ao cinema estudar as técnicas de assalto menos violentas. É caso para dizer que até a marginalidade já não tem qualquer código de honra.
Todos os caminhos vão dar a Roma
Público
Em entrevista ao "Diário Económico", não afasta possibilidade de candidatura a Belém
Apoio ao PS: Freitas do Amaral diz-se vítima de agressão política pelo Governo
O fundador do CDS Diogo Freitas do Amaral queixa-se de ter sido "vítima de uma violenta e descabida agressão política" por parte do Governo na sequência do seu artigo em assume o apoio ao PS nas próximas eleições.
Estava-se mesmo a ver a trajéctória. De fundador da direita até à terceira via. Bom proveito. Os caminhos são idênticos.
Quando falam os senadores da Tribulandia
Almeida Santos, ao fim de três décadas como deputado, diz ao Público no sábado que as instituições e a prática política estão desajustadas da realidade. Ele «que foi um dos principais legislador da democracia lamenta a falta de valores na sociedade e o facto de se ter perdido o "prestígio da lei".» Diz o jornal que "Com a segurança e a maturidade de quem se sabe um dos pais do regime, Almeida Santos não se inibe de apontar as causas do que pensa ser uma crise alargada nas democracias representativas."
É caso para dizer que o seu exercício de "pai" é uma autêntica frustação. E foram precisos trinta anos para se dar conta que as instituições não funcionam e que os políticos são fracos por causa dos vencimentos! Boa desculpa. E porque vão os políticos para os lugares? É muito interessante ler a entrevista toda porque ela é representativa de todo um conjunto de diletantes intelectuais, bem instalados na vida, que continuam a consubstanciar na palavra aquilo que deveria ser acção. E ainda por cima, coitados, pouco agarrados ao poder. Valha-nos Santa Engrácia!
Quinta-feira, Janeiro 27, 2005
Um metro que não tem fim
Público
Faculdade de Medicina Quer Travar Obras do Metro em Frente ao S. João
Por ABEL COENTRÃO
A direcção da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto instou uma equipa de advogados a preparar uma providência cautelar, visando travar as obras da Metro do Porto junto ao Hospital de S. João. Segundo o director da instituição académica, José Amarante, a posição de força foi decidida ontem, depois de a Normetro ter entrado em terrenos pertencentes ao hospital-faculdade "sem autorização ou declaração de expropriação".
Esta obra megalómana e faraónica começa a dar que falar. Parece que quanto mais metros de túnel melhor, passem por onde passem. Este novo-riquismo com dinheiro alheio para construir ainda vai dar pano para mangas
A decadência que se propaga na Tribulandia
Público
O Silêncio dos Livros
Por EDUARDO PRADO COELHO
É extremamente triste assistirmos à decadência de uma livraria. Deixam de existir novidades, os livros amarelecem nas próprias estantes, são sempre os mesmos, mas o gerente vai fazendo uma lamentável dança da morte das espécies que subsistem, com o propósito de dar uma aparência mais vistosa. Mas há editoras que deixam de enviar livros porque têm pagamentos em atraso, e os vazios, atrozes, começam a aparecer. É um salve-se quem puder - uma paisagem de naufrágio.
E não é o que está acontecendo à cultura portuguesa em geral? Essa decadência corresponde ao silêncio das almas vazias de ideais e de ética, num acomodar das novidades quotidianas.
Imagens sem conteúdo na Tribulandia
Público
Crise de Representação
Por JOSÉ PACHECO PEREIRA
Os primeiros produtos mediáticos de uma nova geração política estão no poder dos dois partidos mais importantes. Hipervalorizando as emoções, a televisão deu-nos Santana Lopes, entre o comentário do futebol e o mundo das "caras". Hipervalorizando a imagem, a televisão fez de Sócrates o seu par, ou seja, seu igual. É verdade que ambos já existiam antes de serem "feitos" pelos "media", Lopes em particular. Mas o par, a junção que marcou o destino de ambos, foi feita na televisão, assim como a promoção que os lançou para os cargos cimeiros da governação.
E depois de transformarem as assistências públicas em "voyeurs" passivos algo mais interessa do que produtos fabricados e vendáveis? Os conteúdos são para meia dúzia e passam no canal2.
O norte é uma nação mas apenas para o espectáculo televisivo
Público
Portugal Sem Norte
Por LUÍS COSTA
A ampla divulgação e debate que tem suscitado o estudo sobre o poder de compra concelhio realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) não deveria ocultar o impacte mediático e político de um outro estudo, esse sim particularmente revelador e preocupante, realizado por um conjunto de investigadores da Universidade Católica Portuguesa, UCP.
(...)
E o que revela de especialmente novo e assustador a análise realizada pela UCP? Revela, entre outras coisas, que o Norte de Portugal - essa outrora mítica região de quem mais produz e enriquece com facilidade - se encaminha para um abismo aparentemente inexorável
O que mais assusta não é a falta de atenção que os prováveis vencedores das eleições dão ao tema. O que mais preocupa é que durante dezenas de anos este agravamento das condições económicas do norte do país e, em especial, da região do Porto, não teve qualquer acção dos detentores do poder político, empresarial e institucional da região. Vêm todos constatar, de novo, as misérias e mostrar intenções para o futuro. Tudo em nome do Futebol Clube do Porto que levanta no estrangeiro a imagem do país. Mas para a criação de riqueza os espaços geográficos e sociais são outros. Parece que até lhes convém a situação. Assim se ilude o povo.
Mais vale tarde do que nunca
Público
Metade das Pontes em Risco Ainda Carece de Obras
Por SOFIA RODRIGUES
Quase metade das 63 pontes que precisavam de uma intervenção urgente ainda não foi sujeita a obras de reabilitação por parte da empresa Estradas de Portugal (EP). Quarenta por cento destas obras de arte em risco já foram recuperadas.
Este é o mais recente ponto da situação sobre o plano de inspecção e recuperação de pontes e viadutos, lançado em 2001, que abrangeu o inventário das 5600 obras de arte existentes em Portugal, das quais 353 foram vistoriadas.
Vá lá que já foram vistas quarenta por cento e recuperadas. esperemos que não aconteça nada de grave nas outras para não haver mais choradeira tardia nas televisões.
Terça-feira, Janeiro 25, 2005
A telenovela dos debates
Público
Pré-campanha eleitoral
PSD aceita debate entre Santana e Sócrates na SIC, PS rejeita proposta
O PSD aceitou hoje a proposta da SIC para a realização de um frente-a-frente entre Santana Lopes e José Sócrates no Jornal da Noite, nos dias 2 ou 3 de Fevereiro, mas o PS recusou e insistiu num entendimento entre as várias televisões.
"O PSD aceitou a proposta da SIC, que considera muito equilibrada e abrangente", disse à Lusa o secretário-geral dos sociais-democratas, Miguel Relvas.
Tanta telenovela à volta dos debates. será que vão dizer algo de novo? A concordar com a expressaõ de EPC a política está cheia de "pobreza franciscana". Sempre o mesmo politicamente correcto para apanhar votos e lugares depois das eleições.
Segunda-feira, Janeiro 24, 2005
Os engenhosos neo-liberais da Tribulandia
Público
Redução do Investimento Público Vai Agravar Assimetrias Regionais
Por CRISTINA FERREIRA
A redução do investimento público nas regiões portuguesas mais pobres não contribui para a convergência do território e não contrariará a actual tendência de alargamento do desequilíbrio entre as zonas mais prósperas e mais deprimidas. A riqueza produzida pela sub-região mais pobre do país, o Vale do Tâmega, correspondia, em 2002, a 29 por cento do produto gerado na Grande Lisboa, que apresentava um rendimento por pessoa de 21.000 euros, o que traduz um PIB per capita superior à média nacional de 146 por cento e de 117 por cento em relação à União Europeia já alargada a 25 países. Estes dados estão a ser trabalhados pelo Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica Portuguesa (UCP). O economista João Confraria, da UCP, alerta para a necessidade de esbater as disparidades territoriais, com investimento público "reprodutivo", que se articule com as necessidades locais, assegurando efeitos duradouros.
E o que respondem a isto os crentes do equílibrio natural dos mercados? Deve ser bom para os que estão na região de Lisboa e mau para os outros. E a solução destes neo-liberais que quando em aflição de causa e sem soluções viram-se para os cofres públicos? Grandes descobertas. Merecem o Prémio Nobel da "La Palisse".
As soluções imediatistas da Tribulandia
Público
A partir de hoje
Lisboa: mais 144 camas para os sem-abrigo e tenda para refeições durante vaga de frio
A Câmara de Lisboa vai disponibilizar a partir desta noite mais 144 camas nos centros de acolhimento para os sem-abrigo e uma tenda com refeições quentes, que estarão disponíveis durante a vaga de frio esperada para esta semana.
Sempre que troveja alguém se lembra de Santa Bárbara...Pena que não seja mais vezes lembrada.
Domingo, Janeiro 23, 2005
O carreirismo na Tribulandia
Público
A Dança das Cadeiras
(...)
Os "media" nacionais atentos às mudanças na administração central, raramente se dão conta deste verdadeiro corrupio e frenesim que percorre o Portugal profundo. A nível distrital e concelhio perspectivam-se muitas das "danças das cadeiras", porque apetitosos os cargos de chefia de nomeação governamental que se operam nas direcções, delegações, institutos e administrações regionais e locais. Desde a saúde ao ensino, passando pelas florestas, pelo ambiente, pela segurança social, pelos governos civis, pelo desporto, pela administração dos hospitais, pelo centro de saúde... assiste-se a uma autêntica dança de cadeiras. Nem é preciso ter especial formação para o cargo de nomeação ou tão-só respeitar a lei e possuir o grau académico requerido.
É ou não é um país de carreiristas? E depois queixem-se só dos governos.
Utilidade para quem?
Público
A Traição do Pequeno Lorde
Por MÁRIO MESQUITA
(...)
O voto útil
Ao lembrar esta possibilidade de entendimentos pontuais com o PS, o partido de Paulo Portas não anuncia, afinal, nenhum cenário radicalmente novo, visto que tal situação já se verificou na época dos governos de António Guterres, baseados numa maioria relativa. Portas reforça, deste modo, o slogan central da campanha eleitoral do seu partido: o "voto útil".
Explicada deste modo, tal utilidade apresenta-se de uma forma dupla: poderá servir, no âmbito do acordo com Santana Lopes, para viabilizar novo Governo de direita, mas, noutro cenário eleitoral, aliás mais provável, ofereceria a possibilidade de acordos à direita, evitando que Sócrates ficasse dependente apenas das forças parlamentares situadas à sua esquerda.
Todos os arranjos são possíveis para se manterem na mesa do orçamento.
Público
Intolerâncias, Ainda
Por AUGUSTO M.SEABRA
(...)
"No "Guardian" da terça-feira seguinte, 13, Timothy Garton Ash publicou um texto notável: "Em louvor da blasfémia". "'Jerry Springer - The Opera' foi obsceno, ofensivo, blasfemo e foi inteiramente justificado que a BBC o difundisse, precisamente porque a sua obscenidade, ofensa e blasfémia não são usadas apenas para entreter mas para uma inquietante mensagem sobre a cultura popular da televisão ao estilo americano e o vazio emocional de uma sociedade atomizada em que, como se diz no refrão de um coro, a vida significa 'comer, defecar e ver tv'".
Estamos de acordo e não poderia dar melhor imagem do modernismo da Tribulandia.
Os telecomandos humanos da moda
Porque será que cada vez que vejo muita gente na rua, de telemóvel no ouvido me lembro do filme Metropolis de Fritz Lang?

Passatempos da Tribulandia
A esquerda vira para a direita. a direita fala como se fosse de esquerda. No final, todos aos abraços e a dividerem o bolo. O povinho tem o Herman e o Frota para satisfação do seu machismo latente (?). Nós, definitivamente, passamos o tempo com os Batatanetes e as peles esticadas das misses de trazer por casa.
Domingos da Tribulandia
Domingo e sol. Um país que anda mais devagarinho do que outros. Alguém me pode explicar porque quando ligo a televisão só me aparecem caras e anúncios parvos? Será que tenho algum vírus instalado de mau gosto e de vulgaridade?
Sábado, Janeiro 22, 2005
Por trinta moedas de ouro
Mais do que a ignorância ou a ingenuidade, a desonestidade intelectual causa-nos o maior dos fastios. Sabemos bem que no mundo actual o poder económico se sobrepôs a ideologias e políticas, assimilando o social no sistema do imperativo da comercialização do produto. Por esta razão o neo-liberalismo aponta no sentido da felicidade através da posse e do consumo em detrimento de qualquer valor filosófico ou ético. Os resultados, benéficos para uns e prejudiciais para muitos, estão à vista. A massificação faz-se por baixo e pela comunicação. Sabendo isto, não admira que técnicos sabedores e inteligentes e políticos que há trinta anos andavam de camisola vermelha para outro tipo de massificação colectiva se tenham rendido às prebendas do sistema e venham, sistematicamente, defender o indefensável. Com voltas e reviravoltas mentais aí estão eles, nas mesas redondas e debates a cumprir o seu papel de impressionar as faixas da população mais ignorantes. Eduardo Prado Coelho dizia há tempos que o sistema estava apodrecido mas aqueles senhores, a troco das cadeiras confortáveis onde os deixam sentar e das vivendas com piscina, vêm, amiudadamente, dourar a boneca. Têm sempre justificação para tudo. Mesmo para as desonestidades "legalizadas". Que lhes faça bom proveiro porque acreditamos que a história se encarregará de mostra a fibra de que são feitos.
O dinamismo do endividamento
JN
Economia abrandou mas venderam-se mais carros
(...)
Depois do ajustamento registado em anos anteriores, os particulares voltaram a hipotecar com mais dinamismo o seu rendimento, ao terem reforçado o recurso ao crédito para compra de bens que não habitação. Já a taxa de variação anual dos empréstimos a empresas diminuiu 0,33 pontos percentuais. Ainda assim, a recuperação das vendas de veículos comerciais pesados foi da ordem de 23,9% (contra uma quebra de 21% em 2003).
Pelo menos no endividamento há dinamismo. Não tomem precauções e qualque dia estão inteiramente penhorados a alguma entidade anónima.
Ideias inovadoras da Tribulandia
Público
"Choque de Gestão" Contra "Plano Tecnológico"
"O fundamental, para Portugal, é assumir a necessidade de um choque de gestão". Santana Lopes lançou ontem o "choque de gestão" contra o "plano tecnológico" do PS, durante a apresentação do programa de governo do PSD, que decorreu no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Acordaram tarde mas agora é que vai ser. Possivelmente, mais do mesmo como até agora. Depois da casa roubada, trancas na porta.
Reclamação cívica louvável na Tribulandia
Público
Uma Obra Pouco Consensual
Luís Filipe Menezes até já lhe chamou um "crime". O presidente da Comissão Executiva da Empresa Metro do Porto, Oliveira Marques, pediu o "consenso da cidade", mas o projecto da linha de metro da Boavista está muito longe de ser consensual, como se viu na semana passada numa tertúlia no Café Guarany. De tal forma que, esta semana, um médico reformado, Manuel Macedo Pinto, se atirou à tarefa de promover um abaixo-assinado contra a actual proposta e em defesa do eléctrico rápido, uma opção também acolhida por vários especialistas contactados pelo PÚBLICO.
Pelo menos temos discussão quanto às opções de buracos e de obras que nem sempre se justificam do ponto de vista do cidadão mas sim de outros interesses. Louvável a atitude do médico numa sociedade caracterizada pela apatia e o «está sempre tudo bem».
Um ausência de estratégia e um modelo gasto
Público
Estudo permitiu definir concelhos
Combate à Pobreza: Governo elege quase 200 concelhos para intervenção prioritária
(...)
"Letargia social e envelhecimento"
O Progride, continua, é "um instrumento importante e indispensável" para combater a pobreza ao nível micro, mas a verdade é que "não é suficiente para reabilitar economicamente e socialmente os concelhos" que apresentam mais problemas. Aí a estratégia tem de ser outra. Implica "soluções de maior alcance.
(...)
"Há, aqui, uma maior letargia social e um problema grave de envelhecimento da população. Houve países que deixaram o interior esvaziar-se. É um modelo. Em Portugal tem de se definir o que é que se quer dos concelhos do interior", defende Joaquina Madeira. Se a opção for pela reabilitação, tem de se conceber uma estratégia que envolva diversos actores económicos e sociais.
Soluções de curto prazo são necessárias mas mais importante é a inversão da tendência. E a estratégia do deixar andar não costuma dar bons resultados. Veremos o que se passa depois da atrasada descoberta.
Sexta-feira, Janeiro 21, 2005
A leitura como acto de criação
«E, embora à primeira vista a leitura possa não parecer um acto de criação, é-o num sentido profundo. Sem o leitor apaixonado, que, na realidade, é o complemento do autor e muitas vezes o seu mais secreto rival, um livro morreria. O homem que passa a palavra, aumenta não só a vida do livro em questão, mas o próprio acto de criação. Dá alento aoutros leitores. Encoraja por todo o lado o espírito criativo. Quer esteja ou não ciente disto, o que faz é louvar o trabalho de Deus. O bom leitor, tal como o bom autor, sabe que tudo nasce da mesma fonte.»
Os Livros da Minha Vida - Henry Miller
As mil e uma maneiras de cozinhar bacalhau
«Primeiro, quando as grandes empresas do Estado são privatizadas, pode não haver uma maneira honesta de valorizar os seus activos, e, o regime regulador e fiscal que prevalecerá retrospectivamente, poderá ser mal especificado. As incertezas do processo criam oportunidades para favorecer as pessoas corruptas que estão por dentro desse mesmo processo, com acesso a informação que não está disponível ao público em geral, fornecendo informação antecipada a troco de pagamento de luvas ou dando a empresas corruptas tratamento especial no processo de licitação.»
Corrupção e Governo - Susan Rose-Ackerman
O sobressalto positivo(?)
Público
Como crescer com Finanças
(...)
Perante a questão/tema "Como crescer com finanças públicas equilibradas" Miguel Frasquilho (PSD), Guilherme d'Oliveira Martins (PS), Pires de Lima (CDS/PP), Honório Novo (PCP) e Luís Fazenda (BE), não escondem que o país precisa de um novo modelo de crescimento, se bem que apresentem motivos bastante divergentes. Para Oliveira Martins, Portugal precisa mesmo de "um sobressalto positivo".
E já não andamos há anos em sobressaltos com as asneiras que eles têm feito?
O masoquismo político da Tribulandia
Público
Pior É Sempre Possível
Por MIGUEL SOUSA TAVARES
(...)
O lado positivo desta história é a constatação de que é sempre possível descer mais baixo no descaramento político. E que o que faz a força da democracia é o facto de ela ser o único sistema político em que o povo pode livremente votar contra si próprio.
Embora MST se refira no artigo à investidura de Bush, pensamos que a frase se aplica inteiramente à Tribulandia
Soluções em causa própria?
Público
Esta Lei Eleitoral Deve Ir para o Lixo
Por MARIA FILOMENA MÓNICA
Politica, filosófica e temperamentalmente, sou centralizadora. Num caso, todavia, o da lei eleitoral, a minha posição altera-se. Porque diante da urna, ninguém, melhor do que o próprio, sabe o que lhe convém. Há anos que os grandes partidos, com destaque para o PS, têm vindo a prometer a reforma da lei eleitoral, mas, chegado o momento, retraem-se. Em 2001, ainda ouvi alguns socialistas falar destes planos. Foi o que se viu. Hoje, penso que será necessário um maremoto político para que algo aconteça.
A regra da proporcionalidade, a interdição de candidatos independentes, a existência de grandes círculos, a confecção de listas pelos secretários-gerais - tudo coisas infelizmente inscritas na Constituição - têm de terminar.
Como será que os beneficiados do sistema o vão alterar? O monopólio da política está firme e de boa saúde como o apoio de alguns sectores económicos, do futebol e da comunicação social.
O que é preciso é fazer estudos
Público
O Ter e o Parecer
Por EDUARDO DÂMASO
O Estado gastou em 2003 qualquer coisa como 250 milhões de euros (50 milhões de contos) em pareceres de toda a espécie, desde jurídicos a estudos económicos. O número não deixa de ser surpreendente, por muito relativizadora da sua importância que possa ser a argumentação dos que defendam tal despesa do Estado.
Ainda gostaríamos de saber os resultados de tantos estudos e pareceres.
Resultados da Tribulandia
Público
Um Quarto dos Concelhos Portugueses Correm Risco de "Morte Social"
Por ANDREIA SANCHES
Regiões de Trás-os-Montes, Dão-Lafões e Baixo Alentejo marcadas por "situações graves" de analfabetismo e desemprego
Vinhais, distrito de Bragança, tem quase dois pensionistas por cada pessoa que trabalha. Em Penedono, nordeste de Viseu, o valor médio das pensões de velhice, invalidez e sobrevivência é o mais baixo do país: 163 euros por mês. A taxa de desemprego em Almodôvar, Baixo Alentejo, é de mais de 20 por cento.
Quais são as soluções dos entendidos da Sedes e dos estudos de diagnóstico?
Tudo se conjuga na Tribulandia
Um dos principais membros da Sedes, defende o aumento dos impostos para um lado e o não agravamento para outro. Ora aqui está mais um milagre da Tribulandia: a conciliação de posições contraditórias.
Toca a consumir com crédito externo
DN
País vai ter mais de cem novas lojas alimentares e 26 'shoppings'
Os 200 projectos de unidades comerciais aprovados pelas Direcções Regionais de Economia vão aumentar a oferta global em 30%, especialmente na área da distribuição alimentar. Um pouco mais de cem estabelecimentos correspondem a este sector, 26 dizem respeito a centros comerciais e os restantes são lojas de comércio especializadas, apurou o DN.
"Este aumento da oferta, estimado em 30%, vai desequilibrar o mercado, que já está estagnado em termos de consumo, e trazer efeitos perversos a nível de concentrações e fusões, podendo mesmo levar a encerramentos", afirmou ao DN José António Silva, presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP).
E quantas novas indústrias e empresas de tecnologia?
Quinta-feira, Janeiro 20, 2005
As campanhas eleitorais e o futebol
No telejornal da RTP1, mostram dois presidentes de grandes sociedades de futebol a afirmarem que os partidos devem incluir nas campanhas a discussão da situação do futebol. Aplaudimos vivamente, uma vez que a vida nacional se passa maioritariamente a discutir a bola. Aliás, não poderíamos ter nada mais entusiasmante. Deveria até, talvez, ser criada uma verba no orçamento para subsídios para aquisição de grandes vedetas e salvar assim a nossa maior indústria. E porque não jogadores e árbitros numa certa percentagem da assembleia? Assim ficaria tudo muito mais transparente.
As peças modelares de colagem ao sistema predominante
Público
Avisos
Por EDUARDO PRADO COELHOO FIO DO HORIZONTE
O documento da Sedes, apresentado por João Salgueiro em conferência de imprensa, é um texto de qualidade, denso, sereno e desdramatizador. Procura dar aspectos concretizadores a diagnósticos que têm vindo a ser feitos pela esmagadora maioria dos economistas. Num tom equilibrado e deliberadamente não "ideológico", é uma peça modelar de intervenção política. Dir-se-á que tem algumas ideias que pertencem ao pensamento liberal. Não devemos jogar com o fetichismo das palavras. Porque a esquerda, num processo de recuo, tem vindo a ceder à direita o que deveria ser um plano ofensivo e integrador por essa mesma esquerda.
Já nada nos espanta nestes pensadores. Mas porque carga de água anda ele a falar de economia? Duvido que seja para se colar aos tecnocratas que por aí andam por conta dos lóbis e mais não fazem do que governar o seu tachinho que não existe só na função pública. Essas peças modelares melhoraram alguma vez a situação do país? Ou chegaram agora vindos do Alasca?
A luta pela justiça e equidade é de todos
A maior colecção de discursos e sermões de Martin Luther King em Stanford University
"And we are not wrong; we are not wrong in what we are doing. If we are wrong, the Supreme Court of this nation is wrong. If we are wrong, the Constitution of the United States is wrong. If we are wrong, God Almighty is wrong. If we are wrong, Jesus of Nazareth was merely a utopian dreamer that never came down to earth. And we are determined here is Montgomery to work and fight until justice runs down like water and righteousness like a mighty stream."
Martin Luther King, Jr., MIA Mass Meeting at Holt Street Baptist Church, 5 December 1955
Os produtos na vida da Tribulandia
Como na vida actual da sociedade tudo é considerado um produto, às vezes, interrogamo-nos se não teriam impingido à Tribulandia um regime democrático fora de prazo, caduco e a cheirar a mofo que é distribuído por uma cadeia de incompetentes.
A justiça tarda mas aparece
Correio da Manhã
Entre-os-rios vai a julgamento
O Tribunal da Relação do Porto decidiu esta quinta-feira, levar o caso da queda da ponte de Entre-os-Rios a julgamento. Os magistrados deram razão ao recurso do Ministério Público, depois da primeira Instância de Castelo de Paiva ter concluído que não havia fundamentos para deduzir acusação.
Já não era sem tempo. Pelo menos a ver se no futuro há menos irresponsabilidade
Mudam-se os tempos, mudam as histórias

Políticos remunerados na televisão como comentadores
Ouça na TSF um jornalista estrangeiro falar de relações extremamente perigosas entre os políticos e a televisão
DIRECTO AO ASSUNTO
Portugal visto de fora
Portugal volta a ser tema de debate, desta feita «visto de fora», com jornalistas estrangeiros em Portugal.
( 14:56 16 de Janeiro 05 )
A indubitável leveza do ser
Aishwarya-Rai
Indignações da Tribulandia
Público
Presidente da ANMP reage às declarações do ex-Presidente
Autarcas desafiam Mário Soares a denunciar casos de corrupção no poder local
O presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Fernando Ruas, desafiou hoje Mário Soares a revelar os nomes dos autarcas corruptos que conhece, em reacção às declarações do ex-Presidente da República, ontem à noite, durante o programa da RTP "Prós e Contras".
"Faz-se muito elogio do poder local, mas passa hoje muita corrupção", afirmou Mário Soares, acrescentando que "o poder local tem sido responsável por muitas das coisas que se atiram neste momento contra o Estado. Isso tem de dar uma volta e os partid
