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quinta-feira, outubro 16, 2008

O segredo é alma da crise

Eles lá estão na TV: Silva Lopes, Macedo e Rendeiro. Discussão: crise. Que mais haveria de ser. Falam de regulação, da sua necessidade e de seus perigos. De menos ou demais. Macedo muito preocupado com o excesso de regulação do sistema financeiro que tão boa conta tem dados das nossa poupanças. Preocupado ainda com a palavra nacionalização (restos de um 25 de Abril para esquecer mas que lhes deu a oportunidade de saírem do buraco). Rendeiro explicando que os contribuintes vão ficar beneficiados com a injecção dos seus impostos nos bancos desfalcados e cheios de lixo tóxico! Claro que o dinheiro dos contribuintes serve para tapar buracos mas não serve para tirar o bolo aos que se desmandaram.. Silva Lopes, o mais esclarecido e decente intelectualmente, lá vai dizendo que o risco é elevado e que o prémio atribuído ao dinheiro emprestado se fosse atractivo não deixaria de interessar aos privados. A jornalista lá tenta levantar questões de coerência. Em vão. Estes senhores têm sempre umas palavrinhas no bolso para enrolar o cidadão. Empregam palavras difíceis mas explicam pouco. O segredo é a alma do negócio. É evidente que o jogo irá voltar ao normal, meia dúzia a puxarem os cordelinhos, os empregados políticos a passarem manteiga nos cidadãos e os de sempre a pagarem a crise.

domingo, setembro 21, 2008

Há crises e crises

Estivemos ausentes uns tempos. A crise já estava latente. Há tempos que vínhamos chamando a atenção para os perigos de um mercado que não é perfeito; encerra muitas virtualidades mas a mãozinha não funciona sempre, especialmente quando a loucura se apodera de gestores pouco escrupulosos e que transformam os mercados financeiros em autênticos casinos. Assim, as aplicações especulativas que alguns julgavam não afectar a economia de bens e serviços deram o que tinham que dar: incobráveis. E a bola de neve financeira começou rolar. Grandes instituições sem liquidez para solver responsabilidades, auxílio dos Estados (tão mal referenciados pelos privados em tempo de vacas gordas) agora transformados em salvadores, impostos para tapar buracos e muitos administradores e especuladores de bolsos cheios. Assim vai o mundo. Agora toca a apertar ainda mais o cinto dos que sempre o tiveram apertado. Sim, porque isto está para os que beneficiaram das asneiras e não para os que passaram a vida a ir para o trabalho e a regressar a casa. Pelo meio, muito futebol, telenovelas, gadgets (iPops e outros) e uma tribo de comentadores e de palhaços a enganar os tolos.
Quando já todos estiverem de joelhos, aptos a tudo aceitar e sofrer mesmo vencimentos de miséria talvez a economia se relance e nova especulação tenha oportunidade de arrancar...