Estivemos ausentes uns tempos. A crise já estava latente. Há tempos que vínhamos chamando a atenção para os perigos de um mercado que não é perfeito; encerra muitas virtualidades mas a mãozinha não funciona sempre, especialmente quando a loucura se apodera de gestores pouco escrupulosos e que transformam os mercados financeiros em autênticos casinos. Assim, as aplicações especulativas que alguns julgavam não afectar a economia de bens e serviços deram o que tinham que dar: incobráveis. E a bola de neve financeira começou rolar. Grandes instituições sem liquidez para solver responsabilidades, auxílio dos Estados (tão mal referenciados pelos privados em tempo de vacas gordas) agora transformados em salvadores, impostos para tapar buracos e muitos administradores e especuladores de bolsos cheios. Assim vai o mundo. Agora toca a apertar ainda mais o cinto dos que sempre o tiveram apertado. Sim, porque isto está para os que beneficiaram das asneiras e não para os que passaram a vida a ir para o trabalho e a regressar a casa. Pelo meio, muito futebol, telenovelas, gadgets (iPops e outros) e uma tribo de comentadores e de palhaços a enganar os tolos.
Quando já todos estiverem de joelhos, aptos a tudo aceitar e sofrer mesmo vencimentos de miséria talvez a economia se relance e nova especulação tenha oportunidade de arrancar...
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domingo, setembro 21, 2008
domingo, abril 13, 2008
Soma e segue
Miguel de Sousa Tavares escreve no Expresso
A nova ponte Chelas-barreiro não serve para nada. Isto é, serve para alimentar o lóbi das obras públicas, o mais poderoso do país, e a crença de que o Estado deve ser o motor da economia e o maisor cliente da mal chamada iniciativa privada.
Estranha política económica de um país que diz ter uma economia de mercado. Mais parece uma república soviética onde os altos dignatários estão ligados à construção civil.
A nova ponte Chelas-barreiro não serve para nada. Isto é, serve para alimentar o lóbi das obras públicas, o mais poderoso do país, e a crença de que o Estado deve ser o motor da economia e o maisor cliente da mal chamada iniciativa privada.
Estranha política económica de um país que diz ter uma economia de mercado. Mais parece uma república soviética onde os altos dignatários estão ligados à construção civil.
sexta-feira, março 21, 2008
Páscoa da nossa tristeza
Páscoa. Ovos e ramos. Alguns nem vêm flores nem ramos. Vêm os dias passar sem alteração nas suas vidas monótonas, tristes e pobres. Sempre foi assim, dizem agora os novos burgueses viajantes de Caraíbas e dos Brasia. Aviões lotados. Um pouco de sol para os lagartos do dia dia. Na verdade, eles são so afilhados do novo sistema de redistribuição que funciona do avesso. Apanhados entre a ignorância e a miséria, os que numca viajam a não ser nos passeios das juntas de freguesia, resignam-se nos bairros camarários ou de lata esperando que algo mude para melhor. Só que a maioria já apagou os registos da consciência e os seus risos não são de felicidade mas de autênticos alarves inconscientes. Um onda de estupidez, disfarçada de modernidade, torna os homens em objectos para gozo e satisfação dos eleitos dos fariseus. Assim, a Páscoa vem apenas simular algum espírito de humanismo sem substracto. É a economia, estúpido! Tudo se vende e tudo se compra, mesmo que não sejam amêndoas.
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