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domingo, junho 27, 2010

A formatação das mentalidades

Sem dúvida alguma, vivemos uma época em que a formatação da maneira de pensar atingiu o seu auge, mercê dos meios tecnológicos, sobretudo audio-visuais, e consegue alinhar os comportamentos de grande parte da sociedade em diversas matérias, desde a política até ao espectáculo desportivo (sobretudo o futebol), transformado em altar de novos deuses que nos impulsionam para a irracionalidade e descontrolo emocional.
Fala-se de uma crise económica e financeira como se se tratasse de algo inevitável e transcendente derivada de circunstâncias alheias aos poderes instiuídos e que as populações têm que pagar através dos impostos e da redução de rendimentos, sobretudo do trabalho e ainda da redução dos cuidados de saúde e da educação. Por outro lado, a máquina de intoxicação colectiva continua a injectar modelos de vida totalmente desfasados da realidade, imbuindo muitos de ideais de consumo e opulência que só existem para alguns. A crise é real para a maioria mas a alienação é total também.
Veja-se o que acontece com o campeonato do mundo de futebol que paralisa países em horário laboral. Veja-se pessoas adultas nos cafés e bares, vestidos da maneira mais estranha, aos gritos e a soprar vuvuzelas como se fossem crianças de jardim infantil. Alguém em Portugal sabia o que era uma vuvuzela antes da campanha publicitária? Mulheres adultas enlouquecidas pelas pernas e peitorais do Cristiano Ronaldo, promovido a símbolo sexual, aguardam horas e horas junto do hotel para o verem ao longe. Aliás para alimentar esta histeria colectiva, consta-se que as mulheres espampanantes que o acompanham são pagas para tal, criando uma figura de macho irresístivel e, claro, ajudando a vender os produtos que ele publicita.
Todos estes ganham milhões pagos indirectamente pelas populações no consumo dos productos que englobam sempre uma percentagem para a publicidade. Este endeusamento serve na verdade para ilusionar quem nunca ganhará a milésima parte daqueles rendimentos e, se calhar, flutua no mercado de trabalho ao sabor do emprego d curta duração.
A democracia que tanto enche a boca dos políticos, a maioria ignorantes habilidosos que fazem carreira sem outro esforço que não seja a sabujice, é na verdade formal e pouco a pouco se torna um regime totalitário onde a polícia política foi substiuída pela persuasão da propaganda e da continuação da política da manutenção da ignorância colectiva. Muitas vozes como o prémio Nobel Krugman se levantam contra uma política económica de desastre social que, na verdade, nada mais pretende do que eliminar uma parte da população e submeter a restante a condições de vida de miséria e de sujeição às condições laborais que beneficiem os detentores do poder económico. De uma maneira geral, vamos como os bois para o matadouro, entretidos a observar um monitor de televisão.
Haverá alguma solução? Acreditamos que sim pois a história demonstra que acontecerá algo que destruirá esta vivência ilusória de felicidade no caos.

domingo, setembro 21, 2008

Há crises e crises

Estivemos ausentes uns tempos. A crise já estava latente. Há tempos que vínhamos chamando a atenção para os perigos de um mercado que não é perfeito; encerra muitas virtualidades mas a mãozinha não funciona sempre, especialmente quando a loucura se apodera de gestores pouco escrupulosos e que transformam os mercados financeiros em autênticos casinos. Assim, as aplicações especulativas que alguns julgavam não afectar a economia de bens e serviços deram o que tinham que dar: incobráveis. E a bola de neve financeira começou rolar. Grandes instituições sem liquidez para solver responsabilidades, auxílio dos Estados (tão mal referenciados pelos privados em tempo de vacas gordas) agora transformados em salvadores, impostos para tapar buracos e muitos administradores e especuladores de bolsos cheios. Assim vai o mundo. Agora toca a apertar ainda mais o cinto dos que sempre o tiveram apertado. Sim, porque isto está para os que beneficiaram das asneiras e não para os que passaram a vida a ir para o trabalho e a regressar a casa. Pelo meio, muito futebol, telenovelas, gadgets (iPops e outros) e uma tribo de comentadores e de palhaços a enganar os tolos.
Quando já todos estiverem de joelhos, aptos a tudo aceitar e sofrer mesmo vencimentos de miséria talvez a economia se relance e nova especulação tenha oportunidade de arrancar...

segunda-feira, maio 12, 2008

Tapar o sol com a peneira

António Barreto, no "Público" de hoje, escreve sobre futebol e sobre um programa chamado "ALiga dos Últimos". Trata-se de um programa da RTPN que faz a reportagem dos clubes de futebol das divisões inferiores. A determinada altura escreve: "Não. O futebol também é do povo. Por isso se mostra o povo. Campos de terra batida, jogadores com quarenta anos e barriga proeminente, clubes carregados de dívidas e destreza desportiva mais ou menos nula. Jogos de nenhum interesse e de estética duvidosa. Por esse programa passam clubes que nunca ganham um desafio, que estão em vésperas de desistir e que por vezes têm dificuldades em alinhar o numero adequado de jogadores.
...
Não sei porque carga de água, o programa é hoje de culto. Os urbanos gostam e deliciam-se. Dizem-se ali boçalidades cruas. Toda a gente bebe cerveja a mais. Aquelas brincadeiras de bairro ou de aldeia aspiram agoa o momento de glória que lhes é trazido pelo facto de os novos dirigentes da RTP teram passado o programa para a RTP1, às 21H00 de sexta-feira...
É uma hora de autêntico desprezo social pelos aldeões, pelos provincianos, pelos pobres, pelso gordos, pelso mais velhos, pelso ignorantes e pelosa analfabetos."


O que encontramos de engraçado neste artigo do intelectual é esta separação entre este tipo de futebol e o chamado de Liga de Honra, onde se exibem as vedetas. Se pensarmso bem o tipo de público é o mesmo, descontando os políticos, os ricos, as madames e os pseudo intelectuais que têm sempre uma predilecção clubística para se identificarem com o povo. Será que ele nunca foi a um estádio de futebol e tem apenas uma imagem idílica do que se lá passa? Será que nunca ouviu os palavrões, a idiotice de gritar golo quando a bola passa a dez metros da baliza, os saltos de autênticas molas, os apupos, as assobiadelas e o choro dos que acham que perdem? Será que nunca viu os adeptos aos abraços, os jogadores a apalparem o traseiro dos colegas e o ar parvo dos dirigentes e convidados muito compenetrados como se estivessem na ópera?
Este futebol é idêntico ao outro só que com mais mediatismo e mais elaborados comentadores que o tentam tornar ciência. Sr António Barreto olhe para o povo em geral e verá muita boçalidade nua ou disfarçada. Não é assim que o querem? Sublisso e disposto a carregar toda a vida uma miséria encoberta, na cauda da Europa, num país onde meia dúzia de manobradores e corruptos puxam os cordelinhos?

terça-feira, abril 08, 2008

Futebol português é uma mentira

JN
Pimenta Machado diz que futebol português é "uma mentira"
Apito Dourado “é um apêndice” que nada vai resolver, acrescenta o antigo presidente do Vitória de Guimarães

Pimenta Machado, antigo presidente do Vitória de Guimarães, afirmou hoje, no Tribunal de Gondomar, que o futebol português é "uma mentira" e defendeu que o processo de alegada corrupção "Apito Dourado" nada vai resolver.
"O futebol português é uma mentira. Isto (Apito Dourado) é um apêndice. São pormenores. Não querem resolver, querem é empolar o lateral", sublinhou, em declarações aos jornalistas à saída do tribunal.


Só os "céguinhos" não querem ver a verdade. A quem interessará esta mentira?

sábado, abril 05, 2008

Nada como ter o futebol a ajudar

"Este é um país de medos e muito desse medo foi inculcado por pessoas ligadas ao futebol"
Rui Santos
Record

E deposi digam que os mafiosos são sicilianos...

domingo, março 30, 2008

Uma telenovela sempre renovada

O governo baixa o IVA em 1% esperando palmas e elogios sem fim. Esquecem-se sempre dos aumentos anteriores bem mais substanciais, esquecem-se do aumento descarado do IRS, do congelamento dos salários dos funcionários públicos, da degradação dos cuidados de saúde, do desemprego provocado pelo desconcerto da política económica. Como dizia o outro, falam, falam e não dizem nada. Mas toca de preparar uma campanhazita política sem desagradar aos donos de Bruxelas.
Esperam ainda que a selecção de futebol ganhe o Mundial para que o povo esqueça todos os sacrifícios provocados pelo seu (e dos anteriores) despesismo sem fim. Automatizaram um povo, no doce embalar do consumismo e do egoísmo sem fim. Todos podem ser ricos sem trabalhar mas apenas alguns amigalhaços lá chegam. Ao fim e ao cabo a política rege-se pelas estratégias do Scolari, o tal que descobriu a árvore das patacas no cantinho à beira mar plantado. Seguem-se os presidentes dos clubes como ajudantes à missa. Sim, porque a ignorância de muitos tansos ajuda a tudo isto. Pensam que o Benfica ainda é o do tempo do Eusébio e esquecem-se que é um templo de negócios escuros. Aparvalhados por supermercados que só têm porcarias para entusiasmar a vista do parolo, gastando no que não precisam, comprando televisores que não cabem nas salas, dando telemóveis e outros gadjets que pouco enriquecem a vida,
esperam que os seus filhos sejam todos Ronaldos a pontapear a bola. A felicidade ao virar da esquina, tal euromilhões generalizado. Santa inocência.
A acompanhar tudo isto, uma série de gnomos comentadores de TV, falsos intelectuais, cuja verbe apenas serve para sustentar o status quo.
O rei vai nu...

domingo, abril 08, 2007

Uma mão lava a outra e as duas juntas governam-se

Escutas expõem teia de favores entre major, políticos e autarcasAs escutas do processo Apito Dourado não revelam apenas esquemas de eventual corrupção no futebol. Mais do que isso, no caso concreto de um dos principais visados, Valentim Loureiro, são demonstrativas da existência de uma complexa teia de cumplicidades e troca de favores envolvendo o futebol e a política ao mais alto nívelda governação. Isto tanto nas questões mais insignificantes, como em grandes negócios

Jornal de Notícias - Escutas expõem teia de favores entre major, políticos e autarcas