quarta-feira, dezembro 01, 2004

A grande risota da Tribulandia

Público
Ex-Presidente salienta peso de Cavaco Silva na decisão
Mário Soares considera que a dissolução do Parlamento era inevitável

"O ex-Presidente da República Mário Soares considerou hoje que a dissolução da Assembleia da República era inevitável e que o artigo de Cavaco Silva publicado no "Expresso" sobre a actual falta de qualidade na política deverá ter pesado na decisão."
(...)
Para Soares, Portugal estava a tornar-se "no riso da Europa", com "um Governo de improvisações, de falsos passos, de promessas erradas", opinião que disse também ser a dos portugueses que encontrou durante as suas deslocações pelo país.
"As pessoas riam-se deste Governo, diziam coisas inconcebíveis porque tudo aquilo parecia uma brincadeira", afirmou.

Não há dúvida que tudo tem sido uma grande comédia-trágica cuja parte trágica cabe ao povo enfrentar. E bem me parecia que teria havido uns empurrões para a tomada de decisão.

Tudo é um espectáculo dos ídolos na Tribulandia

Perante a situação de novas eleições, os comentadores reuniram-se na SIC Notícias para debater a situação e seu desenvolvimento. Passam o tempo a especular sobre as possíveis artimanhasdos partidos para conseguir votos utéis e das jogadas que os seus líderes podem fazer para conquistar o poder. Quanto ao que verdadeiramente interessa ao povo, de medidas concretas, nada. É assim que se pretende mudar a política neste país? A começar pelas inteligências pensantes, estamos bem aviados. Mais parecia um programa do preço certo.

A sida e o alheamento dos politiqueiros

Público
Educação para a saúde ainda não é prioridade
Sida: Machado Caetano criticou "grave alheamento" de políticos

"O presidente da Fundação Portuguesa A Comunidade Contra a Sida, Machado Caetano, criticou hoje, no Porto, o "grave alheamento" de muitos responsáveis políticos que continuam a não colocar a educação para a saúde e para a sexualidade como uma prioridade nacional."
(...)
"Em seu entender, "a pobreza, alcoolismo, toxicodependência e actividade sexual irresponsável associou-se ao grave alheamento de muitos responsáveis políticos que continuam a não colocar a educação cívica, a educação para a saúde e para a sexualidade como uma verdadeira prioridade nacional"."

Pois se eles olham apenas para a sua barriga e os votos só servem para lhes dar instrumentos de poder que muitas vezes não sabem usar!

Dia da Independência de Portugal

Comemoramos hoje o Dia da Independência de Portugal em relação à Espanha. Alguns nem se lembrarão do seu significado. Outros acharão que foi mau, vendo, agora, o nível de vida de muitos "hermanos". Outros já pensam em vender o que resta. Sinais dos tempos onde a bolsa conta mais do que a alma. De qualquer modo, este sentimento rebelde de independência cá ficará quanto mais não seja no nosso íntimo. Somos muito europeus e ibéricos mas primeiro do que tudo portugueses. E para os que não pensam assim a Tribulandia deseja-lhes muitas lentilhas.

Não queremos virar o disco e tocar o mesmo

O guberno caíu. Esperam-se eleições para a formação de um novo governo. Sem ainda se saberem as razões, o presidente, finalmente, tomou uma atitude e demorou menos tempo do que da outra vez, na qual andou aos ziguezagues. Esperemos que não se trate apenas de uma mudança de caras e que haja alguma alteração nas políticas que nos influenciam a todos e não apenas as que interessam aos amigalhaços. Claro que vamos passar pelo relambório dos comícios e quejandos mas esperemos que apareçam alguns homens de bom senso e bom carácter que alimentam a nossa esperança de dias melhores e mais tranquilos. Vai ser difícil, dado o grau de podridão que por aí vagueia. Mas, como dizia um comentador do blog, a esperança é a última a morrer.

terça-feira, novembro 30, 2004

Esperando recuperação?

Porto

Primeiro apodrecer, depois recuperar

Público
Construtores Civis Preparados para a Reabilitação da Baixa Portuense
Por NATÁLIA FARIA
(...)
"Rui Viana desdramatiza ainda a preocupação manifestada no sábado passado pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, que aludiu ao risco de a reabilitação dos centros urbanos se traduzir num reforço da presença dos ricos nesses mesmos centros e na consequente expulsão dos mais pobres para a periferia. "O que provoca a especulação é a falta de produto e a procura muito elevada. Não é o caso da Baixa do Porto, onde há tanta oferta de casas para recuperação e venda", argumenta aquele responsável, sublinhando que "a especulação é sempre um fenómeno que resulta da carência", não tendo lugar "sempre que a oferta for equilibrada com a procura"."

Primeiro criam-se condições para o despovoamento (tira-se habitação e fazem-se escritórios, deixa-se degradar os prédios para especular com os terrenos no futuro, tira-se o policiamento, deixa-se degradar as ruas, muda-se a sede das grandes empresas, deixa-se morrer a actividade económica e cultural, instalam-se shoppings dentro da cidade e espera-se. Isto durante anos e anos. Finalmente, descobre-se a pólvora que vai encher os cartuchos de muitos.

Compartilhar as penas e a maldição do Poder

Xornal
Santana Lopes
José Luis Montero
(...)
"Nembargantes, como foi un congreso de desespero, de almas en pena, falouse, algunhas veces, coo corazón e Santana Lopes, no seu discurso final, mencionou a famosa soedade do poder, a soedade do primeiro-ministro; soedade que só pode compartir coo Presidente da República... Soedade que provoca coo político de direita, Santana Lopes, e o político de esquerda, Jorge Sampaio, teñan que sentarse, ó son do crepitar dunhas achas, para contarse a suas penas... Cando escoiten estas verbas de compartillamento de penas e soedades, dado que son dado ó bucolismo, casquí me viñeron as lágrimas ós meus ollos, pero, como íso de chorar está feo, preferin pensar no leader do PSOE, Zapatero, e imaxinar esa cara de risa compartindo a sua soedade con alguén aínda que - neste caso, non se sabe con quen comparte esa "maldición" do Poder."

Cada vez ficamos mais tristes e choramos na Tribulandia...

A famosa estabilidade da Tribulandia

Público

Até Quando?
Por EDUARDO PRADO COELHO

"Pensava eu em falar de Jerónimo de Sousa e na velha alegria bolchevique, mas este Governo tem a virtude de nos surpreender todos os dias. Não há programação que resista. Se Jorge Sampaio queria estabilidade, está servido."

Mais outro que descobriu que a estabilidade só serve o imobilismo e o agarrar-se ao poder.

A queda livre da Tribulandia

Público
Sondagem da Universidade Católica para o PÚBLICO e RTP
Governo bate recordes negativos

"Um Governo em queda livre. Parece ser essa a percepção dos portugueses em relação à equipa de Santana Lopes, depois de analisadas as percentagens da última sondagem realizada pela Universidade Católica para o PÚBLICO, RTP e Antena Um.
Os maus resultados incluem mesmo alguns recordes negativos, com valores nunca antes atingidos em algumas das questões do barómetro. Nessa categoria está a pergunta relativa à própria actuação do Governo. 55 por cento dos inquiridos nesta sondagem consideraram a actuação "má" ou "muito má"."

O governo é o espelho do país e dos seus costumes. Nada mais do que isso. Possivelmente, mudarão algumas coisas para que tudo fique na mesma, como convém.

É época do grande circo na Tribulandia

O gigantesco circo da Tribulandia armou a sua tenda gigante e nela meteu montes de palhaços para animar a malta. Ele são os governantes teimosos, os intelectuais da justiça, os comentadores pseudo-desportivos, os narizes de Pinóquio e os malabaristas das semi-verdades. Todos juntos, bem pagos, actuam, conjuntamente, para dar um ar ridículo a tudo que deveria merecer alguma verdade. Assim, rindo se vai esquecendo a crise e quem mete os euros no bolso porque os que não os têm cada vez estão mais alienados. Para o grande final, teremos, certamente o presidente e o primeiro a chorarem abraçados.

Actividades intensas da Tribulandia

JN
Deco pede esclarecimentos sobre suspensão de telefone


"A Deco (Associação de Defesa dos Consumidores) vai pedir esclarecimentos sobre a suspensão do novo telefone fixo da Sonaecom, Optimus Home, na primeira reunião do conselho consultivo da Anacom (Autoridade Nacional das Comunicações), revelou, ontem, à agência Lusa o secretário-geral da Deco , Jorge Morgado.
Depois de três anos inactivo, o conselho consultivo do órgão regulador das telecomunicações, que integra representantes da Deco, da Anacom e dos operadores, reúne a 7 de Dezembro."

Ainda se lembrarão uns dos outros? Isto é o que se chama actividade.

A estabilidade pode ser o enterro do artista

JN
A estabilidade "não é um valor absoluto"

"João Salgueiro e Ferraz da Costa consideram que mais importante que a estabilidade política é a necessidade de serem definidas estratégias e objectivos a médio prazo, o que não está a ser feito. Questionados sobre os efeitos da última crise do Governo, criada com a demissão de Henrique Chaves, precisaram que a estabilidade não é um valor absoluto."

Até que enfim acordaram. A estabilidade muitas vezes só serve para mascarar a inacção pantanosa.

segunda-feira, novembro 29, 2004

As nossas penas diárias

Público
Reacção à demissão de Henrique Chaves
Morais Sarmento: "Temos sempre pena" da saída de um membro do Governo

"O ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Morais Sarmento, disse hoje no Parlamento que "tem sempre pena" quando sai um membro da equipa do Governo, mas escusou-se a comentar os argumentos da demissão de Henrique Chaves."

Cheios de penas nos levantamos, todos os dias na Tribulandia.

A estranha forma de acarinhar na Tribulandia

Público
Primeiro-ministro reage a críticas internas do PSD
Santana diz que Governo é um bebé que precisa de ser acarinhado

"O primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, comparou hoje o seu Governo a um bebé numa incubadora a quem os irmãos mais velhos dão "uns estalos e uns pontapés", mas que precisa ser acarinhado."

Mas que sorte a nossa. Quando crescerá? E será acarinhado com estalos e pontapés? Quanto mais me bates mais gosto de ti?

domingo, novembro 28, 2004

As novas e velhas "elites" da Tribulandia

Público
O "Grito"
Por ANA SÁ LOPESPÃO & ROSAS

" O prof. Cavaco lançou o "grito", ontem no "Expresso". É o "grito de alarme" contra a situação, o "grito" de ruptura com o PSD no poder, o grito do Ipiranga da sua candidatura presidencial em oposição a Santana Lopes que, há quinze dias atrás, no congresso choramingas, o desafiou a definir-se sobre Belém.
Até aqui havia indícios, evidentemente. O prof. falava aqui e ali, em tom catastrófico, sobre a economia nacional; defendeu Marcelo Rebelo de Sousa (por quem nunca morreu de amores) contra o governo de Santana Lopes; em pleno congresso social-democrata, apanhado em Madrid, confessou-se desiludido com o rumo da vida política; esta semana mostrou-se crítico para com o Orçamento e com o rumo traçado para a economia.
Mas agora vem o "grito" berrado no "Expresso", o "grito de alarme sobre as consequências da tendência para a degradação da qualidade dos agentes políticos", o grito para que "as elites profissionais acordem e saiam da posição, aparentemente cómoda, de críticos da mediocridade dos políticos".


Onde já vai o desencanto. Falta saber qual o grau de responsabilidade das tais elites profissionais que acabaram por nos conduzir a esta situação. Mudaram assim tanto o país?

O que significa a paz neste nosso mundo?

A que chamamos paz?

Mais uma vez Arundhati advoga a ação: se falharmos em resistir, corremos o risco de permitir que a idéia de resistência seja sequestrada
Arundhati Roy, Sydney Morning Herald

Leia mais em português aqui

Bola para a árvore do presidente da Tribulandia

Estatísticas amorosas

JN
NBC mostra amanhã Diana a falar de sexo

"A princesa Diana de Gales queixou-se da frieza sexual que sempre lhe mostrou o príncipe Carlos, numa cassete vídeo gravada no âmbito do treino de voz a que se submeteu e que é divulgada segunda-feira pela estação americanaNBC.
A princesa, que morreu em Agosto de 1997 num acidente de Paris, lamentou-se "Nunca me pediu que fizéssemos amor".
Diana confessou que no matrimónio só costumava ter relações sexuais de pura rotina, uma vez em cada três semanas, e adiantou que só se viram 13 vezes antes do casamento em 1981."

Uma amostra estatítica interessante para os contos de fada.

A descoordenação na Tribulandia

JN
Ministro demissionário critica Santana Lopes
Primeiro-ministro não comenta saída de Henrique Chaves do Governo

"Henrique Chaves acusou hoje Santana Lopes de não lhe ter dado "oportunidade de exercer qualquer função ao nível da coordenação do Governo" como ministro Adjunto, no comunicado em que anuncia a sua demissão do Governo.
"Convidado para Ministro Adjunto, nunca me foi dada oportunidade de exercer qualquer função ao nível da coordenação do Governo, própria das funções inerentes a esta pasta", pode ler-se no comunicado em que Chaves se demite de Ministro da Juventude Desporto e Reabilitação, cargo que assumiu quarta-feira."

Coordenação não é necessária e muito menos uma pasta para a juventude e o desporto. Quanto mais improvisado melhor.