segunda-feira, março 22, 2004

Distribuição de rebuçados na Tribulandia

Segundo dizia um amigo meu, de boas intenções estão as gavetas cheias. E tinha razão. Sobretudo no que se verifica na Tribulandia. Promessas e mais promessas. Realidades, agora, negras. Se e se ( muito gostamos do condicional) a economia nacional e a internacional recuperarem, a função pública terá aumentos superiores à inflacção, em 2005. Isto tudo com grandes elogios e compreensão para com as dificuldades actuais que aguentamos. É caso para dizer: -Bem fala Frei Tomás. Sonhem mas não planeiem gastar por conta. E se a China entra em recessão? Ou o Dubai? Razão para aumentos congelados. Ora aí está. A menos que estes países não façam parte da economia internacional.

domingo, março 21, 2004

Bom humorismo na Tribulandia

Se gostam de bom humor, vejam: Luís Afonso

A falta de canos na Tribulandia

No Publico: Um milhão de portugueses sem água canalizada em casa.
"as autoridades prometem ter pronto até Junho um inventário nacional de sistemas de abastecimento de águas que permita definir as carências da população." Segundo o reponsável do Instituto das Águas o inventário está a ser feito há cerca de dois anos! Fico abismado! Todos muito preocupados com as acessibilidades aos estádios, e um milhão de infelizes sem tomar banho, em casa, e sabe-se lá a água que bebem. Por isso dizem que temos uma saúde de ferro.Sem água, muitos de nós, não enferrujamos. Também admira que metendo muita gente água por todos os lados, ela seja desperdiçada.

Alegrias na Tribulandia

sexta-feira, março 19, 2004

Desenhos do dia do Le Monde

Para ver um cartoon interessante clique Dessins du Jour

Dia do Pai na Tribulandia

Hoje é dia do Pai. Dia de todos aqueles que enfrentando dificuldades, trabalho árduo, engolindo sapos, vão tentando dar o melhor aos seus filhos desde a subsistência até à educação. Nem sempre recompensados, vão pelo trilho do amor tentando assegurar um melhor futuro para os seus filhos. Eles são os meus heróis anónimos que não se vêm nos títulos dos jornais. Mas ser pai significa também, muitas vezes, ter a alegria de ser correspondido nesse amor que enche a sua alma da verdadeira felicidade. Amor que cada vez mais rareia na nossa sociedade materialista e que transforma tudo em objectos, quantas vezes inúteis. Dia de reflexão, também, para os que podendo simplificar a vida dos pais, nos capítulos da saúde, educação e equilíbrio social, pouco fazem para os ajudar nesses capítulos, contribuindo para uma sociedade de desigualdades assustadoras.

Mário Soares apela ao uso do diálogo

Mário Soares falou numa conferência sobre direitos humanos e com sentido humanista e político. Não resisto à tentação de reproduzir alguns extractos, aconselhando a sua leitura no Público.
"Segundo Mário Soares, "há hoje dúvidas no mundo inteiro e nos próprios Estados Unidos acerca da eficácia e da adequação da sua luta antiterrorismo, com a ajuda de outros Estados, até agora, o Reino Unido, a Itália e a Espanha".
"Quais são os objectivos Al-Qaeda? O que os motiva?", interrogou o presidente da Fundação Mário Soares, na conferência promovida pela Comissão Nacional dos Direitos Humanos, a que também preside, sugerindo se não serão "a pobreza, as dificuldades sociais e o desemprego" que levam muitos muçulmanos para as escolas corânicas."
"Questionado depois quanto à possibilidade de se entrar em contacto com os elementos daquela rede terrorista, Mário Soares respondeu ironicamente: "Se é o Osama bin Laden o responsável pelo 11 de Setembro, os Estados Unidos da América têm como falar com ele. Era amigo da família Bush".
""Na base de tudo está o conflito israelo-palestino", defendeu ainda, salientando a importância do "multiculturalismo e do diálogo entre religiões" para conseguir a paz e criticando a actuação dos Estados Unidos e da União Europeia nessa matéria, bem como o Governo israelita, que acusou de realizar "terrorismo de Estado". "A Europa e os Estados Unidos podem ter uma actuação distinta. O muro da Cisjordânia é um segundo muro da vergonha, uma regressão no direito na civilização, e as grandes potências têm de o condenar e não podem estar de cócoras perante um homem [o primeiro-ministro israelita Ariel Sharon] que se opõe ao terrorismo dos 'kamikazes' com um terrorismo de Estado, que é pior do que o primeiro".
Comentários para quê? Uma voz sensata e experiente ao contrário do paladino JPP.

Submarinos da Tribulandia algures no Mediterrâneo

quinta-feira, março 18, 2004

Quem atrás vier que feche a porta

No Público, "Governo permite aumento de emissões poluentes até 2008 -Plano de atribuição de licenças
supera reivindicações da própria CIP".
Viva o ambiente. Parece que todo o mundo esqueceu que os recursos da terra são limitados e que não poderá existir, indefinidamente, uma política de crescimento, sobretudo com indústrias poluentes. Agora percebo o interesse nas explorações em Marte.

Preocupações na Tribulandia

No Público anuncia-se: "Presidente promove Semana da Educação de 4 a 7 de Maio" e em sub-título "Jorge Sampaio apela aos jovens que se interessem pela política"
Não seria preferível apelar aos políticos para se interessarem pela educação e para não desinteressarem os cidadãos da política (jovens ou não jovens)?

Os comentadores de retaguarda da Tribulandia

Segundo o ilustre iluminado JPP, no "Público", "O que os terroristas querem saber é que da bomba resultou a fragilização do eixo europeu mais ligado aos EUA, o reforço do eixo franco-alemão, ou até a junção de Madrid à ligação Paris-Berlim-Moscovo e a consequente perturbação na coligação do Iraque. O que me interessa não é a análise espanhola, ou europeia, ou americana, é a análise da Al-Qaeda". Mais adiante, no artigo, JPP não se coíbe de dar conselhos à oposição: "Ora, o pior que poderia acontecer a Portugal e à Europa era termos Zapateros portugueses a acalentar uma nova forma de derrotismo, que é a melhor maneira de apelar às bombas.". Se não viesse donde veio o artigo, eu teria desatado à gargalhada. Primeiro o JPP fala muito em eixos o que me traz tristes memórias, na Europa. E como ele sabe muito de história e de grego, deve perceber. Depois admira-me que ele consiga analisar a Al-Qaeda, a menos que se meta a viajar à procura dos núcleos de terroristas existentes por esse mundo, qual peregrino em busca do fanatismo e que o seu gosto pela guerra o ajude a perceber aquele tipo de mentalidade.. Depois atreve-se a chamar imbecis aos nossos vizinhos alinhando na história que ele ganhou as eleições por causa das bombas em Madrid! Parece-me que o que lê, em grego, não é parecido com as análises de diversos jornais estrangeiros. E quem não é pela guerra é contra nós (onde já ouvi isto?). Termina bombástico: É guerra , é guerra. Ainda gostava de saber as guerras onde ele andou a combater.Porque não se oferece como voluntário para o Iraque? Estes descendentes mentais do maoísmo sempre me arrepiaram a pele. Que estariam agora a escrever se não tivesse vencido a democracia na Tribulandia?

Um olhar destruidor de corações

O meu começa logo a bater desalmadamente....de paixão

quarta-feira, março 17, 2004

Importante fórum sobre a Paixão na Tribulandia

Segundo um anúncio publicado no Diário Económico vai realizar-se em 25/26 de Março, no Centro de Congrssos de Lisboa um Fórum Nacional sobre "Futebol Gestão e Paixão - Lisboa '04. São oradores o Ministro Adjunto do Primeiro Ministro, o Secretário de Estado de Juventude e Desportos. o presidente da Cãmara Municipal de Lisboa, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, o presidente da Liga Portuguesa Futebol, o Presidente do Real Madrid, o presidente da Liga Espanhola Futebol, empresários e outras autoridades na matéria, de origem estrangeira. Primeiro, o título. Futebol Gestão e Paixão: que romântico ( gostei do aproveitamento do filme do Mel Gibson para o título, pelo marketing). Depois um Fórum Nacional cheio de estrangeiros. E por fim, venham dizer que não há fortes relações entre o futebol e a política...
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Do Trio de Zapatero ao rectângulo dos ilhas

No Diário Económico, um dos opinadores, João Paulo Guerra vem com uma peça fundamental para a nossa vida económica e não só. Trata-se, segundo o título de " O Trio dos Açores", de Zapatero querer tirar a Espanha do Trio dos Açores. JJG acha que era um quarteto. E diz que Zapatero não pode reescrever a história e manda-o ver as fotografias da época. Que sim que tomamos parte na decisão histórica da guerra contra o Iraque. Ou seja que o Triângulo dos Açores era um rectângulo. O nosso primeiro deve ficar-lhe muito agradecido por ele lembrar que também estava na fotografia. Isto de trios, quartetos, triãngulos e rectângulos è matéria muito complexa para mim. Ainda bem que os árabes não devem ler este tipo de crónicas. Livra!

Da identidade nacional da Tribulandia à confusão das elites

Numa mesa redonda sobre a Tribulandia e a globalização, a determinado ponto, um dos participantes expõe que a identidade cultural permanece no povo mas que as elites se encontam confusas, numa óptica de modernização acelerada, entendendo que vão ensinar o caminho ao povo. Falaram também da importância dos centros de decisão e que o poder se manifesta, internacionalmente, pelo "sentar à mesa". Mas este sentar à mesa exige, sobretudo, poder económico e uma conjugação como o sentido de identidade para definição de uma estratégia própria. Esperemos que as nossas elites saiam da confusão, não tentem copiar modelos e se adequem ao sentimento de identiidade nacional, ainda existente no povo.

Na Tribulandia sabe-se tudo, faz-se é pouco...

Segundo o Público, "O ministro da Educação, David Justino, considera que o relatório da Comissão Europeia, que atribuiu a Portugal a mais elevada percentagem de abandono escolar precoce da União Europeia - 41,1 por cento, bem mais do dobro da média comunitária -, "apenas confirma o que já se sabia". »
Se já se sabia, de que estamos à espera?

Uma imagem vale mais do que cem palavras

É só fumaça na Tribulandia

O meu primo treinador, que está no Afganistão, escreveu-me um postal a dar notícias e a tranquilizar-me quanto ao risco de um ataque à Tribulandia. Disse-me que conhecia um mercador de tapetes, muito bem informado que lhe contou não haver qualquer indício. Aliás muitos deles nem sabem muito bem onde fica a Tribulandia e já cá mandaram um espião, há anos, que se perdeu e foi parar a Ceuta; que pensam que nós somos uma vila espanhola, de pouca dimensão. Os os mais esclarecidos aprenderam cá o terrorismo verbal, o televisivo e o fiscal; que aprenderam muito com os nossos comentadores desportivos e estratego-militares; que adoram as nossa telenovelas e não perdem um episódio; que sabem muito bem que na cimeira só lhes demos o "tacho" e nada de decisões: que têm muito receio das claques como força de ataque e defesa; que os tribus já sofrem terror que chegue, no dia, a dia com os ataques ao ambiente; que nós já nos matamos uns aos outros nas estradas; que nos treinos deles usam todos camisolas com o nº 10;que adoram o mês de Agosto nas prais do sul, onde passam despercebidos e que, se um dia, a selecção deles jogar com a nossa, jogarão à defesa e não ao ataque, e utilizarão caneleiras reforçadas. Ainda bem.

terça-feira, março 16, 2004

Até quando a Educação vai ser parente pobre na Tribulandia?

Por diversas vezes, temos mencionado os problemas da Tribulandia na área da educação. Nunca é demais repetir o tema porque ele é fundamental para o futuro do país, ao contrário do que muitos vêm fazendo, já que pensamentos existem muitos. Algo vai mal no reino da Dinamarca e os responsáveis têm que assumir, por inteiro, as tarefas de inverter a situação. São anos e anos de repetição de fórmulas e mais fórmulas mágicas mas os resultados são os mesmos: medíocres. A Educação é para mim um dos ministérios mais importantes e exige para além do saber uma devoção especial. Tem que haver um super-ministro para a Educação. Tem que existir um forte diálogo com professores, alunos, pais e empresas. Joga-se o futuro do país nessa acção. E não me venham só com a percentagem do PIB aplicada na área em causa. Lembrem-se que as percentagens são traiçoeiras. PIBS e problemas destes nunca são iguais nos diversos países.

Comentador prevenido vale por dois

segunda-feira, março 15, 2004

A importância da opinião pública na Democracia

Segundo o Le Monde o principal responsável pela derrota do PP em Espanha é José Maria Aznar, considerando-a uma terrível derrota pessoal."O Partido Popular tinha um crédito de 5 a 6 pontos de avanço apenas há alguns dias.Depois de um primeiro mandato sem falhas, tudo mudou a seguir à maioria absoluta de 2000. Um jornalista escrevia que "Seu gosto pelo segredo tornou-se uma dissimulação, sua determinação, obstinação; sua contenção, a morgue de qualquer um que decide na maior parte das vezes solitário. Por diversas posições acabou num divórcio com a opinião pública: má gestão da crise da Galícia, crispação com os partidos nacionalistas moderados, crispação contínua com a oposição, acusada de traidora sempre que tinha opiniões diferentes, diálogo sindical cortado, domesticação de parte das televisões, ao ponto de ser denunciado pela União Europeia.Finalmente a sua participação na guerra do Iraque, com forte oposição da opinião pública."
Como mencionamos em post anterior, relativo ao trágico acontecimento de Madrid,não deveriam ser atribuídas culpas sem investigação e verifico, por notícia pós eleições, que Aznar se pôs a telefonar pessoalmente aos responsáveis dos grandes jornais para assegurar que a pista da ETA era u única pertinente. Diversos jornais sublinharam que chocados pelas declarações do governo,alguns serviços secretos espanhóis teriam ameaçado de fugas de informação sobre a realidade dos factos.
Ainda bem que a democracia funciona em Espanha. Pode ser que a Tribulandia aprenda a importância de existir uma opinião pública e que ela é indispensável ao funcionamento do sistema. Deixem-se do:-Isso é lá com eles!

Frase do dia na Tribulandia

Num enxerto de entrevista à SIC o professor Cavaco diz:
"O futuro, às vezes, não se consegue prever"
Só às vezes? Como eu gostaria de ter um modelo de prever o futuro, mesmo que, às vezes, ele falhasse.

Amizades que se rompem na Tribulandia

Eu não te acompanho mais hermano

domingo, março 14, 2004

PSOE ganha eleições na vizinha Espanha

Com 95% de votos escrutinados, segundo La Razón o PSOE de Zapatero ganha as eleições em Espanha o que não deixa de constituir uma surpresa e, certamente, alterará as linhas políticas de actuação dos nossos vizinhos.

José Luis Rodriguez Zapatero

Os impulsos duram pouco nos blogs da Tribulandia

O Desejo Casar fechou. Achei este texto interessante:
"Chegámos a uma serena conclusão: é altura de abalar. De irmos manifestar o nosso desejo matrimonial para outro lado. Cada um terá a sua justificação. Eu tenho a minha: este blog, tal como foi concebido no início, deixou de fazer sentido. E, para além disso, entendo a blogosfera como um espaço dinâmico. Um blog é fundamentalmente uma inquietação. Os blogs nascem de impulsos e, quando esses impulsos adormecem, o melhor é tomar a decisão de fechar o estabelecimento. Quem sabe para abrir outro (ou outros) na rua ao lado. Espero que abram, que vão surgindo todos os dias novos blogs, novas inquietações. O importante é que, enquanto estiverem online, mantenham a sua pulsão, a sua razão de ser. Termino com a mesma aspiração do post inaugural: desejo que este mundo solitário, trágico e cínico perca, um dia, o medo de casar (e que me convide depois para a festa). NCS # posted by Nuno : 7:52 PM".
Tudo o que nasce de impulso é como uma paixão. Queima e dasaparece. Embora muitos a blogar, cansaram-se. Esperemos que voltem com outas razões e vontade para serem mais duradouros.

sábado, março 13, 2004

A Igreja e as vítimas da crise económica na Tribulandia

Segundo o Público, a Comissão Nacional de Justiça e Paz (CNJP), critica fortemente a forma como, no discurso político, a crise económica é apresentada como uma "inevitibilidade, mas esquecendo as vítimas da crise, descurando aspectos como as políticas públicas e o apoio social".
"No entender de Manuela Silva (mulher notável, nota minha), esta situação "se não acordarmos a tempo para a exclusão e as grandes desigualdades", pode levar as sociedades a entrar "num plano inclinado de tensão, conflito e violência".
Eis aqui uma posição que merece o nosso inteiro acordo, porque vai muito para além do imediato e significa a posição de uma corrente convencer humanista que nos pode levar a refectir seriamente sobre o tema. A tecnocracia bem procura impor as suas regras analíticas mas não consegue convencer os verdadeiros técnicos e especialistas, mesmo de origem económica, que sabem que a Economia não é um ente abstracto nem uma ciência exacta, fria e cujos números são o seu único breviário. Assim nos distinguimos dos autómatos ao serviço dos cifrões anónimos.

Um novo dia na Tribulandia

No viva espanha, Miguel escreve "Novo dia. A noite terminou calma, apesar de tudo. Erguendo copos entre amigos para restaurar a fé no mundo e nos homens". Compreendo o desãnimo que muitas vezes se apodera de nós pela impotência de evitar males como o de Madrid mas a fé no homem nunca se pode perder, mesmo nos momentos dificeis. Sem essa fé, o mundo esvazia-se de conteúdo e a vida perde sentido. A esperança num amanhã de paz, de sã convivência entre culturas e costumes diferentes é um sonho mas a sua aproximação será uma realidade. Só assim se justifica a existência da sociedade. Hoje é um novo dia. De tristeza mas também de esperança.

Ainda os trágicos acontecimentos em Espanha

Foram impressionantes as manisfestações espanholas na sequência do massacre de Madrid. Milhões de pessoas, debaixo de chuva intensa, mostrando a cara e a sua indignação pela perda de 200 pessoas (até agora). Unidas pelo desgosto mostraram ao mundo o repúdio pela violência. Estivemos com eles.
Falando com algumas pessoas e vendo o blog Jóias da Coroa duas questões derivadas do trágico acontecimento se levantam: o aproveitamento político da moção suscitada e a atribuição de culpas. Parece-me profundamente errado transportar para as eleições de domingo as consequências do atentado, porque, fundamentalmente, não é de acreditar que qualquer dos principais partidos, com possibilidades de ganhar as eleições, não repudie e não se disponha a combater este tipo de acções e a proteger os seus cidadãos. Votar é um acto pensado e não uma emoção. Segundo porque não me parece que qualquer partido decente procure tirar partido duma desgraça deste tipo.Aguardemos a prova de maturidade que estou seguro vai aparecer em Espanha.
A segunda questão refere-se ao imediatismo da atribuição de culpas. Há que investigar e não apontar o dedo ao primeiro que nos surge à cabeça. A democracia e os seus princípios assim o exigem para sua dignificação.

sexta-feira, março 12, 2004

Povo de toda a Espanha nas ruas contra a violência

Cristo sempre escarnecido



Matthias Grunewald
Cristo Escarnecido, c. 1503
Munique. Bayerisch Staatsgemaldesammlungen, Alte Pinakothek

Terrível ignorância que provoca tanta infelicidade

Toda a violência é filha da ignorância. E não me refiro à capacidade para ler, interpretar ou para manusear matérias complexas. Refiro-me à ignorândia de sentir e procurar a beleza da vida. A ignorância de acreditar que nada existe para além dos aspectos materiais onde nos inserimos, e da satisfação do nosso ego por contraponto da necessidade de convivermos com o outro. Quando alguém faz mal a outros, alguns amigos meus dizem que essas pessoas não têm consciência. Não posso afirmar que seja verdade ou mentira mas tenho pena dessas pessoas. A sociedade também se vem mostrando na idade da pedra nas relações humanas, enquando tecnologicamente se encontra no século XXI. Desenvolve e incrementa padrões de agressividade em variadas manifestações e acredita que os espectáculos que celebram a morte são inócuos. A violência assume múltiplas e variadas formas desde a física, psicológica, moral, social, instituída e muitas vezes é aceite sem repulsa.Temos que fazer um esforço para acreditar na prevalência da vida e sonhar que um dia essa ignorância provocadora de tanta infelicidade desapareça. Atingiremos assim um estádio superior de vivência.Nada será demais para evitar formas extremas de violência como as verificadas agora em Madrid.
Hoje, amanhã e sempre serão dias de luta pela vida de todo o ser humano.

Solidariedade da Tribulandia com o Povo Espanhol

Sobre os inocentes cai o ódio da barbárie

quarta-feira, março 10, 2004

Profissões arriscadas da Tribulandia

Mercado a quanto obrigas

Segundo o Publico, "UEFA abre a porta a crianças capazes de participar no Euro"
"McDonalds corrige "lapso" após ter pedido ás câmaras para não seleccionarem deficientes".
Lapso? O mundo está, então, atolado em lapsos. E os serviços das câmaras também colaboram em publicidade?

A ténue diferença entre a teoria e a realidade

Segundo o JN, "Durão homenageia Língua Portuguesa"

"Durão Barroso terminou, ontem, um périplo de quatro dias em terras brasileiras. O primeiro-ministro português visitou a Estação da Luz, em S. Paulo, interface de transportes que se encontra em remodelação. Em Janeiro de 2005, deverá ser inaugurado naquela estação, construída por portugueses, um centro histórico-cultural luso, razão pela qual Durão considerou o espaço "um museu vivo de homenagem à Língua Portuguesa".
Olhando para o post anterior, é caso para dizer : olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço.

Coisas que não lembram ao diabo

Um amigo chamou-me a atenção para um artigo de Eduardo Prado Coelho que tem por título "A Matemática da Língua". Trata-se do ensino do Português em França. Embora o governo francês estivesse receptivo ao ensino da língua a partir das escolas primárias, Lisboa mostrou algum desinteresse relativamente ao assunto. A coordenadora do ensino do Português no básico e no secundário demitiu-se. E imaginem como foi substituída: por uma professora de matemática que não sabe francês! Leva um intérprete ao lado para as reuniões! A isto é que eu chamo promover o emprego.Tudo se aproveita, nada se deita fora (se for dos nossos).

terça-feira, março 09, 2004

Cromos há muitos na Tribulandia

Há dias no Público um antigo ministro da Educação escreve: "Abaixo o país dos cromos". Faz ainda referência à tolerância com os cromos que debilita a democracia. Qual democracia? A deles? A dos que se sentam à mesa do orçamento e é um fartar? Depois refere o caso do autarca de Marco de Canavezes, O Alberto J. Jardim e, para não ficar mal, um membro do seu partido chamado Orlando Gaspar que foi a eminência parda do PS Porto durante décadas (agora parece que retirado, finalmente). Refere ainda outros cromos televisivos como a Teresa Guilherme e o Herman. Concordo que são todos uns cromos e dignos do site Cromos. Só o que me parece é que existem muitos outros cromos nos partidos, alguns menos exuberantes e menos atrevidos, mas cuja conduta é muito perigosa para a democracia (verdadeira e não formal). Fazem-se de muito sérios e contidos mas passam a vida a tratar de tramar o povo, os colegas e tudo aquilo que lhes cheire a correcção e dignidade. Não nos esqueçamos desses que andam bem mais longe das páginas dos jornais e das televisões mas que são muito idênticos nos processos e nas atitudes.

Todos os dias são dia do ser humano

Ontem foi o Dia Internacional da Mulher. Hoje é o meu dia da Mulher. Amanhã e a seguir todos serão para mim dias da Mulher. Ontem vi um mesa redonda sobre o tema dos direitos e inserção da mulher em todos os aspectos da vida em sociedade. Todos mostraram a sua opinião, com mais ou menos clarividência, parecendo que se deve dar alguma coisa a todas as mulheres ( legislando?). Eu acho muito bem oferecer flores, sorrisos, carinhos, amizade, amor e tudo o mais que mostrar quão indispensável a sua companhia é e quanto marcam na vida de qualquer homem. Aliás, não concebo a vida (viver), sem ter a meu lado uma mulher. Tenho muitas amigas mulheres cuja sensibilidade, inteligência, carácter e conhecimentos muito me têm enriquedido. Penso ser uma falsa questão falar de descriminação em termos de um só sexo. Muitos seres humanos é que são descriminados pelas mais variadas razões, tanto femininos como masculinos. Sempre foi uma velha fórmula dividir para reinar. Homens e mulheres juntos têm que lutar contra todas as formas de injustiça e de desigualdade de oportunidades. Não escondam a floresta com a nuvem. E sobretudo, falem menos e actuem mais.

domingo, março 07, 2004

Grande Espectáculo na Tribulandia

Para festejar os sinais de retoma, evidentes para todos, o ministro da Diversão da Tribulandia, resoveu realizar um festival de música chamado "Rock sem Pio" a realizar no interior do país. Todos os consumidores terão entrada grátis desde que se desloquem para o local a pé, despoluindo o ambiente das serras. Estão já confirmadas diversas presenças, destacando-se:
-Os Depredadores das Autarquias
-Os Cambalachos
-Os Megasons da Casa da Música
-Os Sobreviventes da Expo
-Os Manda-Chuvas do Sistema com o famoso vocalista Dias da Tarracha
-Os Viajantes Eternos e suas lindas companhias


Será interpretada pelos Depredadores o êxito mundial "Xupo-te o Sangue"

O espectáculo será apresentado pelo famosos locutores Pimentinha do Saco, Ferreira Comes e pela
lindíssima modelo (nova versão) Cinhazinha Meu Amor.

Solidariedade na Tribulandia

Segundo informação de pessoal bem colocado,os funcionários da função pública, reformados, resolveram entregar uma petição ao ministro da Fazenda da Tribulandia, solicitando o desconto de 10% nas suas reformas para ajudar a custear as despesas com espectáculos do Euro, nomeadamente a inauguração, cujo custo por minuto ascende a 20000 contos (20 minutos 400.000), num gesto de rara solidariedade. O porta-voz dos beneméritos parece que declarou não lhes fazer falta nenhuma aquela verba, dado o alto nível de vida que estão gozando. Declararam ainda alguns que gostariam de se oferecer também para acompanhar os seus ídolos na final ou apanhar bolas.

Tavares Riquinho

Importante Congresso na Tribulandia

Esteve reunido, este fim de semana, o denominado grupo "Compromisso dos 300" que se tem dedicado, nas horas vagas, a aprofundar o desenvolvimento da Tribulandia. Após muitas horas de acalorada discussão, foi aprovada uma moção de recomendação ao parlamento para adopção das seguintes medidas urgentes, entre outras:
-Alteração da palavra República para Reprivada.
-Constituição de uma SAD, aberta a capitais internacionais, para a realização do Campeonato do Mundo de Futebol, com a criação pelo menos de mais 20 estádios.
-Criação de uma SA para gerir todo o património e em especial o sector do turismo.Extinção de várias Universidades e criação de novas dedicadas ao ensino do turismo.
O comunicado foi lido aos meios de comunicação pelo porta-voz Pedro Redondo Sofisticado da Graça e Bem-Vestido da Sorte da Boavida.

sexta-feira, março 05, 2004

A luta pela vida das crianças também deve ser globalizada


Hungersite

Maquiavel na Tribulandia

Maquiavel, nos seus conselhos ao Príncipe, faz a seguinte pergunta: “O que é mais importante? Que o príncipe seja virtuoso ou que o príncipe pareça ser virtuoso?” A ética responderia: “Que ele seja virtuoso, transparentemente virtuoso!” A esperteza política responde: “Que ele pareça ser virtuoso. O que o príncipe é, na realidade, deve ser protegido dos olhos por uma cortina opaca ..”

Futebol e hamburgers misturados na Tribulandia

Segundo o Público, "A Câmara de Lisboa já não vai aderir à inciativa lançada pela cadeia de restaurantes McDonald's para que fossem escolhidas crianças das escolas primárias das autarquias que são anfitriãs do Euro2004 para assistirem a um jogo do campeonato. Nessa selecção deveriam ficar excluídas as crianças com deficiência física ou mental. Uma circular assinada pela vereadora da Educação da Câmara de Lisboa, Helena Lopes da Costa, foi enviada às 98 escolas do primeiro ciclo da cidade a pedir a cada uma que nomeie entre os seus alunos dois que estejam interessados em assistir a jogos do Euro2004. Escolhidos os representantes de cada escola, as crianças serão submetidas a um novo processo de escolha, para serem seleccionadas apenas cinco, que deverão acompanhar os jogadores na entrada no relvado e depois assistir à partida."
A tendência da Tribulandia é associar tudo com o evento do Euro, desde a publicidade a serviços financeiros, cervejas, linguagem política, e outros slogans económicos. A esperança da maioria está em ganhar, a qualquer custo para justificar os recursos gastos e fazer a "malta" esquecer o empobrecimento da sua vida. Assim, não admira que os hamburgers tentem utilizar aas crianças para causar empatias junto da potencial clientela. O que admira são orgãos representativos das populações como as autarquiaas a dar cobertura a este tipo de publicidade quasi gratuita.Será que as autarquias já começaram a ser privatizadas? Pela mentalidade de alguns, não admiraria muito. Só que neste caso só interessavam crianças escorreitas e capazes de dar uma boa imagem. Deficientes não atraem clientela. Pelos vistos, o bom senso imperou na Câmara de Lisboa e desistiram da ideia.
Contratem modelos. Paguem e deixem-se de explorar os inocentes. Sejam empresários conscientes e responsáveis.

quinta-feira, março 04, 2004

Cidadãos da Tribulandia à procura da saída do buraco...

Afinal o modelo não é tão bom como o pintaram e pintam

Segundo o Público, "O ex-ministro da Economia Augusto Mateus alertou hoje que Portugal pode enfrentar um ciclo de dez anos de estagnação económica caso se mantenha o actual modelo de desenvolvimento económico". No seminário sobre "Desenvolvimento Económico e Social", promovido pela União Geral dos Trabalhadores (UGT), o antigo ministro do Governo socialista disse que "se nada se fizer, Portugal vai recuperar menos do que a Europa [nos próximos anos], o que significa uma década de estagnação económica".
Estagnados andamos todos há décadas. Assim como assim, já nos habituamos às caudas das estatísticas.

Algo que não se entende na Tribulandia

Porque só gostam de nós quando somos embriões?

quarta-feira, março 03, 2004

Sem futebol não se vive na Tribulandia

No Público, josé Manuel Fernandes escreve:
"Este fim-de-semana mostrou até que ponto a linguagem da política se resume hoje, sobretudo para consumo dos telejornais, à linguagem mais rasteira do futebol. Tivemos assim o PS a pedir que os eleitores mostrassem nas próximas europeias um cartão amarelo ao Governo, parada que o PCP, fiel aos seus pergaminhos, subiu logo para o pedido de um cartão vermelho.
Do lado do Governo, um dos políticos mais habituados a alternar entre os lugares públicos e os recintos desportivos, respondeu pedindo, por sua vez, novo cartão vermelho, desta vez para ser mostrado a toda a oposição. Mais: como se as europeias fossem um jogo de futebol, a coligação PSD-PP inventou o mais impensável dos slogans, "Força Portugal!"
Seria irrelevante se não fosse duplamente significativo. Significativo do empobrecimento da linguagem utilizada no espaço público e significativo da total desvalorização do carácter europeu das eleições de Junho."
Sem comentários...

Apresentação de novos equipamentos para árbitros da Tribulandia

Adepto da Tribulandia elegante e contido

Contenção e elegância na Tribulandia

No Público vem em Política uma notícia que se refere aos incidentes de futebol no Marco. A determinada altura refere: "O Presidente da República, Jorge Sampaio, defendeu hoje uma intervenção das autoridades para evitar incidentes no futebol semelhantes ao protagonizado pelo autarca Avelino Ferreira Torres, no domingo, em Marco de Canaveses. Já o primeiro-ministro, Durão Barroso, apelou a uma maior "contenção e elegância".
"Acho que não vale a pena falar mais de futebol. Eu gosto imenso de futebol, mas há coisas que de todo não comento. Mas acho que os responsáveis têm de fazer alguma coisa para que isto não se volte a repetir", afirmou o chefe de Estado".
Ora assim é que é. Contenção, desportivismo e elegância por um lado. Não falar mais em futebol, nem comentar. Tem que se fazer alguma coisa. Mas o quê? Já sei. Formação subsidiada em contenção e elegância. Ficamos todos satisfeitos.

Grande reportagem na TV da Tribulandia

Estava eu muito entretido a comer um bife e a ver o noticiário. Saiem-me uma série de entrevistas sobre o mercado paralelo de orgãos e corpos humanos. Quase me engasgava. E donde eram estes orgãos tão necessários para o estudo da Medicina nas escolas? Donde haveria de ser? Do Nordeste brasileiro. Os guardiães das morgues, a troco de uma moedas, cortam e abrem corpos de desgraçados que morreram abandonados. Ninguém se preocupa e havendo dinheiro o transporte faz-se sem dificuldades. Sem identificação, um intermediário, adepto dos mercados livres, quase seguro, dizia ao entrevistador:-Quer um cadáver agora? Dois mil reais. Só não dizia se já estava embalado ou se o ia desenterrar.Um figado? Um crâneo? Fiquei elucidado. Só nos resta uma reportagem sobre antropofagia.Se for moda, dada a loucura encoberta, é capaz de ser um sucesso.

terça-feira, março 02, 2004

A mania de coscuvilhar na Tribulandia

Na Tribulandia existe uma grande paixão (para além do pontapé na bola) que se chama coscuvilhive. O bisbilhotar das "comadres" e dos "compadres", varia de assunto para assunto mas quanto pior melhor. É assim como um talk-show permanente que, certamente, ajuda a preencher os momentos e a vida vazia que muitos levam. Notícias fresquinhas e mal-cheirosas são uma delícia para os pequenos ou grandes cérebros, enferrujados por anos e anos de uma cultura (?) e de uma língua que muito mal utilizadas. Claro que o pontapé na bola também não escapa e basta ver os títulos dos jornais desportivos: Fulaninho tem uma unha encravada. Possível rescisão do contrato.No vulgo, o F é cornudo, a T comprou umas calças novas, etc...
Tenho lido António Barreto, insurgir-se contra as escutas e a invasão da privacidade, mesmo por muitas e piedosas razões. A mim, parece-me, em larga medida, o Estado da Tribulandia a candidatar-se a Coscuvilheira-Mor, através dos simpáticos funcionários que gostam de mergulhar na vida alheia, com as mais "inocentes" argumentações.

sábado, fevereiro 28, 2004

Candidaturas na Tribulandia

A Tribulandia tem um sistema político que se alimenta de candidaturas, mesmo que depois venham a dar em nada. Temos que ter sempre um candidato pronto a enfrentar os desafios do poder. E quase sempre são os mesmos. A palavra renovação é coisa que não existe nesta democracia. Ainda diziam que o antigo ditador se agarrava aos lugares. Pelos vistos os actuais "candidatos" são todos discípulos do antigo ditador. Temos até casos de dezenas de anos no mesmo lugar e, o que se criticava, anteriormente, é agora louvado como prova de fundo. Até lhes chamam dinossauros. Porque não uma telenovela: "Os excelentíssimos Dinossauros"? Podem fazer as asneiras que quiserem. Ausentam-se um tempo, calam-se, dizem-se indisponíveis mas na hora H aí estão prazenteiros e sorridentes na fila da frente. E esta poderia ser a cena de abertura, com música apropriada. Talvez "We are the champions". Segundo a comunicação, um candidato ao Parlamento Europeu justificou a sua escolha pelo momento que o país e a Europa atravessam. Com o estado do país, presume-se a candidatura apropriada a desgraças.

Inventor das multas do lixo na Tribulandia

Direitos de autor na WEB e aplicação na Tribulandia

O "Expresso" de hoje refere o caso dos direitos de autor (Directiva Europeia) ainda não transposta para a Tribulandia e outros países. A Directiva da UE é considerada por muitos na Europa como um atentado à competição e à liberdade. A fipr (foundation for information policy research) alerta para muitos dos problemas que vai causar, não só na Web, e entre eles, destaco:

"Culture: there are many others who will lose out; for example, under the proposed directive, EU Member States will have to criminalise street music - except for musicians who limit themselves to their own compositions, or to the works of composers who have been dead for at least 70 years. This may improve the quality of the music on offer on the London Underground, but is hardly compatible with most people's idea of a free society."

Para os que se interessam por estas questões aconselho ainda ver os sites eurorights.org, BurnAll.Gifs e swpat.ffii.org

Feiticeiro governamental da Tribulandia em actividade

Flagelo que não existe na Tribulandia

Segundo o "Expresso", Silvio Berlusconi, primeiro-ministro italiano disse: "Há tantos senhores com casas na praia, na cidade, na montanha, com barco, e eu, vendo o que ganham e o que dão aos seus partidos, digo: como conseguiram tantas propriedades? Com dinheiro roubado".
Felizmente, na Tribulandia não existe nada disso.

Sono dos justos na Tribulandia

Ligo a televisão.O Presidente da Tribulandia discursa de papel na mão. Começo a dar atenção às suas palavras. Sairá alguma coisa de importante? A cãmera vai rodando pela assistência. Morna. Um assistente dorme o sono dos justos. Há sempre alguém que adormece, é normal. A cãmera continua a rodar e lá está mais um a dormir.Outros não se percebe se estão a dormir ou de cabeça baixa a pensar nas momentosas frases. Antes que adormeça também, desligo.Lembro-me de uma vacina contra a mosca do sono. Será o momento de revacinar-me?

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

Pó e nada mais na Tribulandia

Primeiro o homem fez a imagem para representar o divino e o não compreendido. Depois representou-se a si próprio para se assemelhar aos deuses.Distanciou-se dos deuses e construiu mundos de beleza.Chegou à imagem que já não representa nada. Acabou destruindo as máquinas dos fotógrafos.

Reflexões de um macaco na Tribulandia

quinta-feira, fevereiro 26, 2004

quarta-feira, fevereiro 25, 2004

Problemas com as prisões fora da Tribulandia

Ao passar pelo Le Monde vi indicado um site Prisons que me chamou a atenção. Retirei alguns dos trechos apresentados que me parecem dignos de menção:

"Je dédie aussi ce site aux familles de tous ceux et celles qui se sont suicidés en prison, soit une personne tous les trois jours en France. Le drame de ces familles n'est pas suffisamment pris en compte ; elles sont souvent écartées, sans connaître l'exacte vérité sur la mort terrible de leur proche."

"En ce premier janvier 2004, je dédie tout spécialement ce site à David ("Dadou"), 21 ans, qui s'est suicidé dans une cellule du quartier disciplinaire de la maison d'arrêt de Limoges, le 18 juillet 2003. Paix à son âme ! Il s'est donné la mort cinq jours avant son procès, car il ne supportait plus l'horreur de la prison et des humiliations. Une rubrique lui est consacrée (voir dans les rubriques plus bas en encadré rouge : vous avez la possibilité de télécharger une pétition), avec un lien vers le site de sa chère famille dans la douleur, à qui nous disons de tout notre cœur : prenez courage, nous sommes avec vous. P.A."

E trata-se de um país bastante mais civilizado...

Transportes à borla na Tribulandia

Segundo um responsável dos STCP serão reforçadas as carreiras de autocarros para o Estádio do Dragão entre as 17H00 e as 24, bastando apresentar o bilhete de entrada no estádio para viajar sem pagar. Ou os STCP estão muito magnânimos (mesmo com os prejuízos que apresentam) ou a UEFA abriu os cordões à bolsa brindando os adeptos com uma guloseima. Cá para mim pagamos todos. Já agora, se se verificou o primeiro caso, também gostaria de saber quando há bilhetes à borla para ir para a escola, aos museus, ao teatro ou ao cinema.

Mais uma vez o problema das prisões na Tribulandia

Segundo o Público a Ministra da Justiça explica em plenário a reforma do sistema prisional. Será incluído um anteprojecto de lei quadro para o sector das prisões. A Comissão de Estudos e Debate da Reforma do Sistema Prisional (Cedersp) presidida por Freitas do Amaral elaborou 31 recomendações(reparem na simplicidade do nome da Comissão!). Como o Código Penal de 1982 já incluía tornar a pena de trabalho a favor da comunidade em pena principal (agora recomendada) porque não foi já aplicada? Pela demora verificada (22 anos) fazemos votos que entre recomendações, anteprojectos, estudos, debates, plenários e afins não se gastem outros 22 anos. Talvez seja mais célere a deliberação se alguém mediático lá for parar...

Fim de festa na Tribulandia

terça-feira, fevereiro 24, 2004

A morte prematura dos blogs na Tribulandia

Tudo o que se Vê, lê ou escuta na televisão ou na imprensa é verdade. Este o grande axioma da matemática das ideias. Ora a experiência vem mostrando a fragilidade de tal preposição. As imagens podem ser manipuladas ou apresentadas de várias formas, as notícias podem ser lidas de maneira a alterar o sentido, a induzir outros diferentes, os entrevistadores e os entrevistados colocam muitas vezes em dúvida o afirmado, subtilmente, muitos jornalistas são sujeitos a pressões de vária ordem ou as aceitam de bom grado, há notícias de prebendas e, em princípio, numa sociedade materialista, ninguém é imune às necessidades de manutenção do seu emprego. Vem isto a propósito de várias notícias saídas, ultimamente,sobre novos modelos de expressão pública, nomeadamente os blogs. Vem JPP dizer que muitos jornalistas publicam nos blogs opiniões que não podem exprimir nos jornais, outras notícias informam que há chefes de redacção de jornais estrangeiros (New York Times) que dizem não gostar de blogs pessoais em termos do jornal, e outros pretendem saber antecipadamente da criação de um blog ou sobre escritos que possam geral conflito de interesse com posições do Jornal. Assistimos agora ao encerramento de alguns blogs bastante conhecidos. Estará tudo isto relacionado? Só haverá lugar a uma verdade oficial? Aquela que mais interesse divulgar? Será que assistimos ao aparecimento de uma censura mais anódina e sub-reptícia? Será que vivemos um mito de liberdade e um mito de democracia? Tememos que sim.

Carnaval do país irmão da Tribulandia

Graça, beleza e alegria... Que pena não estar lá para matar as tristezas...

País irmanado com a Tribulandia

Numa pesquisa na net encontrei este site quetrip.com com os seguintes Artículos:

c.. Solo en Panamá, si te robas un pedazo de pan para comer, demoran cinco minutos en agarrarte la policía, 10 minutos en llevarte a una autoridad, 15 minutos en condenarte por tres meses en la cárcel y sin fianza, pero si te robas 50 millones, existen testigos que te acusan de soborno, demoran un año en abrirte un proceso, un mes en admitirlo, seis meses para que fallen diciendo no hay pruebas, que pase a la corte y que la corte diga que archiven el expediente, encima te conviertes en una celebridad de la televisión y todos te celebraran tu gracia.

d.. Sólo en Panamá, basta que hayas sido mujer de un ex- presidente para ser presidente tu y sin tener ningun experiencia política.

e.. Sòlo en Panamá hay miles de personas graduadas en la escuela de comunicación de la universidad, pero basta ser bonito y estúpido para ser animador de televisión.


Pareceu-me estar na Tribulandia, sem nunca ter ido ao Panamá. Se quiserem ver mais, nesta época de Carnaval, visitem. Vale a pena.


Um carnaval europeu na Tribulandia

Resolvi ir a um baile de carnaval com a minha Lurdinhas. Eu vesti-me de cidadão europeu de 1ª e ela de executiva da União Europeia. Sinto-me muito bem dentro da fatiota (alugada), com a carteira mais recheada (salário europeu e não a miséria que recebo), gasolina mais barata, espectáculos de qualidade, possibilidade de ir passar férias ao Algarve, a preços de chart inglês, boas escolas para os meus filhos e cuidados de saúde impecáveis. A minha mulher vai poder impressionar com as peles que comprou, as carteiras de fina pele,a cultura que lhe ministraram e deixa de pagar os alimentos mais caros e passamos a a ter uma alimentação como deve ser. Os vizinhos ficaram cheios de inveja ao verem-nos sair porque, nem no carnaval, tiveram a ideia de escapar ao lodo da Tribulandia que os atola em dívidas. Aliás, avançamos, pelo menos, trinta anos de civilização. O problema é que na quarta-feira, chamada de cinzas, temos que devolver as fatiotas, largar o sonho e voltar à mediocridade da realidade. Mas valeram a pena os euros gastos no aluguer.

segunda-feira, fevereiro 23, 2004

S.O.S da economia da Tribulandia

Segundo o Público a Economia Portuguesa andou dois anos para trás. É isto a que eu chamamos progredir. Desaceleração do PIB, indústria estaganada, diminuição do ritmo de exportações, desemprego, etc. etc... Mas como o carnaval na Tribulandia nunca para, manteremos a máscara da felicidade, fazendo de conta que tudo vai bem. Será que os sábios mentores da nossa economia passam os olhos pelos jornais ou estão tão ocupados a olhar para o umbigo que já nem se envergonham desta situação? Talvez esteja pensando em conseguir algum subsídio para aumentar a riqueza disponível. Ou um milagre. Ainda seria a melhor solução.

Universo onírico de um colunável na Tribulandia

domingo, fevereiro 22, 2004

Algum bom senso na Tribulandia, finalmente...

Já por diversas vezes, em posts anteriores, manifestamos o nosso desacordo quanto à política do cimento e das obras faraónicas que tantos recursos têm custado à Tribulandia e que poderiam ser melhor aplicados, especialmente na educação e formação. Há tempos veio a União Europeia chamar a atenção do governo para aplicar menos dinheiro em obras e mais em formação de recursos humanos. Finalmente, no Público de ontem, Marques Mendes diz que é tempo de menos betão e mais formação. Defendeu ainda que a liberalização económica deve ser a regra na actual sociedade globalizada mas subordinada a uma forte regulação, porque o mercado não é perfeito.Me alegro porque, finalmente, parece que chega algum bom senso à Tribulandia (vamos a ver se se traduz em acção) mas triste, ao mesmo tempo porque já há muito que se deveria ter invertidoa situação. A ver, se de futuro, somos mais sensatos, preventivamente, e não nos deixamos embalar pelo deixa rolar.

Beyonce na Tribulandia

Vídeo para alegrar o fim de semana e em especial o JMT

sábado, fevereiro 21, 2004

Vozes e consciências da Tribulandia

Miguel Sousa Tavares escreve no Público de ontem : "Se algum dia Santana Lopes for presidente da República, eu, pelo menos, vou passar a ter vergonha de ser português. Quero ser bielorusso, apátrida, monárquico, anarquista, qualquer coisa, menos cidadão de uma República de que ele seja Presidente". Se o ponto de vista não deixa de ter a sua lógica, dado o caricato da situação, ele revela a ponta de um iceberg que vai rolando em muitas cabeças. E não só por causa das ambições do Santana mas por todo um conjunto de situações, que seriam de repudiar, em situações normais, mas que se tornaram companheiras do nosso quotidiano.E por tanto se repetirem, tornam-se normais e aceitáveis, de facto. Parece que a doença das vacas loucas se espalhou mais do que o estimado. Ouço muita e muita gente não concordando com o que se passa na sociedade da Tribulandia mas no fim encolhemos os ombros e seguimos adiante, como se nada fosse connosco. Fatalidade irreversível? Muito devem gozar os mentores deste descalabro com a nossa ingenuidade. Teremos que ir mais fundo? Creio bem que sim.

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

Janet Jackson bonita e integral na Tribulandia...

Um barco à deriva nos mares da Tribulandia

O barco guinando à esquerda, depois à direita. Endireita-se no centro e tomba de novo. Um enorme rombo no casco. Água por todos os lados. Botes de salvação rebentados. Bóias longe, na água. Sempre o mesmo comandante sonhador, lendo ditados antigos.O imediato sonhando com a namorada na amurada e enjoado. O oficial de máquinas jogando as cartas com os ajudantes. O motor trabalhando ao ralenti.Os marinheiros vendo a última telenovela. A tempestade se aproximando.Tubarões esperando as presas. Um pianista solitário tocando noturnos de Chopin. Um treinador brasileiro conta notas.Alguns jovens lançam-se à água. Um pregador exorta um pequeno grupo a preparar a eternidade. Um pessimista lembra que deveriam ter ficado em terra. Alguém, mais atinado, lança uma garrafa com um pedido de socorro.

quinta-feira, fevereiro 19, 2004

Retrato-robot de um tribu competitivo na Tribulandia

Procura-se frio, vazio, sem sentimentos nem valores. Múltiplas oportunidades de sucesso.

O circo na Tribulandia

Li hoje um artigo de José Pacheco Pereira do Abrupto no jornal Público com o qual não posso deixar de manisfestar o meu mais completo acordo. Diz a determinado passo que "O país quer circo e hoje dois espectáculos estão garantidos: o da política com Santana Lopes e o do futebol com o Euro. Dias grandes para a televisão. Muito circo, pouco pão."
Eu acrescentaria que não é só o Santana Lopes que dá espectáculo, embora reprove os seus métodos, mas muitos outros de deliciam nas acrobacias de um poder que não sabem exercer dignamente. Foram eleitos e durante o período do mandato fazem o que lhes apetece, sem qualquer benefício para a sociedade onde se inserem. Depois queixam-se da má opinião que muitos cidadão têm deles. Pelo menos, os que não ficam embasbacados com as suas piruetas. O futebol leva a reboque a política porque já percebeu as "paixões" que suscita em largas camadas, cada vez pior educadas, e mesmo com prejuízos avultados, continua na festança, à custa do orçamento e da televisão que também pagamos. Aqui temos os novos Coliseus de Roma, onde não faltam os senadores a partilhar a diversão com a plebe que outros motivos de alegria não tem.

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

O fadário dos buracos na Tribulandia

Segundo a imprensa, as empresas públicas da Tribulandia apresentam um buraco de 15 mil milhões de euros. Em causa estão empresas como a RTP, a TAP, a Carris, a CP, entre muitas outras. As culpas da situação são atribuídas ao próprio accionista, além de eventuais deficiências ao nível de gestão.Ora como o accionista é o Estado, representante de todo o povo,significa que iremos pagar as culpas, mesmo sem sermos atidos nem chamados. Se podemos aceitar que algumas delas sejam passíveis de prejuízos sistemáticos, por outro lado duvidamos muito da eficiência da gestão para minimizar os prejuízos ou equilibrar a gestão. Como são empresas públicas parece que o que há a fazer é gastar sem conta nem medida. Pode ser que a seguir sejam privatizadas e desvalorizadas para gozo de quem as comprar. Por experiência, já vimos gestores públicos conduzirem uma gestão desastrosa em empresas públicas lucrativas, quase as levando à falência, e depois de afastados irem governar outras semelhantes! Parece que na Tribulandia a incompetência também dá prémios. Como falta muito brio profissional, o que interessa é demonstrar a ineficiência do sector público por razões ideológicas e de interesse pessoal.Leva-nos até a pensar que todo o sistema se revê na ineficiência e no compadrio.

Cativeiro na Tribulandia

Antevisão de futuro na Tribulandia

Há dias conversando com um velho amigo da área das sociologias, trocamos impressões sobre os diversos flagelos sociais que atormentam a nossa sociedade: egoísmo extremo, falta de respeito pelo semelhante, descrédito da política, rebaixamento do nível cultural de largas camadas da população, competividade e trabalho exagerado de muitos jovens, ausência da valores afectivos (familiares e não familiares), ausência de perspectivas de futuro tranquilo, insegurança social e económica e muitos outros que todos vamos reconhecendo no dia a dia. Falamos ainda da descrença e da indiferença geral, do predomínio da diversão a todo o custo, do hoje como meta indiscutível de um viver fictício. O meu amigo a determinado ponto disse-me que nos encontramos no caminho do fim de uma civilização e ainda não sabemos o que a vai substituir. A princípio, não concordei, inteiramente. Mas pensando melhor, não deixei aceitar o seu argumento.E nos últimos dias, tenho vindo a pensar o que será e quando esse final se verificará. Penso que ainda demorará e que se irão verificar muitos acontecimentos antes disso. Uma certeza entra no meu raciocínio. Vamos pagar caro os erros cometidos, todos nós sem excepção. E de que tipo será a nova ordem social, económica e cultural? Não tenho respostas mas tenho receios.

terça-feira, fevereiro 17, 2004

Esperança de bom senso na Tribulandia

Ao passar os olhos pelos jornais e alguns blogs vejo a preocupação com a situação das cadeias da Tribulandia. Sendo um tema que, sempre, despertou a minha atenção (ver blogs anteriores) pelo que revela de insensibilidade colectiva e ausência de valores humanistas, congratulo-me com todos os que desejam uma melhoria concreta desta situação. Todas as vozes são poucas para impulsionar os responsáveis a actuar.
Vejo que também Bruxelas, através de orientação da Comissão de Reforma dos Fundos Estruturais da União Europeia, aconselha o Governo a gastar mais nas pessoas e menos em auto-estradas e a não concentrar os fundos, de maneira excessiva, em Lisboa. Não poderia estar mais de acordo. Esperemos que a posição de Bruxelas tenha sentido para o governo da Tribulandia e que este se faça de distraído para bem da nossa juventude, dos nossos trabalhadores e empresários e de todos nós. Só assim o país terá lugar entre as nações civilizadas do futuro.

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

Pesquisas na Tribulandia

Sábio da Tribulandia procurando estratégia de desenvolvimento em Marte

As soluções imediatistas de combate à criminalidade na Tribulandia

Na Tribulandia, ainda há quem pense e traduza em palavras raciocínios muito correctos. Refiro-me a um artigo aparecido no Público, de 14 do crt., assinado por Eduardo Dámaso como o título de "Criminalidade".Depois de enumerar os números apresentados pelo ministro da Administração Interna e de concluir que na verdade há um aumento não despiciente de criminalidade, havendo casos onde a polícia nem consegue entrar em bairros periféricos das grandes cidades, menciona e bem que este fenómeno não se combate apenas com mais policiamento. Fala sobre as raízes profundas desta deliquência e que se encaixam no tipo de sociedade que estamos a construir. Concordamos que encontram razões no desemprego e na desigualdade social, nas dificuldades económicas, na espiral consumista e na ausência de uma política educativa virada para a prevenção. As causas não se esgotam nestes factores, e não podemos deixar de acrescentar a macrocefalia das grandes cidades, o egoísmo como meio final de alcançar a felicidade, o estado das nossas prisões que em vez de reconverter, ampliam o fenómeno criminoso e mais grave do que isso o modelo de concorrência a todo o custo pela sobrevivência dos fortes (leia-se instalados) no topo da pirâmide, como alguns que andam reunindo, tentando ser salvadores de uma pátria que têm ajudado a afundar.

sexta-feira, fevereiro 13, 2004

Diferenças de competência de gestão na Tribulandia

Vejo na televisão uma entrevista com um administrador de uma multinacional alemã instalada em Portugal. Fala um português meio galego. Perante as costumadas perguntas sobre a crise económica e a realização de investimentos, o dirigente responde sensatamente sobre as medidas adoptadas para fazer face à situação e estou de acordo com a quase totalidade do que diz.O entrevistador pensa em grandes investimentos em imobilizado como símbolo de permanência e desenvolvimento e o estrangeiro em termos de formação efectiva e melhorias no dia a dia. Nada de grandes frases. Se fosse interactiva a sessão aplaudiria. A seguir vem um gestor tribu de uma grande empresa comentar. Frases feitas. Não precisava do comentador. Já o ouvi dissertar sobre centros de decisão e centros de competência e não disse nada de jeito.
Quando eliminaremos este handicap de competência? Penso que será muito difícil. Uns designam homens que sabem o que fazem e têm experiência. Outros fazem cooptação de apaniguados de seita.Depois admirem-se das diferenças de nível de vida.

Diálogo Norte-Sul na Tribulandia

quarta-feira, fevereiro 11, 2004

Recordação de reunião de sábios com barbas na Tribulandia

Salvadores da Tribulandia

Um grande sábio da Tribulandia, membro do grupo de sábios, disse que os centros de decisão económica podem estar algures, sem afectar a identidade cultural da Tribulandia. A continuar assim ainda vai ser citado em chinês.

Procura de candidatos na Tribulandia

Um diz que não é candidato mas que está preparado. O outro diz que pode ser candidato mas que ainda não esta´preparado.O outro diz que ainda é cedo para ser candidato quando o convidam a ser candidato. Outro sonha ser candidato se e quando parar de viajar e se esquecerem dele. O que lá está parece que julga ser candidato mas vai deixar de ser.Um que está preparado não vai ser candidato.Um que julga ser candidato vai viajar cheio de livros.Uns não são candidatos mas apoiam os outros e mandam. Milhões não são candidatos e vão pagar as contas.

terça-feira, fevereiro 10, 2004

As zangas das comadres na Tribulandia

Uma tragédia em campo trouxe os melhores “sentimentos” a muitos protagonistas do mundo do pontapé. Ele eram abraços, choro, declarações de paz para cem anos, irmandade enfim... Se já estamos habituados às fantasias rocambolescas de muitos dos protagonistas, não deixamos de nos surpreender com o que considerámos um exagero mediático de um facto que merece respeito. Mas de que vive o fenómeno? De suscitar paixões. Muleta importante dos meios audio-visuais, da imprensa e da política tem que haver algo que mantenha a “chama” acesa. Já que não existem outros meios de realização pessoal e colectiva, há que construir “irmandades” que possam, discutir hora a hora, todas as variantes daquilo que hoje é mais do que um desporto: um negócio que movimenta milhões. E os seus principais protagonistas, inteligentemente, exploram o filão. Até já se confunde a realização de um campeonato com um desígnio nacional. Cruzes! Ele é o jogador que veio gordo demais, o outro que teve problemas com a mulher, o que se espetou com o carro quando vinha dos “treinos” nocturnos, os insultos a outros do mesmo ofício e as suas reacções, as pazes possíveis, as não possíveis, o rasgar ou não das camisolinhas... Acesa a chama, só lhes resta esperar por melhor ocasião para jantarem juntos e saborearem os frutos da “discórdia”. Os crédulos adeptos pagam as facturas directa ou indirectamente. Basta ver os políticos sentados nos camarotes...

segunda-feira, fevereiro 09, 2004

A vida que a poesia traz

Fernando Pessoa


Marinha

Ditosos a quem acena
Um lenço de despedida!
São felizes: têm pena...
Eu sofro sem pena a vida.

Doo-me até onde penso,
E a dor é já de pensar,
Orfão de um sonho suspenso
Pela maré a vasar...

E sobe até mim, já farto
De improfícuas agonias,
Do cais de onde nunca parto,
A maresia dos dias.

domingo, fevereiro 08, 2004

A culpa morreu solteira na Tribulandia

Na Tribulandia os grandes culpados das derrotas são os soldados rasos

Pelos difíceis caminhos da Tribulandia

A insegurança e a violência na Tribulandia

Na rádio, pela manhã, uma mesa redonda. Primeiro tema: segurança. A propósito de uma campanha política de cartazes, colocados na capital. Boa ou má ideia, mais parecia a um dos comentadores que a campanha se destinava já às presidenciais, pondo em causa a figura de um potencial candidato. Os normais apelos a mais polícia e mais vigilância. Todos temos tendência a ser polícias. Parece que o facto de envergar uma farda ainda é um símbolo presente de autoridade. Qualquer coisa vai mal na sociedade? Mais repressão. Os impostos não chegam? Mais fiscalização.
Embora haja muito boa gente a fazer estudos sobre a origem da violência e da insegurança, nunca
começamos por procurar eliminar as causas, indo urgentemente aos efeitos. Parece-me haver uma estreita relação entre princípios aceites pela sociedade, educação, situação económica, marginalização de camadas populacionais, violência instituída e oficial, e mentalização de grandes grupos sociais para o triunfo a todo o custo e para o consumismo. Uma sociedade que ignora os valores e tem como principal deus o dinheiro;que admira as pessoas pelo que possuem;que exacerba a violência da imagem e o herói bruto;que ignora que deveria dar igualdade de oportunidades no acesso à educação e à cultura; que se precipita no estabelecimento de desigualdades cada vez mais aberrantes;que julga que o mercado resolve tudo milagrosamente;que se distancia do semelhante sem êxito material; que inconscientemente pratica racismo mesmo em relação aos seus irmãos de raça e que incita ao possuir por qualquer processo, o que poderá esperar? Tranquilidade e bem estar? Que fazemos nós relativamente aos que são castigados e punidos? Recuperamos os possíveis? Ou metemo-los em ambientes degradantes, fazendo de conta que não existem? Não teremos que tentar mudar o egoísmo geral, pelo menos a partir das futuras gerações? Se nada se fizer, nesta democracia formal, certamente acabaremos por ter para cada cidadão um polícia.

Uma paragem na Tribulandia

Há dias que não escrevo para o blog. Sinto a falta desta comunidade de ideias e imagens. A vida traz-nos alguns acidentes de percurso através da sua irmã, justiceira final : a morte. Agora a mãe de um amigo que nos acarinhou em criança, depois um amigo (quase um irmão). Uma semana de choques, um abalar de sentimentos de perda, momentos de desorientação, pedaços da nossa vida que se esfumam e nos empobrecem, uma coragem que se afirma exterior, um abraço que não transmite o que nos vai na alma. Damos por nós em rituais sociais dos quais nos apetece fugir, mudos como estátuas, cigarros que não se esgotam e caminhamos pelo vazio. Para onde foram as palavras? Não sabemos como estar nem ouvir. Somos o silêncio feito perda.
Entro num cinema e vejo “A vida e tudo mais...” de Woody Allen. Pouca assistência. Um humor que nos traz algo de positivo. A sensação se sermos humanos, perdidos na teia das relações complicadas. Um incentivo a continuar. Saio. Não recuperei ainda, mas sinto que a rua é minha também. Que as pessoas que passam me dizem muito. Que sou um deles. Vou ao blog. Vejo que tenho visitas. Estou menos só.