domingo, janeiro 18, 2004
sábado, janeiro 17, 2004
Simplesmente POESIA
ÁLVARO DE CAMPOS
(Fernando Pessoa)
Estou cansado, é claro
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto −
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente: eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto dá,
Que afinal a cabeça também serve para alguma coisa.
(Fernando Pessoa)
Estou cansado, é claro
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto −
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente: eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto dá,
Que afinal a cabeça também serve para alguma coisa.
sexta-feira, janeiro 16, 2004
Reformas na TV da Tribulandia
A Tribulandia repete o seu ciclo de retorno à sensaboria. Como? Através da nova programação do Canal 2. E.P.C. ilustre articulista do Público já por duas vezes veio a terreiro defender aquela programação e eu interrogo-me, porquê? Com uma conversa de oposição Estado/sociedade civil que eu não percebo, com umas ideias de elites e com uma tal D. Arminda que deve ser de suas relações. Face ao anterior, temos agora menos telejornal e pior ( em tons de verde crocodilo), um bom programa do Prof. Hermano Saraiva que já existia, um como o Bombordo, ideal para uma tarde de sábado, um concerto da BBC, sensaborão em televisão e inócuo, com uns senhores muito bem vestidos e compostos (devem ser as tais de elites), a Euronews que se pode ver noutro local, etc. , etc.... A mim o que me parece é que querem dar cabo do Canal 2. Ou adoram a cultura de salão para meia dúzia de iluminados. E a julgar por mim, para fugir ás telenovelas, aos concursos, e aos Big Brother, and so on, acabo na BBC. Óptimo, sempre melhoro o meu inglês.
Um exemplo de gestão na Tribulandia
Ao passar pelo SemanárioEconómico leio que uma auditoria da Ernst & Young revela para além do buraco financeiro registado, graves irregularidades.
“Pedro Burmester e Paulo Cunha Gomes são dois dos administradores da Sociedade que, com Teresa Lago, ficam comprometidos pela auditoria. A derrapagem financeira da Sociedade Porto 2001 situa-se nos 27,2 milhões de euros, face ao orçamento aprovado pelos accionistas, segundo um relatório de auditoria....”
“Irregularidades abundam. O trabalho realizado pela E&A aponta para um conjunto de irregularidades graves que vão desde o desaparecimento de bens,aditamentos sem comprovativo, pagamentos em duplicado, facturas por contabilizar, falta de registo de bens imóveis, custos de obras não especificados, atribuição de subsídios a empresas e instituições em que se desconhece os resultados, descontrolo total nos apoios mecenáticos (em que o mais intrigante é o do mobiliário Famo) e prestação de serviços sem contrato.”
Grande gestão e exemplo. Será que vão ser condecorados? Pelo menos uma homenagem merecem. Só o sacrifício que alguns fizeram ao por os capacetes de protecção, na cabeça, para os cartazes, vale o dinheiro gasto. E ainda dizem que não acontecem milagres...
“Pedro Burmester e Paulo Cunha Gomes são dois dos administradores da Sociedade que, com Teresa Lago, ficam comprometidos pela auditoria. A derrapagem financeira da Sociedade Porto 2001 situa-se nos 27,2 milhões de euros, face ao orçamento aprovado pelos accionistas, segundo um relatório de auditoria....”
“Irregularidades abundam. O trabalho realizado pela E&A aponta para um conjunto de irregularidades graves que vão desde o desaparecimento de bens,aditamentos sem comprovativo, pagamentos em duplicado, facturas por contabilizar, falta de registo de bens imóveis, custos de obras não especificados, atribuição de subsídios a empresas e instituições em que se desconhece os resultados, descontrolo total nos apoios mecenáticos (em que o mais intrigante é o do mobiliário Famo) e prestação de serviços sem contrato.”
Grande gestão e exemplo. Será que vão ser condecorados? Pelo menos uma homenagem merecem. Só o sacrifício que alguns fizeram ao por os capacetes de protecção, na cabeça, para os cartazes, vale o dinheiro gasto. E ainda dizem que não acontecem milagres...
Preparação Tribu para os desafios do futuro
Acabo de ouvir que no noticiário de uma televisão que nos manuais escolares, a seguir ao “Big Brother” vai ser incluído “ O Horóscopos” na interpretação dos “Lusíadas” de Luís de Camões. Uma esclarecida professora, não afectada pela doença da ignorância gananciosa, dizia que a obra exemplar não precisava de muletas para a sua interpretação. Se continua assim, ainda acaba por ser afastada por má influência sobre os alunos! Aliás é um esquecimento imperdoável não incluir “Os Malucos do Riso”, porque uma boa dose de humor ajuda a cair na realidade.
Ficam a faltar palestras com os autores e um número de telefone para esclarecer dúvidas.
Ficam a faltar palestras com os autores e um número de telefone para esclarecer dúvidas.
Bom humor americano na SIC RADICAL
Jon Stewart tem um programa chamado The Daily Show que é um exemplo de muito bom humor. Passa na SIC RADICAL em diversos horários.
Nada melhor para esquecer um dia Tribu...
Nada melhor para esquecer um dia Tribu...
Voltas e reviravoltas na Tribulandia
Na Tribulandia temos uma maneira muito interessante de resolver problemas do futebol: dando voltas e mais voltas até perdermos o fio à meada. Assim todos ficamos contentes e nunca percebemos o início de nada. Senão vejam: segundo a imprensa, um clube compra um estádio por mil contos (cinco mil euros) a uma autarquia: mais tarde, o clube regista o estádio em seu nome para receber meio milhão de euros que a UEFA tem que pagar ao proprietário do terrenos pela disputa de dois jogos do Euro; a seguir o clube, apertado pelo fisco, dando como garantia o dinheiro a receber da UEFA, contrai um empréstimo para pagar dívidas e comprar mais um jogador. Resumindo a autarquia paga dívidas do clube ao fisco, compra um jogador e se calhar pagou outras dívidas. Mas não satisfeita com essa ajuda, celebra um Contrato Programa de Desenvolvimento Desportivo no âmbito do III Quadro Comunitário (QCA) através do qual beneficiou da comparticipação comunitária para as obras do estádio. Só que uma das condições essenciais para acessso à comparticipação financeira era a propriedade do terreno ou o direito de superfície. Resultado: a autarquia não se enquadra. Logo deve ser sancionada com a nulidade do contrato-programa. Se a Comissão Europeia não abdica da devolução do dinheiro a verba terá que ser reposta pelo Orçamento Geral do Estado! Voltas e mais voltas para ser o cidadão que paga impostos a pagar as bondades dos autarcas! Claro que nas rubricas com o futebol não há crise, nem o interesse público foi lesado, segundo o Procurador-Geral(????). Uma eventual soluçao é o clube colocar durante 25 anos o estádio ao serviço da população: ou seja emprestar um bem a quem o pagou. Brilhante!!! E porquê tudo isto? Porque o futebol entretém a malta, dá votos e sendo assim a utilidade marginal dinheiro gasto é total. Depois não venham discutir as propinas, queixar-se da falta de condições nos hospitais e que os funcionários públicos têm culpa de tudo. Quem quer festa paga. Já agora também paguemos os foguetes....Bendita crise. E a Comissão Europeia deve ficar com muito boa imagem destas andanças...
quinta-feira, janeiro 15, 2004
terça-feira, janeiro 13, 2004
Esquecimento, não relevante, não sei, não conheço....
Não se pense que a Tribulandia é um país sem gente inteligente, preparada e capaz, em suma. O que lhe tem acontecido é que muitos lugares do poder ( tanto no sector público como privado) são ocupados em função da inteligência emocional ou capacidade mediática e aos seus detentores falta-lhes carácter, ética, humanismo, vontade ou capacidade de actuar. Eis a grande desgraça do buraco Tribulandia.
Por onde anda o respeito que lhes devemos?
Ao ouvir a Rádio Renascença pela manhã, fui alertado por um tema que hálargo tempo me ocupa o pensamento. A maneira como a sociedade moderna trata os mais velhos. Mais uma vez, uma auditoria detecta falta de condições nos lares dos idosos. Já tenho visto imagens chocantes na televisão mas o problema continua.
Um comentador, com raciocínio claro e temperado pelo humanismo, deduzia que esta situação era fruto da falta de uma estratégia global e, ao mesmo tempo, do pensamento dominante nas camadas mais jovens que adoram a novidade e consideram os mais velhos algo sem valia que há que arrumar para qualquer lado e de qualquer maneira. Esquecem-se que muito do que disfrutam é resultante do esforço de gerações anteriores e que esta descontinuidade geracional também não é boa para o seu equilíbrio emocional; que o relacionamento entre os mais velhos e os jovens pode proporcionar uma transmissão de conhecimentos e de afectos que quanto a mim são insubstituiveis; que um dia também perderão o aspecto “Danone” e envelhecerão. Por esta mentalidade se gere também o discurso de muito político que, para atacar a Segurança Social, nos moldes existentes, aponta que as novas gerações não podem suportar este ”sacrifício”. Há, certamente, muita coisa a modificar mas os cortes bruscos nunca deram bons resultados na sociedade. A memória é curta mas a história aí está para ocomprovar, mesmo para os que, agora, sentados nos lugares cimeiros da pirâmide social se julgam ao abrigo das contingências que o futuro lhes pode oferecer.
segunda-feira, janeiro 12, 2004
domingo, janeiro 11, 2004
Vejo os comentários no blog e vou dar uma volta. Passo pelo Exacto e sigo algumas pistas que por lá andam e me levam a sítios interessantes a maior parte das vezes. Desta vez fui parar ao causa nossa e entretive-me a ver o que lá escreviam algumas figuras dos nossos media. Independentemente do meu desacordo quanto a algumas opiniões, um post me chamou, particularmente a atenção : “Escrevem os leitores da Causa Nossa” e que passo a transcrever:
“Justica Penal no fundo”
“ A nossa Justiça penal bateu de tal maneira no fundo que nada nos surprenderá doravante! O modo atribiliário como se tem desenrolado o chamado Casa Pia “faz saltar as pedras da calçada”. Eu também acho que alguém terá de ser responsabilizado pelos arbrítios neste inquisitorial processo....”
(AAG)
“Justiça é preciso outra”
“Sobre a Justiça: está num estado de tal maneira comatoso que tudo o que ajude a pô-la
completamente de rastos, eu aplaudo! Quem lida com ela diariamente, há mais de um quarto de século, sabe o que valem 99,999% dessses Magistrados/as que abusam solerte e quotidianamente do estatuto de irresponsabilidade de que gozam.”
(JA, Advogado)
Pasmo. As violações não faziam saltar as pedras da calçada? Tudo muito silencioso como convém. A Inquisição voltou agora? E que métodos de tortura estão a usar? Se vamos pôr a Justiça de rastos o que vai restar? A lei do mais forte? 99,999% de abusadores do estatuto de irresponsabilidade? Credo. Abalem, abalem tudo. Sobretudo a nossa última garantia de liberdade efectiva.
Por acaso foram os juízes que fizeram as leis que nos condicionam? Foram os Juízes que puseram a economia do país de rastos? Foram os Juízes que foram em serviço às finais da Taça? Foram os Juízes que puseram o Ensino num caos e a nossa juventude sem perspectivas de futuro? São os Juízes que têm as contas irregulares há décadas? Foram os Juízes que levaram as mulheres a passear ? São os Juízes que fazem promessas que nunca são cumpridas? São os Juízes que esbanjam o dinheiro público e depois nos carregam de impostos? São os Juízes que colocam tanto incompetente? E por aí adiante...
Conselho do Dia Ao atravessar a passadeira com o sinal vermelho, vá devagar e calmamente sem olhar para os lados. Não dê confiança aos condutores distraídos e faça ouvidos surdos às buzinadelas. Faça valer os seus direitos.
“Justica Penal no fundo”
“ A nossa Justiça penal bateu de tal maneira no fundo que nada nos surprenderá doravante! O modo atribiliário como se tem desenrolado o chamado Casa Pia “faz saltar as pedras da calçada”. Eu também acho que alguém terá de ser responsabilizado pelos arbrítios neste inquisitorial processo....”
(AAG)
“Justiça é preciso outra”
“Sobre a Justiça: está num estado de tal maneira comatoso que tudo o que ajude a pô-la
completamente de rastos, eu aplaudo! Quem lida com ela diariamente, há mais de um quarto de século, sabe o que valem 99,999% dessses Magistrados/as que abusam solerte e quotidianamente do estatuto de irresponsabilidade de que gozam.”
(JA, Advogado)
Pasmo. As violações não faziam saltar as pedras da calçada? Tudo muito silencioso como convém. A Inquisição voltou agora? E que métodos de tortura estão a usar? Se vamos pôr a Justiça de rastos o que vai restar? A lei do mais forte? 99,999% de abusadores do estatuto de irresponsabilidade? Credo. Abalem, abalem tudo. Sobretudo a nossa última garantia de liberdade efectiva.
Por acaso foram os juízes que fizeram as leis que nos condicionam? Foram os Juízes que puseram a economia do país de rastos? Foram os Juízes que foram em serviço às finais da Taça? Foram os Juízes que puseram o Ensino num caos e a nossa juventude sem perspectivas de futuro? São os Juízes que têm as contas irregulares há décadas? Foram os Juízes que levaram as mulheres a passear ? São os Juízes que fazem promessas que nunca são cumpridas? São os Juízes que esbanjam o dinheiro público e depois nos carregam de impostos? São os Juízes que colocam tanto incompetente? E por aí adiante...
Conselho do Dia Ao atravessar a passadeira com o sinal vermelho, vá devagar e calmamente sem olhar para os lados. Não dê confiança aos condutores distraídos e faça ouvidos surdos às buzinadelas. Faça valer os seus direitos.
Neo-Liberalismo Tribu
A minha fonte de segredos ( que exclui a justiça) veio ter comigo muito excitada. Parece que o professor Dizamen ( famoso economista) elaborou um plano que está a acolher grande aceitação pela parte do Governo. Explicou-me ele, que de acordo com as modernas teorias do “Deixa andar que logo se vê” o professor vai propor a privatização dos sanitáriso públicos, fontanários e coretos de jardim. Tendo em linha de conta o alto interesse para o consumidor e a eliminação de resquícios socializantes que pairam ainda na Tribulandia. E como será isso feito? Informou-me que uma grande multinacional chinesa, especializada nas lojas dos 100, está fortemente interessada e aceitará uma participação de 5% de empresas tribulanas para manter o equilíbrio de capitais (?). As instalações sanitárias serão todas remodeladas, passando a ter ar condicionado, música ambiente, jornais e revistas chinesas para quem espera vez, atendimento personalizado e ecrã gigante para transmissão de jogos importantes e discursos de políticos. As cabines individuais terão auscultadores com vários géneros de música, autoclismos silenciosos, paredes à prova de som e papeis higiénicos de diversos tipos e cores. Haverá três categorias de cabina : remediada, média e VIP. As de categoria VIP terão secadores de cabelo, duche individual e perfumes estrangeiros. Para evitar as famosas inscrições em portas e paredes haverá no hall paineis com canetas de grafitti para os que desejarem darem largas à imaginação linguística. Haverá um prémio anual para as melhores frases cujo alvo seja: Governo, Miquinhas, Polícia e Vai-te.
Claro quer tudo será a pagar ( Milton Friedman:"theres is no free lunch") mas os mais necessitados terão comparticipação da assistência social. Prevê-se ainda um sector de massagens (não eróticas) e aconselhamento para pacientes com problemas de diarreia mental. A apresentação do plano detalhado será feita num centro de congressos e virão personalidades de todos os quadrantes com especial relevo para as entupidas. E por hoje ficou-se, sem me dizer nada sobre os fontanários e coretos. Até que enfim, vão terminar as filas de espera.
Claro quer tudo será a pagar ( Milton Friedman:"theres is no free lunch") mas os mais necessitados terão comparticipação da assistência social. Prevê-se ainda um sector de massagens (não eróticas) e aconselhamento para pacientes com problemas de diarreia mental. A apresentação do plano detalhado será feita num centro de congressos e virão personalidades de todos os quadrantes com especial relevo para as entupidas. E por hoje ficou-se, sem me dizer nada sobre os fontanários e coretos. Até que enfim, vão terminar as filas de espera.
Limitar a imprensa?
Ontem, fiz um pequeno reparo sobre as contas dos partidos, utilizando algum humor. Há pouco ao ler o “Público”, do mesmo dia, não consigo resistir à tentação de transcrever uma parte du um artigo de Luciano Alvarez, em Semana Política, que me parece bastante elucidativa sobre a questão.
“Qual bom nome?”
"Face às irregularidades graves nas contas partidárias agora reveladas, e que pouco divergem das de uma taberna gerida por um comerciante desonesto, ninguém na classe política se indignou. Ninguém se levantou a pedir um Conselho de Estado para colocar fim a esta vergonha que fragiliza a democracia. Ninguém pediu regras mais apertadas para os partidos de forma a acabar de vez com este circo imoral, que é bem mais grave para a imagem e o bom nome de um qualquer político do que ter a sua fotografia num álbum de identificação da Polícia Judiciária"
Visto, lido e aprovado. Sem mais.
“Qual bom nome?”
"Face às irregularidades graves nas contas partidárias agora reveladas, e que pouco divergem das de uma taberna gerida por um comerciante desonesto, ninguém na classe política se indignou. Ninguém se levantou a pedir um Conselho de Estado para colocar fim a esta vergonha que fragiliza a democracia. Ninguém pediu regras mais apertadas para os partidos de forma a acabar de vez com este circo imoral, que é bem mais grave para a imagem e o bom nome de um qualquer político do que ter a sua fotografia num álbum de identificação da Polícia Judiciária"
Visto, lido e aprovado. Sem mais.
sábado, janeiro 10, 2004
“os amigos são uma forma animada de poesia”
CECÍLIA MEIRELES
O Transeunte
Venho de caminhar por estas ruas.
Tristeza e mágoa. Mágoa e tristeza.
Tenho vergonha dos meus sonhos de beleza.
Caminham sombras duas a duas,
Felizes só de serem infelizes,
E sem dizerem, boca minha, o que tu dizes...
De não saberem, simples e nuas,
coisas da alma e do pensamento,
E que tudo foi pó e que tudo é do vento...
Felizes com misérias suas,
como eu não poderia ser com a glória,
porque tenho intuições, porque tenho memória...
Porque abraçada nos braços meus,
porque obediente à minha solidão,
vivo construindo apenas Deus...
O Transeunte
Venho de caminhar por estas ruas.
Tristeza e mágoa. Mágoa e tristeza.
Tenho vergonha dos meus sonhos de beleza.
Caminham sombras duas a duas,
Felizes só de serem infelizes,
E sem dizerem, boca minha, o que tu dizes...
De não saberem, simples e nuas,
coisas da alma e do pensamento,
E que tudo foi pó e que tudo é do vento...
Felizes com misérias suas,
como eu não poderia ser com a glória,
porque tenho intuições, porque tenho memória...
Porque abraçada nos braços meus,
porque obediente à minha solidão,
vivo construindo apenas Deus...
Cadeia Cibertribu
Dia cinzento, chuva miudinha. Convite para ficar em casa ouvindo música. O pior é que não paramos de pensar. Basta passar os olhos pelo jornal e os pensamentos espraiam-se pelo que nos rodeia , lá fora. Derivamos para a web.
Sózinhos, sentimo-nos ligados a uma cadeia indefinida de outras mentes que nos garantem espiritualidade.Uma palavra amiga, aqui e acolá, incentivam-nos a participar na ciberesfera. A incomunicabilidade desfaz-se em pequenas partículas. Passamos por outros blogs e vemos “cabeças” cheias de coisas bonitas. Opiniões, fotografias, poemas, pensamentos e grafismos com qualidade constituem uma galáxia, que me parece protegida da muita fealdade que povoa a nossa sociedade. Fazem já parte do meu quotidano e alimentam a minha imaginação. Desconhecidos e tão perto. Caminham a meu lado, na procura de um mundo um pouco melhor, na diversidade que nos complementa.
Sózinhos, sentimo-nos ligados a uma cadeia indefinida de outras mentes que nos garantem espiritualidade.Uma palavra amiga, aqui e acolá, incentivam-nos a participar na ciberesfera. A incomunicabilidade desfaz-se em pequenas partículas. Passamos por outros blogs e vemos “cabeças” cheias de coisas bonitas. Opiniões, fotografias, poemas, pensamentos e grafismos com qualidade constituem uma galáxia, que me parece protegida da muita fealdade que povoa a nossa sociedade. Fazem já parte do meu quotidano e alimentam a minha imaginação. Desconhecidos e tão perto. Caminham a meu lado, na procura de um mundo um pouco melhor, na diversidade que nos complementa.
Contas à moda da Tribulandia
Depois de 30 anos de democracia, as contas dos partidos continuam irregulares...
Pelos vistos, os técnicos de contas são avessos à política...
Pelos vistos, os técnicos de contas são avessos à política...
sexta-feira, janeiro 09, 2004
Éramos o primeiro...
Há muito tempo que se falava de uma remodelação no canal 2 para o melhorar quanto à programação e permitir uma maior intervenção da sociedade civil (?). Como sempre as reformas na Tribulandia são para pior e eu, habitual espectador daquele canal, comecei por desconfiar e até pensar que se continuasse como estava não era nada mau, no meio da pobreza de programas que infestam o pequeno ecrã. Boas séries americanas, bom humor inglês, boas entrevistas com intelectuais fascinantes e alguns bons filmes. No dia 2 do corrente, no Público, Prado Coelho lança algumas esperanças sobre o desenvolvimento destas mudanças. Pouco ainda vi, mas reparo que a programação para além de encurtar o Jornal 2, passa a transmitir diariamente a Hora Discovery, em horário nobre, Euronews que já víamos repetidamente ao longo do dia, Televendas (?) e Bombordo (?). Não critico a validade dos programas mas ainda não vi nada que não me pareça ter um carácter de “cultura” inócua e relaxante. Quem não quiser dormir que vá ver telenovelas, futebol ou séries de 3ª. Penso que se acabou o tempo dos “Sopranos”, do “Allo, Allo!” e do “Yes, Minister”, para além de outras. Só me resta ir à loja de vídeo e alugar um filme de jeito, depois de uma hora a percorrer as estantes.
TvTribu faz Justiça
Jornal TVTribu. Um célebre caso de violação de crianças continua a marcar o ritmo da Tribulandia, terra sem outros problemas. Um advogado chega carregado de malas com documentos. A jornalista conclui: muitas malas, muitos argumentos. Brilhante. O advogado que não sabia disso, deveria ter trazido, pelo menos uma carrinha , bem recheada de malas. Chamam às malas passaporte para a libertação!!! A seguir um congresso sobre objectividade científica. Opinião de um congressista: deveriam participar peritos “independentes” na avaliação, gravada em vídeo, dos testemunhos porque os psicólogos que acompanham as crianças não são independentes e é difícil apurar a verdade. Sobretudo a verdade que não interessa. Depois um proeminente médico-legista parece que disse que os exames de violação, passadas as 72 horas não são conclusivos! Em suma: um menor de tenra idade que seja violado e não possa fazer exame dentro das 72 horas é melhor ficar calado até ao fim dos seus dias. A Justiça também tem prazo de validade, como qualquer produto.
Devemos, uma vez mais concluir, que todos os estão encarregados de aplicar a Justiça ou são tontos ou mal intencionados. Mas claro, se assim fosse, esta questão já tinha sido abafada e continuaríamos a ouvir elogios à Magistratura! Será que a TribuTV quer ser a última instância de recurso?
Devemos, uma vez mais concluir, que todos os estão encarregados de aplicar a Justiça ou são tontos ou mal intencionados. Mas claro, se assim fosse, esta questão já tinha sido abafada e continuaríamos a ouvir elogios à Magistratura! Será que a TribuTV quer ser a última instância de recurso?
quinta-feira, janeiro 08, 2004
Previsões
O governador do Banco de Portugal afirmou hoje no Público que o rendimento disponível dos particularesvai aumentar em 2004 e 2005, devido ao abrandamento da inflação. A regular pelo aumento da carcaça e de outros bens de consumo está a ser difícil acreditar neste milagre. Falta saber de que particulares se trata.
O Governador considerou que o défice orçamental elevado sustentou a actividade económica. E isso é bom ou mau? Estou a ficar baralhado.
Quanto ao desemprego admitiu que a situação se pode agravar este ano. O Banco de Portugal não publica previsões quantitativas sobre esta matéria. Mas vamos esperar que as coisas possam melhorar a partir de 2005, disse. É, temos que ter fé na Providência Divina. Será que esses desempregados não entram naqueles particulares?
O Governador considerou que o défice orçamental elevado sustentou a actividade económica. E isso é bom ou mau? Estou a ficar baralhado.
Quanto ao desemprego admitiu que a situação se pode agravar este ano. O Banco de Portugal não publica previsões quantitativas sobre esta matéria. Mas vamos esperar que as coisas possam melhorar a partir de 2005, disse. É, temos que ter fé na Providência Divina. Será que esses desempregados não entram naqueles particulares?
Festa Tribu
Segundo informações do meu barbeiro o Comité Olímpico da Tribulandia prepara-se para se candidatar à organização dos Jogos Olímpicos. O meu megalomanómetro, o loucómetro e o despesómetro começaram a atingir valores preocupantes comparados com anos anteriores. Prevêm-se fortes oscilações na frágil estrutura financeira tribulana.
quarta-feira, janeiro 07, 2004
Hipocrisia Tribu
Uma das coisas que mais me impressiona na Tribulandia é o culto da hipocrisia (do grego hypokrisia, dissimulação). Povo de brandos costumes procura na aparência a ausência de conteúdo. Basta olhar para muitas atitudes “revolucionárias” do pós 25 de Abril, extremistas e de esquerda, querendo ir até à nacionalização de tabacarias, abandono de Porches por motoretas, linguagem eivada de chavões e tanta, tanta asneira aplaudida para não perder o combóio. De repente, pacíficos burgueses transformados em incendiários. Mas, milagre dos milagres, aí estão eles de novo, fervorosos adeptos do liberalismo, discursando com a maior ligeireza sobre os benefícios do mercado. Os mais equilibrados eram reaccionários para eles e agora são retrógados nacionalistas. Fazendo bandeira da globalização estão dispostos de novo a tudo vender, inclusivé a alma, coisa que duvidam ter. São os novos materialistas.
Fizeram as asneiras que nos enterraram e vêm agora, esquecendo tudo, trazer as soluções maravilhosas. Destruiram o edifício do ensino, pedra sobre pedra, alimentaram um consumerismo descabido, nunca se importaram com o estado das prisões, pregam moral, cheios de podridão, a prisão preventiva era boa para os outros, as escutas também e acham-se acima de tudo e de todos. Até choraram muito por Timor para aparecer na televisão. Vai ser um problema quando os seus 15 minutos de celebridade terminarem.
Fizeram as asneiras que nos enterraram e vêm agora, esquecendo tudo, trazer as soluções maravilhosas. Destruiram o edifício do ensino, pedra sobre pedra, alimentaram um consumerismo descabido, nunca se importaram com o estado das prisões, pregam moral, cheios de podridão, a prisão preventiva era boa para os outros, as escutas também e acham-se acima de tudo e de todos. Até choraram muito por Timor para aparecer na televisão. Vai ser um problema quando os seus 15 minutos de celebridade terminarem.
Estado de Alerta Tribu
Segundo vi hoje no Público o deputado Manuel Alegre propõe reunião urgente do Conselho de Estado sobre Casa Pia. Plenamente de acordo. E porque não por o Exército em Estado de Alerta Máximo?;chamar os os nossos aliados na NATO; pedir ajuda militar aos USA; ver se entregam mais depressa os submarinos; fechar as fronteiras e por aí adiante. Parece que se começa a confundir pessoas com Instituições. L´État c´est moi! Mas aonde já li isto?
O Relógio e a Rosa
Relógio alto. De pêndulo. Por apertos de espaço, colocaram-no próximo da janela que dava para o jardim. Manhã de Maio, uma rosa se abriu. Húmidas as pétalas recortaram no ar o brilho amêndoa, a pureza e a ternura dos mais belos olhos do Mundo. Da janela o relógio olhou-a e parou. Deram-lhe corda e parou. O relojoeiro veio e parado continuou. À meia noite, um poeta, disfarçado de ave noturna, entrou na caixa do relógio e descobriu que estava enfeitiçado. Um êxtase de contemplação pura. E até hoje, segundo consta, nenhum conserto o tirou da sua contemplação.
LUÍS VEIGA LEITÃO -1912-1987
LUÍS VEIGA LEITÃO -1912-1987
Momentos
Paro cerca do semáforo. Adiante, o pedinte habitual vem de boné na mão e tremendo como molas desconjuntas, fruto de doença que não sei classificar. Uns abrem a janela, outros, a maioria, não. Chega a mim ainda parado. Abro e entrego a também habitual moeda. È educado, agradece e faz sempre votos de um bom dia ou noite. Sai para o passeio, à espera de nova rodada. Chova ou faça sol. Arranco com a consciência mais pesada. Eu nem gosto de caridade. A seguir um pensamento maldoso: E se, por razões que não vislumbro, um desses políticos, emproados e poderosos, passasse naquele posto um dia apenas? Talvez se resolvessem alguns problemas mais depressa. Quem sabe?
Outro dia vi um inquérito em que a maioria dos inquiridos cassificava o terrorismo como principal ameaça da humanidade. E as 24000 pessoas que morrem por dia de fome ou causas relacionadas (74% das quais são crianças)?
The Hunger Site
Outro dia vi um inquérito em que a maioria dos inquiridos cassificava o terrorismo como principal ameaça da humanidade. E as 24000 pessoas que morrem por dia de fome ou causas relacionadas (74% das quais são crianças)?
The Hunger Site
terça-feira, janeiro 06, 2004
MARK TWAIN (SAMUEL CLEMENS) 1835-1910
"All you need is ignorance and confidence; then success is sure."
segunda-feira, janeiro 05, 2004
Inquisição Tribuvisiva
Malfadadamente, continuo a espirrar e a tentar fazer blog. Sento-me, confortável, aquecedor ligado, e parto à aventura de mergulhar no mar das notícias televisivas. Seguramente, a febre não baixou. Malditas pastilhas. Dolente, não faço zapping.
Uma entrevistadora interroga um juiz... que o colega não era juiz natural e que portanto todas as suas decisões podiam ser anuladas! Dá a entender que os juízes podem não saber o que andam a fazer. Ela sabe, claro. Tenta transformar questões formais em questões de conteúdo. O que é preciso é instalar a dúvida, logo meio caminho andado para pressionar antes de alguém ser julgado. Chego a pensar que existem juízes artificiais ou clonados. Credo. Teríamos sido invadidos por extra-terrestres?
E o que virá a seguir?: As lentes dos óculos do juiz estão mal calibradas? O juiz teria perdido folhas do Código? Não será que ele um dia qualquer pôs a moto em cima do passeio? Será que ele é masoquista e gosta de ser massacrado pela imprensa? Terá, porventura, calos por tratar, e despacha com dores nos pés o que pode provocar uma interpretação distorcida das leis? Teve sarampo em pequeno? Bebe demasiado café?
Anda a tentar ficar com o processo até ser velhote para ter que contar aos netos?
A seguir, outros mediáticos juristas dizem de sua justiça. E qual é a sua táctica, perguntam? E se for assim, não será assado? E se for cozido? Eu cá por mim, fiquei com a ideia que utilizarão um 4x3x3, um 4x4x2 ou todos ao molho e Deus por nós todos, que bem precisamos.
Uma entrevistadora interroga um juiz... que o colega não era juiz natural e que portanto todas as suas decisões podiam ser anuladas! Dá a entender que os juízes podem não saber o que andam a fazer. Ela sabe, claro. Tenta transformar questões formais em questões de conteúdo. O que é preciso é instalar a dúvida, logo meio caminho andado para pressionar antes de alguém ser julgado. Chego a pensar que existem juízes artificiais ou clonados. Credo. Teríamos sido invadidos por extra-terrestres?
E o que virá a seguir?: As lentes dos óculos do juiz estão mal calibradas? O juiz teria perdido folhas do Código? Não será que ele um dia qualquer pôs a moto em cima do passeio? Será que ele é masoquista e gosta de ser massacrado pela imprensa? Terá, porventura, calos por tratar, e despacha com dores nos pés o que pode provocar uma interpretação distorcida das leis? Teve sarampo em pequeno? Bebe demasiado café?
Anda a tentar ficar com o processo até ser velhote para ter que contar aos netos?
A seguir, outros mediáticos juristas dizem de sua justiça. E qual é a sua táctica, perguntam? E se for assim, não será assado? E se for cozido? Eu cá por mim, fiquei com a ideia que utilizarão um 4x3x3, um 4x4x2 ou todos ao molho e Deus por nós todos, que bem precisamos.
sábado, janeiro 03, 2004
Um exemplo para a Tribulandia
Lembram-se deles? As séries 1,2 e 3 estão à venda em DVD. São um exemplo de bom humor.
Yes-Minister "Em política, temos de estar atrás de alguém a apoiá-lo antes de lhe podermos dar uma facada nas costas!"
Yes-Minister "Em política, temos de estar atrás de alguém a apoiá-lo antes de lhe podermos dar uma facada nas costas!"
Gurus Tribu
Alguns economistas e comentadores económicos são muito engraçados. Parece que andaram todos na BBC na série “Sim, Sr. Ministro” . Têm um dom para adivinhar o futuro que só visto. Li um afirmar que a economia portuguesa crescerá 4% em 2007. Outro que se os últimos três ciclos se repetirem teremos uma nova recessão em 2013. Ainda gostava de ver os cálculos efectuados para chegarem a tais valores... Entretanto, um famoso economista António Borges declarava a um jornal " Tal como fomos surpreeendidos pela recessão vamos ser surpreendidos pela retoma" ... E agora?
Ah, também gostava de saber se costumam ir aos supermercados fazer compras. É que a taxa inflacção verificada nos produtos que utilizo anda muito longe das pequeninas percentagens que eles anunciam (3,5% ?)...
Ah, também gostava de saber se costumam ir aos supermercados fazer compras. É que a taxa inflacção verificada nos produtos que utilizo anda muito longe das pequeninas percentagens que eles anunciam (3,5% ?)...
Concorrência à moda tribu
As aspirinas ainda não fizeram o seu trabalho. Entre espirros e tosse, divirto-me a ler os jornais de fim de semana. Fico muito com muito melhor disposição. O ”Expresso” em Sinais positivos para 2004 refere que “Este ano traz boas notícias para os consumidores portugueses em matéria de factura energética. A partir de 1 de Janeiro, é liberalizado o preço dos combustíveis, cujo tecto máximo deixa de ser fixado pelo Ministério da Economia. Espera-se que as petrolíferas estabeleçam uma verdadeira concorrência no mercado, através da prática de preços diferentes - o que levará à sua descida.”.
Entretanto, lembrei-me duma notícia que tinha visto sobre Economia e que referia o aumento pela BP do litro da gasolina sem chumbo 95 de 0,95 cêntimos para 0,96 e da gasolina sem chumbo 98 de 0,98 para 1,025 cêntimos. Vi ainda que acordo com a edição desta sexta-feira do Diário de Notícias, alguns postos da Shell também agravaram os preços. Desde quinta-feira que vários bens essenciais subiram de preço, entre os quais a electricidade, a renda da casa portagens e o pão.
Aqui temos a concorrência a funcionar...
Entretanto, lembrei-me duma notícia que tinha visto sobre Economia e que referia o aumento pela BP do litro da gasolina sem chumbo 95 de 0,95 cêntimos para 0,96 e da gasolina sem chumbo 98 de 0,98 para 1,025 cêntimos. Vi ainda que acordo com a edição desta sexta-feira do Diário de Notícias, alguns postos da Shell também agravaram os preços. Desde quinta-feira que vários bens essenciais subiram de preço, entre os quais a electricidade, a renda da casa portagens e o pão.
Aqui temos a concorrência a funcionar...
sexta-feira, janeiro 02, 2004
Um tribu que precisa de aspirina
Como diria o poeta “Excusez un peu...Que grande constipação física! Preciso de verdade e de aspirina”. Depois de uma passagem de ano tranquila, onde a alegria do espumante e das uvas passas do desejo nos apagam da memória tantos e tantos momentos de tristeza, dou por mim a reparar que quase tudo se imobilizou, mesmo fora dos dias festivos. Doce nada fazer, dos nossos encantos. Se a tendência continuar, talvez os nossos sonhos demorem mais tempo a serem concretizados. Faço uma macro-foto para vos dar conta que muitos, na blogosfera, que eu admiro, vão alimentando esses sonhos. Decerto, notaram a sua menor qualidade. Mas a intenção ficou. Lembro-me da velha história da cigarra e da formiga. Só que nos tempos de hoje, as cigarras são mais do que muitas e as formigas andam aflitas para sustentar tanta reinação. Ele são multidões a votar, autocarros a circular em campanha, balões para angariar votos e histerismo para adivinhar o vencedor. Isto e o sonho de ganhar o 2004.
E que sonhos alimento eu? O de uma Tribulandia mais equilibrada socialmente, onde os nossos maiores orgulhos estejam nas suas escolas modelo, nos seus hospitais de vanguarda, na competividade tecnológica das suas empresas, no aprofundamento da sua cultura ímpar, e tão subjugada, às vezes, a valores estranhos, no seu civismo do quotidiano, no não abandalhamento de uma História que pode confrontar-se com qualquer outra, e acima de tudo na aposta clara nessas gerações jovens que tanto podem dar mas que se procura alienar, de vários modos e feitios. Depois podem vir os outros êxitos. Alguns dos que isto lerem, dirão que me passei com a aspirina. É natural. Ainda não deixei de me sentir primeiro português, depois europeu e depois globalizado.
E que sonhos alimento eu? O de uma Tribulandia mais equilibrada socialmente, onde os nossos maiores orgulhos estejam nas suas escolas modelo, nos seus hospitais de vanguarda, na competividade tecnológica das suas empresas, no aprofundamento da sua cultura ímpar, e tão subjugada, às vezes, a valores estranhos, no seu civismo do quotidiano, no não abandalhamento de uma História que pode confrontar-se com qualquer outra, e acima de tudo na aposta clara nessas gerações jovens que tanto podem dar mas que se procura alienar, de vários modos e feitios. Depois podem vir os outros êxitos. Alguns dos que isto lerem, dirão que me passei com a aspirina. É natural. Ainda não deixei de me sentir primeiro português, depois europeu e depois globalizado.
quarta-feira, dezembro 31, 2003
GRANDE GUERRA
JOSÉ RÉGIO
Podes roubar-me o pão!
A Fome, não.
A boca, sim: come ou não come.
Porém, como roubar a inextinguível Fome?
Inextinguível, porque pede
Um pão que nos excede:
Um pão que ninguém dá
Nem tirará.
Podes furtar-me todos os proveitos,
Expropriar-me, até, dos meus direitos!
Aos ventos darei eu meus gritos e canções,
E os ventos lhes farão mil edições.
Podes calar-me com mordaças,
Tu, que és mortal... e passas.
Passas, ao passo que o meu grito
Percute ao longo do Infinito...
Podes acorrentar-me às rochas das montanhas,
Pôr abutres roendo-me as entranhas!
Como das flores espalha o pólen,
O vento espalhará o sémen do Homem...
Podes cobrir-me o nome de impropérios;
Tu, que és senhor de impérios,
Negar ao pobre o seu só bem: a fama
Não brilha o sol na própria lama?
Podes tirar-me a paz, a saúde, e a própria vida.
Ai pedra sepulcral assaz fendida!
Que ao Cristo lhas tiraram,
Perderam-se e O ressuscitaram.
Podes, ás minhas cinzas, recobri-las
De terra e pedras; difundi-las
Pelos desertos sem oásis!
Não sabes que é mortal tudo o que fazes?
És sempre o mesmo, tu, cujas razões supremas
São mordaças, grilhões, vendas, algemas.
Mártir, rebelde, poeta, - também eu
Sou sempre o mesmo Um que não morreu.
Porquê? Porque ao morrer, dos céus,
Lhe diz o próprio Deus:
“Filho, vem até mim!
“A História principia onde eles põem: fim.”
Podes roubar-me o pão!
A Fome, não.
A boca, sim: come ou não come.
Porém, como roubar a inextinguível Fome?
Inextinguível, porque pede
Um pão que nos excede:
Um pão que ninguém dá
Nem tirará.
Podes furtar-me todos os proveitos,
Expropriar-me, até, dos meus direitos!
Aos ventos darei eu meus gritos e canções,
E os ventos lhes farão mil edições.
Podes calar-me com mordaças,
Tu, que és mortal... e passas.
Passas, ao passo que o meu grito
Percute ao longo do Infinito...
Podes acorrentar-me às rochas das montanhas,
Pôr abutres roendo-me as entranhas!
Como das flores espalha o pólen,
O vento espalhará o sémen do Homem...
Podes cobrir-me o nome de impropérios;
Tu, que és senhor de impérios,
Negar ao pobre o seu só bem: a fama
Não brilha o sol na própria lama?
Podes tirar-me a paz, a saúde, e a própria vida.
Ai pedra sepulcral assaz fendida!
Que ao Cristo lhas tiraram,
Perderam-se e O ressuscitaram.
Podes, ás minhas cinzas, recobri-las
De terra e pedras; difundi-las
Pelos desertos sem oásis!
Não sabes que é mortal tudo o que fazes?
És sempre o mesmo, tu, cujas razões supremas
São mordaças, grilhões, vendas, algemas.
Mártir, rebelde, poeta, - também eu
Sou sempre o mesmo Um que não morreu.
Porquê? Porque ao morrer, dos céus,
Lhe diz o próprio Deus:
“Filho, vem até mim!
“A História principia onde eles põem: fim.”
A Felicidade Tribu
As horas vão passando a caminho de um novo ano. O tempo mostra-se comoo “clima” geral da Tribulandia: cinzento com tendência para aguaceiros. Os ”herois mediáticos” fazem da vergonha motivo de sensação. Alguns parece-me que deveriam era estar calados e não dizer palhaçadas. Ainda vão acabar por escrever memórias que baterão recordes de edição. Passemos adiante. Enquanto se anunciam aumentos substanciais de desemprego em vários sectores económicos, alguns aparecem sorridentes e orgulhosos a inaugurar estádios. Roma afunda-se e os senadores festejam em grandes banquetes. A História repete-se, dizem. Alguns periódicos têm mais fotografias de cimento que notícias. Ainda hei-de gostar de ver as contas de custos e proveitos para ver quem vai pagar (ou receber?) a conta final. Candidatos a prejuízos são desde já os pobres dos romanos, como diria o Astérix...
Nas novas naves espaciais (vulgo shopping) ficou um cheiro a despesismo que se vai esfumando com as primeiras promoções. Não ando cinco metros sem ver alguém com o telemobile na orelha. Valha-nos o sorriso de satisfação que provocam. Interrogo-me quem paga aquelas contas. Sento-me numa cafetaria. Um casal jovem está entretido, cada um com seu telemobile, falam longos minutos. Quando um para de telefonar, acaricia o objecto. Pousa-o e pega nele de novo . Marca, fala, gesticula. O outro parece-me fazer jogos, com uma rapidez de mãos impressionante. Uma jovem senta-se, sózinha, numa das mesas. Telemobile na mão não para de falar e rir. Outro casal beija-se (à francesa). Espero um pouco. Infalível. Lá vem o telemobile para as mãos dela. Lá se foi a imagem de romantismo. Saio da cafetaria e vou à primeira loja comprar um ”topo de gama”. Peço para me carregarem a bateria, rapidamente. Não posso perder a hipótese de me sentir bem e sorrir.
Nas novas naves espaciais (vulgo shopping) ficou um cheiro a despesismo que se vai esfumando com as primeiras promoções. Não ando cinco metros sem ver alguém com o telemobile na orelha. Valha-nos o sorriso de satisfação que provocam. Interrogo-me quem paga aquelas contas. Sento-me numa cafetaria. Um casal jovem está entretido, cada um com seu telemobile, falam longos minutos. Quando um para de telefonar, acaricia o objecto. Pousa-o e pega nele de novo . Marca, fala, gesticula. O outro parece-me fazer jogos, com uma rapidez de mãos impressionante. Uma jovem senta-se, sózinha, numa das mesas. Telemobile na mão não para de falar e rir. Outro casal beija-se (à francesa). Espero um pouco. Infalível. Lá vem o telemobile para as mãos dela. Lá se foi a imagem de romantismo. Saio da cafetaria e vou à primeira loja comprar um ”topo de gama”. Peço para me carregarem a bateria, rapidamente. Não posso perder a hipótese de me sentir bem e sorrir.
segunda-feira, dezembro 29, 2003
Grande novidade Tribu?
Não há bem que sempre dure, nem mal que não acabe. Assim acontece com a pacatez dos domingos. Meio sol, meio chuva, com resquícios de música natalícia e uma por outra loja aberta que o negócio não vai famoso.
Nesta tranquilidade, recebi um telefonema de uma amigo meu que me dava conta de uma grande acontecimento para 2004. Finalmente na Tribulandia iria formar-se um novo partido chamada Dakaomeu, com a sigla DKM. Que sim,que era verdade. O meu amigo, muito entusiasmado, informou-me que estava dentro do núcleo inicial e que os pedidos de adesão eram aos montes. Até já tinham o projecto de uma bandeira, com várias cores e, no meio uma nota ($). Nada de ideologias ultrapassadas, tudo com muito realismo e transparência. Politicamente correcto e correspondendo ao maior sonho dos tribus: enriquecer. Finalmente, o partido da verdade e o que nos tiraria a todos da crise.
Fiquei sem fala. E como era isso possível? Que depois me explicaria e que se houvesse tempo me arranjaria uma entrevista com o principal dinamizador o Manuel das Notas Gordas para o Tavares Riquinho dar o gosto ao gravador dos 300 ou bloco-notas, no caso do entrevistado não querer gravadas as suas momentosas palavras (para as quais alguns podem não estar preparados). Eu cá desconfio que ele prefere o bloco para se parecer com o ídolo dele. Desliguei mas fiquei curioso.
Nesta tranquilidade, recebi um telefonema de uma amigo meu que me dava conta de uma grande acontecimento para 2004. Finalmente na Tribulandia iria formar-se um novo partido chamada Dakaomeu, com a sigla DKM. Que sim,que era verdade. O meu amigo, muito entusiasmado, informou-me que estava dentro do núcleo inicial e que os pedidos de adesão eram aos montes. Até já tinham o projecto de uma bandeira, com várias cores e, no meio uma nota ($). Nada de ideologias ultrapassadas, tudo com muito realismo e transparência. Politicamente correcto e correspondendo ao maior sonho dos tribus: enriquecer. Finalmente, o partido da verdade e o que nos tiraria a todos da crise.
Fiquei sem fala. E como era isso possível? Que depois me explicaria e que se houvesse tempo me arranjaria uma entrevista com o principal dinamizador o Manuel das Notas Gordas para o Tavares Riquinho dar o gosto ao gravador dos 300 ou bloco-notas, no caso do entrevistado não querer gravadas as suas momentosas palavras (para as quais alguns podem não estar preparados). Eu cá desconfio que ele prefere o bloco para se parecer com o ídolo dele. Desliguei mas fiquei curioso.
domingo, dezembro 28, 2003
sábado, dezembro 27, 2003
Um Natal que passa
Uma noite de Natal em paz. Um esquecer do que se passou antes e uma esperança para o futuro. Um espírito que se renova a cada ano, mesmo que a realidade piore, dia a dia. Eis o milagre do Natal. Por breves horas, um sentimento de tranquilidade e um desejo de perdão. Também um dia de recolhimento, em família, essa instituição tão depedrada nos tempos modernos ( à Charlie Chaplin). Passeio pelas ruas desertas que me parecem mais interessantes do que nos momentos de correria. Imagino como poderia ser um pouco melhor o dia a dia. O meu pensamento diz-me que me iludo e que tudo voltará: egoísmo, maldade, frustação, sofrimento e dor, mas sinto, ao mesmmo tempo, que só a ignorância é mãe da maldade e que essa pode ser combatida. Melhorando o ensino, defendendo a saúde, eliminando, pouco a pouco, as situações aberrantes de pobreza material e mental, deixando de adorar cegamente o bezerro de ouro que nos envenena a todos e, embora não querendo impossiveis, esperar que os que detêm as rédeas do poder (económico e político) se abstraiam de olhar para a própria barriga e tratem de conseguir a imortalidade, não através do frio betão e de festivais, mas levando com a sua acção os demais para caminhos melhores. Verão, talvez, que um sorriso na face de outro ser humano pode ser mais compensador do que atingir os 200km por hora, tomar uma bebedeira numa “boite de luxo” ou usar uma marca de calças para se distinguirem de milhares iguais.
O verdadeiro Papa disse que se derrama demasiado sangue na humanidade. Nada mais certo. E se Cristo não estiver disposto a voltar à Terra par salvar a humanidade? E se Deus resolver castigar o homem por não saber usar a liberdade e discernimento que lhe deu?
O verdadeiro Papa disse que se derrama demasiado sangue na humanidade. Nada mais certo. E se Cristo não estiver disposto a voltar à Terra par salvar a humanidade? E se Deus resolver castigar o homem por não saber usar a liberdade e discernimento que lhe deu?
quarta-feira, dezembro 24, 2003
NOVO NATAL
PEDRO SANTOS
O meu Cristo nasceu na Somália
Rodeado de granadas e minas
Tendo nos braços uma cruz
Nos olhos a esperança
e na boca seca nada de vida
Como filme cor de rosa
Passam herois e mendigos
no coro das nações não erguidas
em que a tristeza mora longe
feita de terra sangrada
de peito e alma
O meu Cristo vai morrer
duma ou doutra forma
Já sem brinquedos brincando
O meu Cristo vai morrer
em New York, em Londres
ou num porto sem partida
Pouco a pouco esquecido
Mal o corpo sente
E a mãe que virgem não é
amaldiçoa o ventre e a vagina
de areia feita e de ânsia
qual folha de chá fervida
nas horas de mais uma notícia
O meu Cristo nasceu na Somália
Rodeado de granadas e minas
Tendo nos braços uma cruz
Nos olhos a esperança
e na boca seca nada de vida
Como filme cor de rosa
Passam herois e mendigos
no coro das nações não erguidas
em que a tristeza mora longe
feita de terra sangrada
de peito e alma
O meu Cristo vai morrer
duma ou doutra forma
Já sem brinquedos brincando
O meu Cristo vai morrer
em New York, em Londres
ou num porto sem partida
Pouco a pouco esquecido
Mal o corpo sente
E a mãe que virgem não é
amaldiçoa o ventre e a vagina
de areia feita e de ânsia
qual folha de chá fervida
nas horas de mais uma notícia
FELIZ E SANTO NATAL PARA OS QUE POR AQUI PASSAM
CARAVAGGIO- Pormenor de O Repouso durante a fuga para o Egipto
cerca de 1596-1597 -Roma, Galeria Doria Pamphili
terça-feira, dezembro 23, 2003
CONVERSA INFORMAL COM O MENINO
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Menino, peço-te a graça
de não fazer mais poema
de Natal.
Uns dois ou três, inda passa...
Industrializar o tema,
eis o mal.
Como posso, pergunto, o ano
inteiro, viver sem Cristo
(por sinal,
na santa paz do gusano)
e agora embalar-te: isto
é Natal?
Os outros fazem? Paciência,
todos precisam de vale...
Afinal,
em sua reta inocência,
diz-me o burro que me cale,
natural.
E o boi me segreda: Acaso
careço de alexandrino
ou jornal
para celebrar o caso
humano quanto divino,
hem, jogral?
Perdoa, Infante, a vaidade
a fraqueza, o mau costume
tão geral:
fazer da Natividade
um pretexto, não um lume
celestial.
Por isso andou bem o velho
do Cosme Velho, indagando,
marginal,
no seu soneto-cimélio,
o que mudou, como, quando,
No Natal.
Mudei, piorei? Reconheço
que não penetro o mistério
sem igual.
Não sei, Natal o teu preço,
e te contemplo, cimério,
a-pascal.
Vou de novo para a escola,
vou, pequenino, anular-me,
grão de sal
que se adoça ao som da viola,
a ver se me desperto um carme
bem natal.
Não será canto rimado,
verso concretista, branco
ou labial:
antes mudo, leve, agrado
de vento em flor no barranco,
diagonal.
Não venho à tua lapinha
pedir lua, amor ou prenda
material.
Nem trago qualquer coisinha
de ouro subtraído à renda
nacional.
Nossa conversa, Menino,
será toda silenciosa,
informal.
Não se toca no destino
e em duros trchos de prosa
lacrimal.
Não vou queixar-me da vida
ou falar (mal) do governo
brasilial.
Nem cicatrizar ferida
resultante do meu ser-no-
mundo actual.
Deixa-me estar longamente
junto ao berço, num enleio
colegial.
(Áquele que ´é menos crente,
um anjo leva a passeio:
é Natal.)
Prosterno-me, e teu sorriso
sugere, menino astuto
e cordial:
Careço de ter mais siso
e vislumbrar o Absoluto
neste umbral.
Sim, pouco enxergo. Releva
ao que falta a poesia,
e por al.
Gravura em branco, na treva:
a treva se aclara em dia
de Natal.
Menino, peço-te a graça
de não fazer mais poema
de Natal.
Uns dois ou três, inda passa...
Industrializar o tema,
eis o mal.
Como posso, pergunto, o ano
inteiro, viver sem Cristo
(por sinal,
na santa paz do gusano)
e agora embalar-te: isto
é Natal?
Os outros fazem? Paciência,
todos precisam de vale...
Afinal,
em sua reta inocência,
diz-me o burro que me cale,
natural.
E o boi me segreda: Acaso
careço de alexandrino
ou jornal
para celebrar o caso
humano quanto divino,
hem, jogral?
Perdoa, Infante, a vaidade
a fraqueza, o mau costume
tão geral:
fazer da Natividade
um pretexto, não um lume
celestial.
Por isso andou bem o velho
do Cosme Velho, indagando,
marginal,
no seu soneto-cimélio,
o que mudou, como, quando,
No Natal.
Mudei, piorei? Reconheço
que não penetro o mistério
sem igual.
Não sei, Natal o teu preço,
e te contemplo, cimério,
a-pascal.
Vou de novo para a escola,
vou, pequenino, anular-me,
grão de sal
que se adoça ao som da viola,
a ver se me desperto um carme
bem natal.
Não será canto rimado,
verso concretista, branco
ou labial:
antes mudo, leve, agrado
de vento em flor no barranco,
diagonal.
Não venho à tua lapinha
pedir lua, amor ou prenda
material.
Nem trago qualquer coisinha
de ouro subtraído à renda
nacional.
Nossa conversa, Menino,
será toda silenciosa,
informal.
Não se toca no destino
e em duros trchos de prosa
lacrimal.
Não vou queixar-me da vida
ou falar (mal) do governo
brasilial.
Nem cicatrizar ferida
resultante do meu ser-no-
mundo actual.
Deixa-me estar longamente
junto ao berço, num enleio
colegial.
(Áquele que ´é menos crente,
um anjo leva a passeio:
é Natal.)
Prosterno-me, e teu sorriso
sugere, menino astuto
e cordial:
Careço de ter mais siso
e vislumbrar o Absoluto
neste umbral.
Sim, pouco enxergo. Releva
ao que falta a poesia,
e por al.
Gravura em branco, na treva:
a treva se aclara em dia
de Natal.
domingo, dezembro 21, 2003
BOLO FELICIDADE
Free Clipart or Photos: www.ace-clipart.com
Prepara-se um molho de telenovela, lamecha quanto baste, e junta-se duas colheres
de manteiga de cacau e um rebuçado em pó. Mexe-se durante várias horas ao dia até
ganhar ponto. Adiciona-se uma boa porção de jogos da Liga, com declarações finais
de treinadores para ganhar consistência. Se possível, adicionar condimentos de guerra
entre presidentes. Volta-se a mexer tudo de novo. Leva-se a lume brando para amolecer.
Retira-se e junta-se meia dose de desgraças individuais avulsas. Bate-se com uma colher
de comentador político, durante a hora do telejornal. De preferência, juntar 2 colheres
de erudição. Para não ficar demasiado doce, juntar alguns acidentes de tráfego. Se já
estiver de lágrima no olho, descanse um pouco e veja os anúncios. Juntar, depois, uma
laranja espanhola para ter um paladar internacional. Leve ao forno, durante 8 horas.
Quando vir que já ganhou ponto, junte um pouco de discurso caridoso e algumas colheres
de estatística, mesmo que não perceba para que servem. Faça alguns buracos na massa
com uma colher de pau e encha-os de prestações suaves (aí umas 60). Decore o bolo com
um boneco de um ídolo e outro de um hooligan. Se o odor for parecido com algum queijo
francês, está pronto a ser servido. Pode também colocar uma vela de cera da cor do seu clube.
Ponha um sorriso feliz e esqueça-se da crise. Verá que o novo ano será cheio de prosperidades.
Classificações
Dou uma volta por outros blogs. Em muitos a preocupação de ser de esquerda ou de direita, pró ou conta os
USA, a favor ou contra Saddam, como se a realidade se dividisse em caixas rotuladas e os classificativos
definissem a qualidade das ideias e das acções. Preto e Branco. Duas cores que definem um universo que
me parece demasiado pardacento. Tão pardacento, que ao longo dos últimos anos o pensamento de muitos
se mudou de um extremo para o outro, acompanhado das correspondentes acções. Só que os valores e os
ideais se confinaram ao canto das gavetas. Passaram de moda. Acomodaram-se ao bem bom do relativismo.
E assim vamos perdendo identidade, humanismo, competitividade económica, coesão social e nos vemos
num túnel sem luz ao fundo. Talvez uma geração futura se liberte das amarras. Tenho essa esperança no
meu pensamento e recordo uma frase de GUERRA JUNQUEIRO
"os políticos consideram-me um poeta; os poetas , um político; os católicos julgam-me um ímpio; os ateus
um crente"
USA, a favor ou contra Saddam, como se a realidade se dividisse em caixas rotuladas e os classificativos
definissem a qualidade das ideias e das acções. Preto e Branco. Duas cores que definem um universo que
me parece demasiado pardacento. Tão pardacento, que ao longo dos últimos anos o pensamento de muitos
se mudou de um extremo para o outro, acompanhado das correspondentes acções. Só que os valores e os
ideais se confinaram ao canto das gavetas. Passaram de moda. Acomodaram-se ao bem bom do relativismo.
E assim vamos perdendo identidade, humanismo, competitividade económica, coesão social e nos vemos
num túnel sem luz ao fundo. Talvez uma geração futura se liberte das amarras. Tenho essa esperança no
meu pensamento e recordo uma frase de GUERRA JUNQUEIRO
"os políticos consideram-me um poeta; os poetas , um político; os católicos julgam-me um ímpio; os ateus
um crente"
sábado, dezembro 20, 2003
Quem desejaria ver na Presidência?
Encerramos o nosso inquérito Tribulano com os seguintes resultados:
Pimentinha - 58%
Tonecas -12%
Chantana Lopes - 8%
Filipinho - 8%
Papa - 8%
É ou não importante que a bola role?
Pimentinha - 58%
Tonecas -12%
Chantana Lopes - 8%
Filipinho - 8%
Papa - 8%
É ou não importante que a bola role?
A Papel de Cópia
FIALHO DE ALMEIDA
VIDA IRONICA (Jornal d´um Vagabundo)
"Com sobeja razão, dizia há pouco um publicista: Portugal, é Lisboa –sómente ele esqueceu de detalhar que Lisboa é apenas o Terreiro do Paço. A cidade cresce todos os dias em edificações de luxo, à custa da província, e á proporção sobretudo que vão augmentando os quadros burocraticos. A manga de lustrina tornou-se uma expressão de vadiagem, peor que umas certas que a policia corrige, pois se disfarça sob apparencias de trabalho, e levanta a grimpa em basofias d´independencia, tanto mais impunes, quanto mais insolvavel se vae tornando a miseria das outas classes. É da burocracia que os partidos monarchicos sacam a fantochada espuria que os defende, que os ampara e os constitue; e esta confraria d´espertos inuteis, que faz os parlamentos e os jornaes, os movimentos de opinião preponderante, a claque dos thronos e o esteio dos ministros devassos, esta confraria bem pressente a necessidade de se unir, como os pecegos do Demi-Monde, para ocultar ao publico a sua nodoa de podridão originaria. É ela a unica vacca nedia n´este miseravel paiz que tem nos ossos o rachitismo gallico de seis seculos de monarchias deprimentes. Ella a unica que manda e prepondera á nossa custa, e que para ter carruagens e palacios, festins e sedas, sancciona no parlamento os bill vergonhosissimos, consente no accrescimo dos impostos, por ter tudo a ganhar na partilha dos dinheiros do povo – do povo que ainda se não convenceu que os gatunos agora andam fardados!"
VIDA IRONICA (Jornal d´um Vagabundo)
"Com sobeja razão, dizia há pouco um publicista: Portugal, é Lisboa –sómente ele esqueceu de detalhar que Lisboa é apenas o Terreiro do Paço. A cidade cresce todos os dias em edificações de luxo, à custa da província, e á proporção sobretudo que vão augmentando os quadros burocraticos. A manga de lustrina tornou-se uma expressão de vadiagem, peor que umas certas que a policia corrige, pois se disfarça sob apparencias de trabalho, e levanta a grimpa em basofias d´independencia, tanto mais impunes, quanto mais insolvavel se vae tornando a miseria das outas classes. É da burocracia que os partidos monarchicos sacam a fantochada espuria que os defende, que os ampara e os constitue; e esta confraria d´espertos inuteis, que faz os parlamentos e os jornaes, os movimentos de opinião preponderante, a claque dos thronos e o esteio dos ministros devassos, esta confraria bem pressente a necessidade de se unir, como os pecegos do Demi-Monde, para ocultar ao publico a sua nodoa de podridão originaria. É ela a unica vacca nedia n´este miseravel paiz que tem nos ossos o rachitismo gallico de seis seculos de monarchias deprimentes. Ella a unica que manda e prepondera á nossa custa, e que para ter carruagens e palacios, festins e sedas, sancciona no parlamento os bill vergonhosissimos, consente no accrescimo dos impostos, por ter tudo a ganhar na partilha dos dinheiros do povo – do povo que ainda se não convenceu que os gatunos agora andam fardados!"
sexta-feira, dezembro 19, 2003
Surrealista
Para quem não acredita em OVNIS e extra-terrestres, aqui, testemunho que vi, ontem,
um autocarro dos serviços de transporte públicos passar num cruzamento com o
semáforo vermelho, bem evidente.
um autocarro dos serviços de transporte públicos passar num cruzamento com o
semáforo vermelho, bem evidente.
quinta-feira, dezembro 18, 2003
Sonho e realidade, passado e presente
RICHARD LINDNER - O Encontro, 1953 - The Museum of Modern Art - Nova Iorque
quarta-feira, dezembro 17, 2003
Um dia normal
Tento sair da garagem. Acciono o comando para abrir a porta. Paro em cima do passeio. Uma fila imensa de carros me aguarda. Troco olhares com três ou quatro condutores que avançando dois metros me tapam a saída. O quinto, mais benevolente, deixa-me entrar na fila. Agradeço, repetidas vezes. Ponho até o braço de fora para assinalar o meu reconhecimento. Chego ao cruzamento. Ao poder avançar, em frente, um que vinha em sentido contrário, pespega-se e corta a passagem. Mais adiante, uma caminheta, faz manobras em cima do passeio e, como paro, o condutor, aborrecido, faz-me sinal para passar por um buraco de agulha. Agradeço, em português. No semáforo seguinte, dois pobres condutores não reconhecem a cor vermelha e passam. Tudo isto no meio de muitos piscas ligados de carros mal estacionados (a perturbar o fluxo de trânsito, a sério). Paro para fazer umas compras. Ao subir a escada rolante, um jovem casal, à minha frente. Ele formal, de cinzento, chaves do carro numa mão e a outra vai-se entretendo a bater com pancadas, certas e ritmadas, não violentas nem acariciadoras, nas traseiras das calças de ganga. Ela pergunta, a certo tempo, porque lhe batia ele. Ele responde que era para ela avançar mais depressa. Ela sorri (?) e ele olha para trás com ar de afirmação. Desvio-me de tal romantismo. Como estou perto do escritório de um velho amigo,ligo-lhe para tomarmos um café. Tem que ser no escritório. Entro, cumprimento e acabo por assistir a trinta chamadas por telemóvel. Agradeço o café e sugiro uma cavaqueira, sem telemóveis, um destes dias. Volto para o inferno anterior. De repente, vejo alguém muito sorridente, a a caminhar no passeio. Longos minutos de felicidade por telemóvel. Que raio terão aquelas frequências?
Ouço Renato Zero. Qualquer coisa como “Libera”. Uma nova era se desenvolve perante mim. A era pós telemóvel.
Ouço Renato Zero. Qualquer coisa como “Libera”. Uma nova era se desenvolve perante mim. A era pós telemóvel.
terça-feira, dezembro 16, 2003
Casuística
Ligo o rádio. Procuro acordar ouvindo alguma música e dando o gosto ao dedo, mudando de estação. Ouço: João não controla o seu corpo, João tem a má sorte de ter a doença de Parkinson. João pode melhorar a sua qualidade de vida fazendo fisioterapia. Vamos todos contribuir para ajudar o João a ter sessões de fisioterapia. Contribua. Lembro-me de uma canção de Alfredo Zitarrosa, uma milonga, que diz, a determinado passo; “Desprezo a caridade pela vergonha que encerra”. Estas acções (possivelmente meritórias) vêm ao longo dos anos a nunca resolver coisa alguma. Haverá sempre outros João, Miguel, Luís, etc., a necessitar
do nosso “bondoso” coração. Damos uns euros e esquecemos que haverá muitos mais a precisar entre os 15000 afectados por esta horrível doença ou por outras.. Para que se organizou a sociedade em Estado? Para apenas aplicar leis sobre o património e coimas? Para que serve o sentido de Nação? Para que serve o nosso patriotismo? Para acompanhar a selecção nacional? Aprendi que serve para tratar dos problemas de todos nós e que não podem ser tratados individualmente, incluindo a salvaguarda dos direitos e dignidade dos seus cidadãos.. E entre o direito à liberdade não estará o direito à saúde ou ao seu tratamento quando for caso disso? Ou será que a saúde de um povo ou de parte dele é apenas um negócio sujeito à lei da oferta e da procura? Com tantos convertidos ao liberalismo “à tribu”, não me admira nada. Só que quando afirmam que não há dinheiro, poderiam, por exemplo, pensar em limitar o custo das viaturas dos autarcas, não lhes retirando dignidade, mas também não caindo em exageros como por aí se vê. Longa seria a potencial lista das poupanças.
Numa época em que celebramos o nascimento do Cristo Redentor, também celebramos o Seu sofrimento e o de tantos anónimos que o seguem com a sua pequena ou grande cruz.
do nosso “bondoso” coração. Damos uns euros e esquecemos que haverá muitos mais a precisar entre os 15000 afectados por esta horrível doença ou por outras.. Para que se organizou a sociedade em Estado? Para apenas aplicar leis sobre o património e coimas? Para que serve o sentido de Nação? Para que serve o nosso patriotismo? Para acompanhar a selecção nacional? Aprendi que serve para tratar dos problemas de todos nós e que não podem ser tratados individualmente, incluindo a salvaguarda dos direitos e dignidade dos seus cidadãos.. E entre o direito à liberdade não estará o direito à saúde ou ao seu tratamento quando for caso disso? Ou será que a saúde de um povo ou de parte dele é apenas um negócio sujeito à lei da oferta e da procura? Com tantos convertidos ao liberalismo “à tribu”, não me admira nada. Só que quando afirmam que não há dinheiro, poderiam, por exemplo, pensar em limitar o custo das viaturas dos autarcas, não lhes retirando dignidade, mas também não caindo em exageros como por aí se vê. Longa seria a potencial lista das poupanças.
Numa época em que celebramos o nascimento do Cristo Redentor, também celebramos o Seu sofrimento e o de tantos anónimos que o seguem com a sua pequena ou grande cruz.
domingo, dezembro 14, 2003
SERGE LAMA
Ouço Serge Lama. “Le dernier baiser”. Vejo-o pouco nos escaparates das nossas
lojas de discos. Talvez por ser um grande cantor francês. Talvez por ser francês.
Talvez por ser dum país que preza a cultura e a qualidade. Talvez por ser de um
país civilizado. E ainda por cima Campeões do Mundo e da Europa em futebol!
E vou deixando a imaginação voar. Me liberto da medíocre televisão que me
impingem. Deixo os grotescos discursos que repetem o “déjà vue”. Sinto-me mais
vivo. São minutos em que sinto a verdade de Descartes: Penso, logo existo
SERGE LAMA
lojas de discos. Talvez por ser um grande cantor francês. Talvez por ser francês.
Talvez por ser dum país que preza a cultura e a qualidade. Talvez por ser de um
país civilizado. E ainda por cima Campeões do Mundo e da Europa em futebol!
E vou deixando a imaginação voar. Me liberto da medíocre televisão que me
impingem. Deixo os grotescos discursos que repetem o “déjà vue”. Sinto-me mais
vivo. São minutos em que sinto a verdade de Descartes: Penso, logo existo
SERGE LAMA
sábado, dezembro 13, 2003
De boas intenções...
Um homem morreu há dias de frio numa das principais cidades. Um apontamento televisivo dá-nos conta do sucedido e entrevista o homem que o encontrou. Mal lhe viu a cara. Coberto com um cobertor, desconheço o seu destino. A seguir um anúncio de um produto qualquer na tentativa de encher o olho do potencial consumidor. Teria família? Como teriam sido os Natais anteriores? O que o levou a dormir ali, no chão? Produto sem utilidade? Descartável jogado fora sem apelo nem agravo? Dizem que há muitos mais, na mesma situação mas que não morrem de frio. Morremos todos um pouco porque a sua solidão também nos gela.
quinta-feira, dezembro 11, 2003
Do sonho à realidade
Ouvi hoje que os americanos tencionam voltar à Lua. Segundo as sondagens 53% da população é favorável e vê com bons olhos esta nova aventura no espaço.Têm tecnologia, capacidade económica, são líderes mundiais e fica-lhes bem concretizar (uma vez mais) um dos sonhos da humanidade que já ultrapassou a ficção de Julio Verne.
Na Tribulandia, alguns, também sonhamos com a Lua mas de uma forma mais romântica, outros vivem nela, em permanência, outros mais afoitos e expeditos aguardam a possibilidade de viajar até ela a prestações suaves (60 ou mais), dependendo da extensão da crise e alguns jogam na Eurobolsa (vá-se lá saber qual delas!).
Os mais terrenos inauguraram há dias uma escola de futebol para bébés ( a partir dos 4 anos), para como diz o velho ditado “De pequenino se torcer o pepino”. Aprenderão as técnicas, teórica e praticamente, começando pelos problemas do balneário e equipamentos e assim sucessivamente. Dentro de alguns anos, isto vai produzir frutos, certamente, e teremos em quantidade vários Figos, Quaresmas e outros para exportar.
Finalmente, o almejado equilíbrio da balança comercial. E por que não um modelo económico tipo América Latina? Pensamos ser uma ideia a desenvolver. Poderá até contribuir para a diminuição da venda de património público, novas receitas de publicidade, marcas de chuteiras tribulanas internacionais e visitas turísticas guiadas a estádios. Nada desses aborrecidos museus e palácios antigos, evidentemente, ultrapassados. Vejo uma luz ao fundo do túnel.
Conselho do dia - Não deixe de utilizar o telemóvel com uma das suas mãos ao conduzir, e não gaste os eu rico dinheiro em instalação de um kit (sem mãos). A condução é mais divertida e todos verão a
sua habilidade e capacidade de comunicação.
RUBÉN GONZÁLEZ
Homenagem a um grande pianista
Morreu aos 84 anos o pianista de "Buena Vista Social Club"
Rubén González
Morreu aos 84 anos o pianista de "Buena Vista Social Club"
Rubén González
terça-feira, dezembro 09, 2003
Atribulações Generalizadas
Na Tribulandia é muito complicado acordar. Depois de uns sonhos mais ou menos agradáveis, entre um café e um banho, liga-se o rádio para animar a ainda presente sonolência. De vez em quando um fórum. Interessantes os temas, muitas vezes, mas levando-nos à triste realidade, mesmo antes de pormos o pé fora de casa. Hoje o tema era a nomeação do novo Comandante da Brigada de Trânsito. Algumas interessantes intervenções ( prova de que a inteligência ainda anda por aí distribuída) mas muito más notícias. Desde as promessas não cumpridas nas eleições, passando pela resolução casuística das situações, falta de meios de defesa das polícias, corrupcções generalizadas, civilismos exagerados, adiamento de resoluções por parte de ministros, clima de insegurança, agentes que são baleados com armamento superior, etc., etc....
Antigamente, tínhamos uma polícia autoritária e trataram de a desautorizar. Em nome de um democraticismo cego, toca a fazer os agentes pagar as fardas rotas e os consertos dos automóveis (dizem?), toca de os retirar da rua, toca de levantar inquéritos por tudo e por nada, toca de os motorizar e concentrar(?), toca de os por a caçar multas e pior do que isso a fazer vista grossa, em algumas situações. De repente, quisemos ter uma polícia britânica em 24 horas. Só que já a vi actuar e perante más atitudes reagem (e bem)) sem grandes hesitações. Parece que também foi feito um esforço para aumentar o nível de habilitações mas a nível geral a sensação é de pouco apoio ao pacato cidadão. Esta mudança de actuação só aconteceu na polícia? E nas escolas onde muitos professores são enxovalhados e têm medo de dar aulas? E nos balneários onde se festejam vitórias? E no trânsito citadino?
O problema é que grande parte da nossa sociedade deixou de respeitar o outro. E como sempre passamos do oito ao oitenta. Ou socialismo já ou capitalismo selvagem. Nada de meios termos. Ou autoritarismo cego ou mandamos todos, e em tudo. Impávidos e serenos, vamos assistindo a um fenómeno de desagregação social cujas consequências não são dificeis de prever. Já agora, continuem a tirar verbas às escolas para reduzir o nível de educação e civismo. Invistam antes em cimento.
Antigamente, tínhamos uma polícia autoritária e trataram de a desautorizar. Em nome de um democraticismo cego, toca a fazer os agentes pagar as fardas rotas e os consertos dos automóveis (dizem?), toca de os retirar da rua, toca de levantar inquéritos por tudo e por nada, toca de os motorizar e concentrar(?), toca de os por a caçar multas e pior do que isso a fazer vista grossa, em algumas situações. De repente, quisemos ter uma polícia britânica em 24 horas. Só que já a vi actuar e perante más atitudes reagem (e bem)) sem grandes hesitações. Parece que também foi feito um esforço para aumentar o nível de habilitações mas a nível geral a sensação é de pouco apoio ao pacato cidadão. Esta mudança de actuação só aconteceu na polícia? E nas escolas onde muitos professores são enxovalhados e têm medo de dar aulas? E nos balneários onde se festejam vitórias? E no trânsito citadino?
O problema é que grande parte da nossa sociedade deixou de respeitar o outro. E como sempre passamos do oito ao oitenta. Ou socialismo já ou capitalismo selvagem. Nada de meios termos. Ou autoritarismo cego ou mandamos todos, e em tudo. Impávidos e serenos, vamos assistindo a um fenómeno de desagregação social cujas consequências não são dificeis de prever. Já agora, continuem a tirar verbas às escolas para reduzir o nível de educação e civismo. Invistam antes em cimento.
segunda-feira, dezembro 08, 2003
Mulheres mal amadas
Segundo um telejornal de hoje 7 em cada 10 mulheres atendidas nos hospitais
foram agredidas em casa
foram agredidas em casa
Movimento sem sentido
Eu sei que é época de espírito de Natal, embora ele pareça vogar nos meandros dos shopping centers, apenas. Pus os olhos numa notícia de jornal. “Quatro em cada cinco condutores circulam em excesso de velocidade dentro das povoações”. Wow!!!
Para além dos excessos nas estradas, este parece-me particularmente grotesco. Mesmo
com as obras infindáveis e os buracos da nossa estima, mesmo com as ruas não desenhadas para tanto trâfego, mesmo com o custo de gasolina, a crise, a imensidão de carros em circulação, o mau estacionamento e os inúmeros semáforos, ainda há lugar para dar o gosto ao pé direito? E porquê? Porquê essa ânsia desmesurada de causar sensação e de se mover tão depressa? Que pensamentos encerram aquelas cabeças?
Eu tenho visto travagens bruscas ao chegar aos semáforos, já vermelhos, apitadelas a senhoras que se distraiem e atravessam fora da passadeira, travagens dentro das mesmas, arranques com vermelho posto e por aí fora. Para já não falar dos insultos velados ou explícitos e até mesmo de cenas de pancadaria, por uma simples ultrapassagem. . Não é portanto uma novidade mas mesmo assim assusta.
Desde logo, parece-me que estas pessoas têm problemas. Deveriam consultar um psicólogo. Vidas com stress constante, má estabilidade emocional ao nível do amor e das amizades, dificuldade em sentir o essencial de viver em comunidade, egoísmo elevado ao absurdo, intranquilidade, falta de confiança em si mesmo, má educação, maus filmes, má leitura, etc. etc...Seria caso para perguntar se, por acaso, chegam a algum lado?
E se chegam dois minutos mais cedo o que lhes adianta? Perdem o início duma ópera? Salvam alguém que necessita de médico? Creio bem que nada disso.
Desculpo-os, muitas vezes, porque penso que devem ser demasiado infelizes. Muito influenciados por uma cultura cega do ego, por umas escolas que não vão além do saber ler e contar, por uma competitividade estúpida, não baseada ciência e na técnica, mas sim na agressividade primitiva e pela adoração da imagem sem conteúdo. Que mundo temos vindo a construir? Será que regressaremos ao nível dos primatas? Não me admiraria muito. Salve-se quem puder, eis o grande princípio filosófico dos dias de hoje.
E não me atirem com as culpas disto para o Governo.
Os que ficarem para trás que se aguentem. Eu existo. Eu sou. Eu valho. Eu tenho.
Valores fazem já parte do baú das recordações. Viva a nova era.
Para além dos excessos nas estradas, este parece-me particularmente grotesco. Mesmo
com as obras infindáveis e os buracos da nossa estima, mesmo com as ruas não desenhadas para tanto trâfego, mesmo com o custo de gasolina, a crise, a imensidão de carros em circulação, o mau estacionamento e os inúmeros semáforos, ainda há lugar para dar o gosto ao pé direito? E porquê? Porquê essa ânsia desmesurada de causar sensação e de se mover tão depressa? Que pensamentos encerram aquelas cabeças?
Eu tenho visto travagens bruscas ao chegar aos semáforos, já vermelhos, apitadelas a senhoras que se distraiem e atravessam fora da passadeira, travagens dentro das mesmas, arranques com vermelho posto e por aí fora. Para já não falar dos insultos velados ou explícitos e até mesmo de cenas de pancadaria, por uma simples ultrapassagem. . Não é portanto uma novidade mas mesmo assim assusta.
Desde logo, parece-me que estas pessoas têm problemas. Deveriam consultar um psicólogo. Vidas com stress constante, má estabilidade emocional ao nível do amor e das amizades, dificuldade em sentir o essencial de viver em comunidade, egoísmo elevado ao absurdo, intranquilidade, falta de confiança em si mesmo, má educação, maus filmes, má leitura, etc. etc...Seria caso para perguntar se, por acaso, chegam a algum lado?
E se chegam dois minutos mais cedo o que lhes adianta? Perdem o início duma ópera? Salvam alguém que necessita de médico? Creio bem que nada disso.
Desculpo-os, muitas vezes, porque penso que devem ser demasiado infelizes. Muito influenciados por uma cultura cega do ego, por umas escolas que não vão além do saber ler e contar, por uma competitividade estúpida, não baseada ciência e na técnica, mas sim na agressividade primitiva e pela adoração da imagem sem conteúdo. Que mundo temos vindo a construir? Será que regressaremos ao nível dos primatas? Não me admiraria muito. Salve-se quem puder, eis o grande princípio filosófico dos dias de hoje.
E não me atirem com as culpas disto para o Governo.
Os que ficarem para trás que se aguentem. Eu existo. Eu sou. Eu valho. Eu tenho.
Valores fazem já parte do baú das recordações. Viva a nova era.
sábado, dezembro 06, 2003
FIALHO D´ALMEIDA - Vida Ironica
JORNAL D´UM VAGABUNDO
"Por fórma, que emquanto por toda a parte os que trabalham, gemem a nulidade
dos seus esforços, maldizendo a terra cançada que lhes não produz colheitas,
o desprezo do comprador pelos produtos das fabricas nacionaes, a retracção do
capital portuguez no auxiliar das coisas nossas, sejam ellas quaes forem, venham
d´onde vierem – enquanto nas provincias, a charneca se apodera dos terrenos
araveis, a vinha morre, os olivaes definham, os castanheiros apodrecem, o camponez
emigra, e as grandes casas aluem de hypothecas, vê-se o formigueiro dos parasitas
gordos, marchando de todos os pontos do paiz, direiro á capital , a procurar nos
bastidores da politica, talisca por onde metter as mandibulas nos celeiros do Estado,
que d´ora avante terá de constituir-se em patrono de todas as vadiagens, e em esmoler-
-mor de todas as preguiças."
"Por fórma, que emquanto por toda a parte os que trabalham, gemem a nulidade
dos seus esforços, maldizendo a terra cançada que lhes não produz colheitas,
o desprezo do comprador pelos produtos das fabricas nacionaes, a retracção do
capital portuguez no auxiliar das coisas nossas, sejam ellas quaes forem, venham
d´onde vierem – enquanto nas provincias, a charneca se apodera dos terrenos
araveis, a vinha morre, os olivaes definham, os castanheiros apodrecem, o camponez
emigra, e as grandes casas aluem de hypothecas, vê-se o formigueiro dos parasitas
gordos, marchando de todos os pontos do paiz, direiro á capital , a procurar nos
bastidores da politica, talisca por onde metter as mandibulas nos celeiros do Estado,
que d´ora avante terá de constituir-se em patrono de todas as vadiagens, e em esmoler-
-mor de todas as preguiças."
Foto do meu primo Joaquim em Vassora em ameno passeio
Moral da estória - A guerra é óptima para quem nunca lá andou
sexta-feira, dezembro 05, 2003
quarta-feira, dezembro 03, 2003
DISCRIMINAÇÕES
Hoje vi na Euronews um programa interessante sobre discriminação. Entre as várias existentes na
União Europea, destacaram a discriminação por motivos de idade. Sim,ela também existe ao lado
da étnica, religiosa, sexual e outras. Contava alguns casos,entre eles, o de uma alta dirigente de
uma multinacional que aos 53 anos se viu despedida.
Com muitos elogios e uma festa, onde ela, claro, se sentiu desajustada.A justificação dada era que
naquela idade era conveniente mudar de emprego! Demorou ano e meio a arranjar novo emprego
e para ser recebida em entrevistas foi necessário não indicar a idade. A União Europea prepara a
entrada em vigor de directiva que entrará em vigor em pricípios de Dezembro mas só 5 (cinco!) países
a aplicarão para já. Os restantes terão 3 anos para se conformarem.
Uma novidade é que as empresas terão que provar que a acusação de discriminação é falsa.Aplaudo!
Existem pessoas que raciocinam na UE e que têm sentido do que é a dignidade humana.
A seguir, um Banco holandês "Rabobank" de grande dimensão ( nove milhões de clientes e 5928
empregados) apresenta uma secção que trata da diversidade, como parte integrante da sua cultura
de empresa. Vejo um grande Banco que não pensa só para o dia seguinte e perspectiva o amanhã. E
claro, o Banco não é nenhuma ONG.
O tema é vasto e mereceria uma análise bem profunda. Mas como são sinais muito importantes, aqui
ficam para reflexão dos nossos "mestres" entendidos em gestão. Na Tribulandia os trabalhadores
são quase considerados como as máquinas e quando já parece exigirem uma manutenção, rua com
eles. A Segurança Social que os aguente. Já deram o que tinham a dar, venha sangue novo. Assim,
equilibramos a sociedade! Têm-se visto os resultados. E outros se verão...
EURONEWS
União Europea, destacaram a discriminação por motivos de idade. Sim,ela também existe ao lado
da étnica, religiosa, sexual e outras. Contava alguns casos,entre eles, o de uma alta dirigente de
uma multinacional que aos 53 anos se viu despedida.
Com muitos elogios e uma festa, onde ela, claro, se sentiu desajustada.A justificação dada era que
naquela idade era conveniente mudar de emprego! Demorou ano e meio a arranjar novo emprego
e para ser recebida em entrevistas foi necessário não indicar a idade. A União Europea prepara a
entrada em vigor de directiva que entrará em vigor em pricípios de Dezembro mas só 5 (cinco!) países
a aplicarão para já. Os restantes terão 3 anos para se conformarem.
Uma novidade é que as empresas terão que provar que a acusação de discriminação é falsa.Aplaudo!
Existem pessoas que raciocinam na UE e que têm sentido do que é a dignidade humana.
A seguir, um Banco holandês "Rabobank" de grande dimensão ( nove milhões de clientes e 5928
empregados) apresenta uma secção que trata da diversidade, como parte integrante da sua cultura
de empresa. Vejo um grande Banco que não pensa só para o dia seguinte e perspectiva o amanhã. E
claro, o Banco não é nenhuma ONG.
O tema é vasto e mereceria uma análise bem profunda. Mas como são sinais muito importantes, aqui
ficam para reflexão dos nossos "mestres" entendidos em gestão. Na Tribulandia os trabalhadores
são quase considerados como as máquinas e quando já parece exigirem uma manutenção, rua com
eles. A Segurança Social que os aguente. Já deram o que tinham a dar, venha sangue novo. Assim,
equilibramos a sociedade! Têm-se visto os resultados. E outros se verão...
EURONEWS
segunda-feira, dezembro 01, 2003
Orçamento familiar
Hoje fizemos uma importante reunião, cá em casa. Como todo o mundo fala em regabofe, decidimos fazer
alguns cortes no nosso orçamento familiar e assim dar um contributo para o equilíbrio das Finanças. Tomei a presidência e estavam presentes a minha querida Lurdinhas (embora eu não lhe bata), o meu filho Juca e a minha filhaSissi.
Depois de uma acalorada discussão chegamos a algumas conclusões, embora o meu Juca seja dado a francesismos e queria manter o défice. Ameacei-o, que assim, ficaria pequenino como o Marcos Mindinho e não iria a lado nenhum. E quais foram as nossa conclusões? Muito fácil de adivinhar:
- Poupar nos cortes de cabelo. Eu, estou mesmo, a pensar deixar crescer a barba para não utilizar lâminas importadas da Gillette.
-Não lavar tantas vezes a cabeça e poupar nos champôs estrangeiros. Usar as mesmas camisas durante, pelo menos, uma semana, e poupar no Tide..
- Deixarmos de fumar que mata e engorda as tabaqueiras. O meu Juca diz que assim já não teremos Grandes Prémios de Automobilismo e votou contra.
- Deixar de comer bifes do lombo, pescada fresca, linguado e outros e passar a comer alimentos já cozinhados como hamburguers, pizzas, folhados de porco e outros mais nutritivos. A Lurdinhas aplaudiu a decisão.
-Deixar de beber leite e de comer qualquer lacticínio, exceptuando os “Silhueta” para mantermos a linha.
- Tirar o Juca e a Sissi da Faculdade. Poupa-se dinheiro ao Estado e não vejo o que andam lá a fazer. A rapariga vai concorrer a um concurso de cantadeiras e o rapaz vai para uma escola de pontapé na bola. Ainda podemos ter um futuro brilhante se ele acertar nas balizas. Olhem para o Figas, nosso vizinho que até casou com uma modelo bem jeitosa.
- Deixar de comprar livros, tais como romances e poesia, que só servem para meter más ideias na cabeça. Continuar a ler “As Bolas”, os “Rekordes”, os “Vipes” e as “Holas” que nos alimentam a alma e o coração.
-Zanguei-me com a minha Sissi porque queria continuar a ir ao cinema ver filmes de realizadores esquisitos.
Com estes e outros cortes pensamos que já conseguiremos trocar de carro (sonho com um BM em segunda mão mas artilhado), comprar uma televisão de plasma para vermos melhor as novelas, aumentar o número de telemóveis para 15 (temos apenas 3 por pessoa) e ir de férias à Jamaica. Fui inflexível quanto a eu cortar na despesa com o Euro (quero ir a todos os jogos) porque era anti-patriótico.
alguns cortes no nosso orçamento familiar e assim dar um contributo para o equilíbrio das Finanças. Tomei a presidência e estavam presentes a minha querida Lurdinhas (embora eu não lhe bata), o meu filho Juca e a minha filhaSissi.
Depois de uma acalorada discussão chegamos a algumas conclusões, embora o meu Juca seja dado a francesismos e queria manter o défice. Ameacei-o, que assim, ficaria pequenino como o Marcos Mindinho e não iria a lado nenhum. E quais foram as nossa conclusões? Muito fácil de adivinhar:
- Poupar nos cortes de cabelo. Eu, estou mesmo, a pensar deixar crescer a barba para não utilizar lâminas importadas da Gillette.
-Não lavar tantas vezes a cabeça e poupar nos champôs estrangeiros. Usar as mesmas camisas durante, pelo menos, uma semana, e poupar no Tide..
- Deixarmos de fumar que mata e engorda as tabaqueiras. O meu Juca diz que assim já não teremos Grandes Prémios de Automobilismo e votou contra.
- Deixar de comer bifes do lombo, pescada fresca, linguado e outros e passar a comer alimentos já cozinhados como hamburguers, pizzas, folhados de porco e outros mais nutritivos. A Lurdinhas aplaudiu a decisão.
-Deixar de beber leite e de comer qualquer lacticínio, exceptuando os “Silhueta” para mantermos a linha.
- Tirar o Juca e a Sissi da Faculdade. Poupa-se dinheiro ao Estado e não vejo o que andam lá a fazer. A rapariga vai concorrer a um concurso de cantadeiras e o rapaz vai para uma escola de pontapé na bola. Ainda podemos ter um futuro brilhante se ele acertar nas balizas. Olhem para o Figas, nosso vizinho que até casou com uma modelo bem jeitosa.
- Deixar de comprar livros, tais como romances e poesia, que só servem para meter más ideias na cabeça. Continuar a ler “As Bolas”, os “Rekordes”, os “Vipes” e as “Holas” que nos alimentam a alma e o coração.
-Zanguei-me com a minha Sissi porque queria continuar a ir ao cinema ver filmes de realizadores esquisitos.
Com estes e outros cortes pensamos que já conseguiremos trocar de carro (sonho com um BM em segunda mão mas artilhado), comprar uma televisão de plasma para vermos melhor as novelas, aumentar o número de telemóveis para 15 (temos apenas 3 por pessoa) e ir de férias à Jamaica. Fui inflexível quanto a eu cortar na despesa com o Euro (quero ir a todos os jogos) porque era anti-patriótico.
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