terça-feira, janeiro 24, 2006

A estabilidade essencial à estagnação

A estabilidade na Tribulandia é tanta que a maioria do povo não sairá tão cedo da cepa torta.

As andanças de um povo

Finalmente os habitantes da Tribulandia encontraram a felicidade através da mudança para o Cavaquistão, terra das múmias paralíticas, da desmemória e junto do Alcácer-Quibir. Uma nova cruzada de indiferença se organiza para adormecer os pobres mouros (de trabalho). Um dos grandes sonhos desta ilustre grei é conseguir "leasings" de jeeps e Mercedes a 120 meses com os quais perseguirá o Santo Graal, bem montada. Tudo a bem da estabilidade.

Há males que vêm por bem

A grande alegria política dos últimos anos é que a vitória do Prof. Cavaco e Silva significa a saída de Jorge Sampaio e o "enterrar" de "Mon ami", sus muchachos e paliativos decorrentes do nem lá vou, nem faço minga.

Haja justiça

JN
Plano de acção para proteger os animais


A Comissão Europeia (CE) adoptou ontem um plano de acção para os próximos cinco anos que visa proteger o bem-estar dos animais, evitando sobretudo a sua utilização em experiências científicas.
O plano de acção 2006-2010 prevê a criação de normas mínimas de protecção do direito dos animais - estendida a várias espécies -, e a recompensa às indústrias que apliquem práticas de protecção superiores às exigidas.

É caso para perguntar quando criarão um plano de acção para proteger o homem de certas experiências políticas...

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Homenagem a um poeta


gapingvoid

Os "involuntários" descuidos

JN

Polémica
Discurso de Alegre "interrompido involuntariamente"
Porta-voz do PS diz que Sócrates desconhecia que o candidato estava a falar

José Sócrates “interrompeu involuntariamente” o discurso de Manuel Alegre, quando reagiu aos resultados das eleições Presidenciais pouco depois do candidato iniciar a sua declaração à imprensa.
Em declarações à Agência Lusa, o porta-voz do PS, Vitalino Canas, garantiu que "não havia qualquer intenção de interromper as declarações de Manuel Alegre, que tínhamos toda a curiosidade e interesse em ouvir".


Ficamos cheios de pena por este azar de o barulho das canas não permitir escutar Manuel Alegre

A grande farsa trágico-cómica

O pano caíu depois da grande representação. Uns fizeram-se compungidos, outros ressalvaram o desastre premeditado e muitos tiraram a máscara. No fundo, tudo estava preparadoo para o candidato de direita que se diz de esquerda ganhasse e fizesse companhia ao governo de direita que se diz de esquerda. Juntos, finalmente, como a figura invertida de uma carta de jogar, talvez um joker, encetarão o caminho final do enterro das ideologias que tão bem lhes sabe para desgraçarem muitos a favor de alguns. Os espectadores que ficaram em casa continuarão a senda da ignorância e os que levaram "o simpático" a votar, esperam alguma migalha dos restos do banquete. Desesperados, os pequenitos, lamentam talvez a derrota do poeta. Ou será que todos ganharam? Os sem emprego, os sem educação e os sem saúde têm pouco a festejar com as reformas de miséria. O declive aí está, imponente e sereno, à espera de novas consciências. Décadas, séculos ou eternidades para o aparecimento de uma sociedade mais justa nos esperam. No meio de tudo isto só a morte é democrática.

domingo, janeiro 08, 2006

Manuel Alegre - O homem e a esperança

Os cravos já foram parar às sarjetas da inutilidade e as bandeiras da esperança substituídas pelos panos pretos do desemprego e da miséria. A alegria constange-se no interior das latas de quatro rodas e na comunicação dos telemóveis. Uma juventude desorientada ilude-se no consumo fácil e descura a sua realização pessoal, incentivada pelas contínuas campanhas de egoísmo que lhes inculcam também sentimentos de insegurança e lhes apontam o caminho da solidão e do trabalho sem satisfação. Os velhos perdidos na sua inutilidade produtiva vão-se acabando no lento desenrolar dos dias sem diferença. A economia passou a ser apenas dos espertos e não dos empreendedores, afundando-se nas metodologias da ignorância e da submissão a interesses estrangeiros. O amor deu lugar ao egoísmo compartido e ao visual mediático das top stars. O sexo também é mercadoria e não poesia como canta uma brasileira. As instituições deixaram de obedecer a princípios e seguem o caminho dos interesses. A linha ténue da fronteira esbate-se e apenas falta rasgar a bandeira do sonho colectivo. A vitória das múmias parece já assegurada pelo establishment. No meio de tudo isto, apenas Manuel Alegre parece poder carregar as résteas do sonho de ser português. Tem defeitos? Claro que não é perfeito mas será a última luz que poderá evitar a cegueira total.

O sonho desapareceu e o estilo de vida continua cinzento

O que aconteceu à democracia da Tribulandia

gapingvoid

Um laxante político

DN
Louçã diz que avanço de Cavaco é um "tónico"

O candidato presidencial Francisco Louçã recusou ontem baixar os braços perante a vantagem que as sondagens dão a Cavaco Silva, dizendo que essa diferença constitui um "tónico" para a sua campanha. Um tónico que permite mesmo que a sua campanha "cresça e se revigore todos os dias".

Tem é sabor a óleo de rícino...

Uma coisa é a teoria, outra é a prática

DN
O que espero do Presidente
nuno severiano teixeira

As funções do Presidente da República resultaram, sempre, de duas coisas os poderes formais da Constituição e a prática política do regime. E, de um modo geral, os poderes constitucionais que um regime confere ao PR são uma reacção contra a experiência política do regime anterior. Foi assim com a república e o Estado Novo. E é assim com a democracia.
(...)
O Estado Novo, vagamente herdeiro do sidonismo e da ditadura militar, criou um PR forte. Em teoria, que não na prática. Contra a experiência republicana, a Constituição conferiu ao PR legitimidade e estabilidade. Era eleito por sufrágio directo e por sete anos. O Governo respondia perante o PR e não perante o Parlamento. Tinha direito de veto e de dissolução do Parlamento. Porém, uma coisa era a Constituição, outra a prática política. E nenhum outro regime foi tão longe na distância abissal entre os poderes constitucionais e a prática política. E na prática o que aconteceu foi que o presidencialismo do presidente do Conselho esvaziou a Presidência.


Actualmente uma das grandes funções do cargo é produzir lamúrias e boas intenções, não falando já da choradeira e da imposição de medalhas.

Tal e qual na Tribulandia - O paraiso em 2090


nicholsoncartoons

A autocensura e a complacência com a mediocridade

JN
Vão-se os anéis, salvem-se os dedos

Quando há anos soube que a Assembleia Municipal do Marco (com um voto contra) havia aprovado uma proposta para que fossem recusadas as minhas crónicas neste Jornal, pensei que isso se reduzia à concepção que Ferreira Torres tinha da democracia. Mas, ressalvadas as devidas distâncias, tenho de reconhecer que está a ser desenvolvida uma cultura de poder que tem da informação uma noção parecida. Perdeu-se a noção de que a liberdade de imprensa é um bem da sociedade antes de ser um direito de profissionais. E, como bem fez notar Hannah Arendt, tal liberdade só pode ser exercida do exterior da esfera política e, em democracia, não existe delito de opinião. A responsabilização dos jornalistas faz-se pelo direito de resposta e pelo recurso aos Tribunais.
Mas, para além do procurar banir a escrita de um cronista inconveniente ou do "blackout", o poder político encontra sempre outras formas de coagir a liberdade de imprensa pressiona os jornalistas a desenvolverem, no seu trabalho, uma autocensura que embarace a sua livre interpretação dos factos, restrinja o seu sentido crítico e escrevam ou revelem somente o que é agradável.

A concepção actual de democracia actual baseia-se muito no abanar da cauda ao acenar do poder.

Ensino para quem e para quê?

JN
Alunos sem sucesso com currículos alternativos


Os alunos do Ensino Básico sem sucesso escolar ou com problemas de adaptação vão ter turmas com currículos próprios a partir do próximo ano lectivo.
O despacho normativo nº1/2006 define que o "percurso curricular alternativo" será concebido com base na "caracterização do grupo de alunos" alvo, a par das "competências essenciais a desenvolver" para cumprimento do Ensino Básico e habilitações de ingresso.
(..)
Estes currículos destinam-se a grupos específicos, com um mínimo de dez elementos, de alunos até aos 15 anos de idade, que configurem casos de insucesso escolar repetido. Também poderão ser incluídos alunos com problemas de integração, ameaça de risco de marginalização, exclusão social ou abandono escolar.


É evidente que existe uma situação desigual nas condições básicas de vida na altura do acesso ao ensino que determina, na maior parte dos casos, o insucesso à partida. Enquanto a sociedade produzir excluídos o ensino não atingirá a maioria dos jovens. Muitos estarão destinados à marginalidade, em sentido amplo.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Tal e qual os políticos da Tribulandia


gapingvoid

A importância do que é possível

Jorge Sampaio assume
grave crise na Justiça


Jorge Sampaio garantiu, ontem, ter procurado evitar a crise na justiça “enquanto tal foi possível”. Depois disso, tem “contribuído para conter” os seus “piores efeitos”, declarou na sua última mensagem de Ano Novo como presidente da República, que também aproveitou para enaltecer a importância do chefe de Estado e, a partir daí, apelar ao voto a 22 deste mês.

Do mal o menos. Só que é muito pouco, infelizmente.

O novo ano apresenta-se

Depois das festanças, das compras e dos sorrisos prazenteiros eis um novo ano que se apresenta cheio de facturas a pagar. Aumentos virão certamente do lado da despesa mas não do lado das receitas. Isto, para quem viver do trabalho ou das reformas. Haverá, sempre, os espertos do costume que se encarregarão de achar processos de encher os bolsos à custa do alheio, "legal" ou ilegalmente. Continuaremos fiéis espectadores de uma realidade que não comandamos e que nos é servida a cores pela televisão. O futebol continuará a servir de Prozac para a grande maioria e os escândalos servirão apenas para passar o tempo. Tempo que passará também, benignamente, para alguns arguídos de processos mediáticos. Alguém se sentará na cadeira "maior" do poder e fará reuniões semanais com aquele que interpreta o sentimento masoquista dos habitantes da Tribulandia, servindo-lhes doses mais duras de apertar o cinto. O bla, bla, bla, continuará a reinar na expressão verbal e a fazer as nossas delícias de humor substituto. Aqui e além mais uma tragédia ambiental que dará lucros a quem tiver os meios para a combater e para alugar ao Estado. Novos modelos de telemóvel e de jogos surgirão para prepararem os nossos técnicos do amanhã. Ah, e certamente teremso grandes concertosde pop e rock. Assim andamos nas rodas do vira.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Vira o disco e toca o mesmo

DN
Tentar perceber

Frustração
Francisco sarsfield cabral

Os debates televisivos com candidatos presidenciais parecem ter desiludido muita gente. Teriam talvez preferido confrontos violentos, com constantes interrupções impedindo completar uma única frase, muito menos formular uma ideia. Ora estes debates, no formato americano, evitaram essa confusão e tiveram notáveis níveis de audiência. Decerto, eles não trouxeram novidades - mas como as poderiam trazer? E os intelectuais ficaram frustrados com o conteúdo do que foi dito. O provincianismo nacional acha que, "lá fora", as discussões políticas são de elevada craveira cultural e política.

E eles têm dito alguma coisa para além de banalidades que vêm em qualquer revista?

Deslocação controlada


nicholsoncartoons

Natal dos corações

Quadra de festas. Raízes profundas levam-nos à festa da paz e da amizade pelo próximo, mesmo que rodeados de um consumerismo feroz que nos atordoa e nos faz sentir isolados no meio do egoísmo. Festa das crianças, festa por realizar para muitas. Mais carros do que pessoas nas ruas, mais telefonemas por móvel do que conversas amenas. Mais buzinadelas do que sorrisos ou simpatias momentâneas. A despersonalização atingiu, praticamente, o auge. Pelo meio, diversos candidatos tentam convencer-nos de uma salvação próxima como se, alguma vez. esta classe de políticos pensou outra coisa que não fosse a conquista do poder pelo poder ou o exercício de uma retórica vazia de conteúdo e de ideais, num contexto onde as principais responsabilidades são suas. Tudo em nome de um sistema que se esgota na onda gigantesca da globalização. Os pobres e deserdados continuarão sem Natal a não ser na memória de alguns. Os recursos continuarão a ser desbaratados até que tudo seja mais escasso. Cristo, certamente fugindo das igrejas, contempla as amplas crucificações que vão correndo mundo.
Num plano mais restricto, o Estado prepara-se para impor novos sacrifícios aos cidadãos, invadir a sua privacidade e sujeitar a maioria a ditaduras “soft” derivadas dos votos obtidos. Tudo em nome da igualdade, da liberdade e dos grandes princípios.
Paz a todos os homens de boa vontade que no interior do seu coração não esqueceram os princípios éticos e morais dos seus antepassados. Desejos de um mundo diferente para todos os sacrificados.
O pensamento continuará a ser livre. Talvez Deus se lembre de nós.